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Tragédia no sul da Bahia, presságio do novo normal

Tragédia no sul da Bahia, presságio do novo normal

São pouquíssimos os agentes públicos que levam a sério o aquecimento global. Não bastou a crise hídrica cuja consequência mais grave, o racionamento, ficou para trás por um triz mas, mesmo assim nos custou R$ 16,8 bilhões até outubro, segundo dados do Ministério das Minas e Energia. Antes do ano se despedir, e na sequência da crise hídrica, outro evento extremo se abate desde novembro, provocando tragédia no sul da Bahia. Mais de meio milhão de vidas foram afetadas, 24 pessoas morreram até o momento deste relato; quer maior prova que os eventos extremos são parte do ‘novo normal’? Como sói acontecer, os mais afetados são os mais pobres, aqueles que ocupam com a leniência das autoridades locais irregulares como encostas de morros, margens de rios, etc (Atualizado em 2026).

Imagem do sul da Bahia e enchentes
O sul da Bahia debaixo d’água. Imagem, reprodução Twitter.

Tragédia no sul da Bahia, presságio do novo normal

As questões do clima talvez tenham sido um dos assuntos mais discutidos em 2021 não só pela  COP 26, como pelos inúmeros eventos extremos que desestabilizaram todos os continentes ao longo do ano.

Imagem prefeitura de Jucuruçu.

Os resultados, aquém do esperado da conferência, geraram um bombardeio de notícias sobre o clima extremo generalizado – aumento do nível do mar, seca, inundações, ondas de calor e tempestades mais violentas – e respectivas devastações ao redor do globo.

A imagem do ano foi produzida durante a cúpula do clima, quando o ministro das Relações Exteriores de Tuvalu, Simon Kofe, fez seu discurso  mergulhado na água do mar até os joelhos para mostrar como sua nação do Pacífico sofre os efeitos do aquecimento de que não tem culpa, mas paga a conta até agora.

Mas, a despeito disso, o pouco caso do poder público segue idêntico. Uma prova paulista foi a dispensa pata licenciamento dado a um hotel de luxo no topo de Morro Juquehy, ainda com as cicatrizes da tragédia do Carnaval de 2023.

Alguns dados do sul da Bahia

Segundo a Defesa Civil, as enchentes causaram 24 mortes até 29 de dezembro. Além disso, deixaram 42,9 mil pessoas desalojadas. Ao todo, mais de 500 mil sofreram os efeitos das chuvas.

Naquela tarde, o Corpo de Bombeiros alertou para o risco iminente de enchentes em Itambé, Canavieiras, Mascote e Cândido Sales. Por isso, orientou a população a deixar as áreas de risco.

As áreas de risco, sempre elas. Mas quais gestores impediram novas ocupações nos últimos anos? E quais ofereceram moradia segura para retirar famílias desses locais?

Informação, porém, não falta. Um estudo do Cemaden e do IBGE, publicado em 2018, analisou dados do Censo de 2010. O levantamento identificou pelo menos 6,2 milhões de pessoas em áreas sujeitas a deslizamentos no país.

Ao incluir os locais com perigo de enxurradas e inundações, o total chegava a 8,2 milhões de brasileiros. Essas pessoas viviam em 825 municípios que o Cemaden monitorava. Desse total, 4,2 milhões moravam nos quatro estados do Sudeste.

O exemplo da Baixada Santista em 2020

Além dos alertas de cientistas em fóruns internacionais, sobram exemplos recentes no Brasil. Mesmo assim, o aprendizado não acompanha a repetição das tragédias. Basta lembrar o que aconteceu um ano antes.

Fortes chuvas provocaram deslizamentos em Santos, São Vicente e Guarujá. Ao todo, 45 pessoas morreram, entre elas dois bombeiros. Além disso, quedas de barreiras atingiram rodovias como Anchieta, Cônego Domênico Rangoni, Rio-Santos e Guarujá-Bertioga.

Depois que a lama assentou, porém, a retirada dos moradores das áreas de risco saiu do debate. Em Santos, 11 mil pessoas continuavam nessa situação. No Guarujá, eram 4 mil. Em São Vicente, outras 800 conviviam com a ameaça.

Grande Recife, 2019

Um ano antes, a vítima foi Recife, que registrou 20 mortes relacionadas à chuva, quando mais de 1.600 pessoas precisaram deixar suas casas na Região Metropolitana e na Zona da Mata em razão dos alagamentos.

A maior tragédia, Rio de Janeiro, 2011

Todo verão temos hora marcada com a tragédia. E, mesmo assim, ano após ano, a catástrofe se repete. A pior de todas foi no Rio de Janeiro em 2011. Mais de 900 pessoas morreram em vão, 35 mil ficaram desabrigadas, em quatro cidades.

Mesmo a maior e mais rica cidade do País, São Paulo, naufraga todos os anos, numa repetição que poderia ser chamada de enfadonha, não fossem as mortes, os desalojados, e os prejuízos milionários.

Até quando? Em 2022 teremos eleições outra vez. Pense bem antes de escolher seus candidatos.

Assista ao vídeo do caos na Bahia

Imagem de abertura: reprodução Twitter

Fontes: https://oglobo.globo.com/brasil/tragedias-como-as-da-bahia-ja-ocorreram-anteriormente-no-pais-relembre-as-maiores-25333267; https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59804297.

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