Riscos ao Lagamar Iguape-Cananéia-Paranaguá
Riscos ao Lagamar: o Lagamar é um gigantesco estuário cercado pelo maior trecho contínuo de Mata Atlântica do Brasil. Nesse cenário, seus canais ligam São Paulo ao Paraná e serpenteiam por belíssimos manguezais. O percurso começa em Iguape, no sul paulista, e segue até Paranaguá, no litoral paranaense.
Ao longo desse trajeto, a água do mar entra por várias aberturas, chamadas barras. De norte a sul, primeiro vem a barra de Icapara, em Iguape. Em seguida, aparecem as barras de Cananéia, Ararapira e Superagui. Por fim, está a barra do porto de Paranaguá.
Além da água do mar, os canais recebem água doce de centenas de rios que nascem na Serra do Mar. Assim, essa mistura forma a água salobra do estuário. Por sua vez, ela favorece a reprodução e o desenvolvimento da vida marinha. Além disso, o Lagamar reúne paisagens de tirar o fôlego e uma biodiversidade espetacular.
APA federal marinha Cananéia-Iguape-Peruíbe
APA significa “Área de Proteção Ambiental”. Entre os 12 tipos de Unidades de Conservação do Brasil, essa categoria é a mais permissiva. No entanto, na opinião deste site, que visitou todas as APAs federais marinhas, elas não protegem coisa nenhuma.
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Além disso, a fiscalização quase não existe, resultado da mixórdia que é o orçamento do ICMBio. Como se não bastasse, há outro problema gravíssimo que os gestores da unidade fingem não ver. Trata-se do despejo excessivo de água doce, provocado pela desastrada abertura do Canal do Valo Grande.
Besmatamento é outra ameaça que só o ICMBio não vê
Canal do Valo Grande: um desastre ambiental ignorado pelo ICMBio
O grande vilão do Lagamar é o Canal do Valo Grande. Trata-se de um “atalho” que o homem abriu em 1852, no rio Ribeira de Iguape.
Naquela época, o porto de Iguape ficava em frente à cidade e era um dos mais importantes do Sul do Brasil. Por ele, a região escoava sua produção agrícola, sobretudo o arroz. O rio Ribeira, por sua vez, serpenteava por trás da cidade. Depois, alcançava sua barra, alguns quilômetros ao norte de Iguape.
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Riscos ao Lagamar: Valo Grande e o naufrágio de Iguape
Os riscos ao Lagamar ficam evidentes na história do Valo Grande. Desde sua abertura, Iguape viu parte da cidade desaparecer sob as águas. A erosão alargou o canal, que deveria ter no máximo 40 metros. Hoje, ele supera os 300 metros. Com isso, a água tragou ruas, avenidas e até o cemitério.
Além disso, a vazão trouxe toneladas de sedimentos e excesso de água doce. Os sedimentos assorearam o Mar Pequeno e a barra de Icapara. Assim, inviabilizaram o porto.
Enquanto isso, o excesso de água doce mata o manguezal e favorece o capim que fecha as bocas dos rios. Quando chove, a água barrenta também dificulta a entrada de peixes.
A solução seria fechar o canal. No entanto, a barreira construída com dinheiro público continua aberta por omissão do ICMBio.
Dragagem do Canal do Varadouro
Os riscos ao Lagamar têm responsáveis: Ratinho Júnior, ex-governador do Paraná, e Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Os dois assinaram um protocolo para estimular o turismo náutico no Lagamar. Batizado de “BR do Mar”, o projeto prevê dragagem e intervenções para abrir passagem a embarcações maiores. Assim, pretende ampliar a circulação de lanchas e iates em um dos mais importantes berçários marinhos do Atlântico Sul.
No entanto, dragar esse canal pode alterar a circulação das águas, deslocar sedimentos e provocar erosão nas margens. Com isso, os impactos podem atingir manguezais e comprometer a pesca artesanal que sustenta comunidades caiçaras. Além disso, segundo o Intercept Brasil, citado na reportagem, a Paraná Projetos contratou a Unilivre por mais de R$ 3,6 milhões, incluindo um aditivo. O dinheiro financia anteprojetos e o relatório ambiental das intervenções. Portanto, Ratinho Júnior e Tarcísio precisam responder pelas ameaças do modelo de turismo que decidiram promover.