Primeira ressaca de 2026 mostra vulnerabilidade do litoral
A primeira ressaca de 2026 chegou junto com o Ano-Novo e escancarou a vulnerabilidade do litoral. Praticamente todas as praias urbanizadas do Sul e do Sudeste já perderam seu sistema natural de proteção. Dunas, campos de dunas, restingas e manguezais desapareceram, engolidos pela ocupação desordenada.

A especulação imobiliária conduz esse processo, amparada pela ignorância avassaladora da maioria dos prefeitos de municípios costeiros. Eles não apenas permitem como estimulam o superadensamento urbano, apesar da ausência crônica de infraestrutura básica como aconteceu na virada de 2025 para 2026.


Com a elevação contínua do nível do mar e o aumento dos eventos extremos, o resultado se repete: o alagamento das praias e de dezenas de cidades costeiras, além de centenas de imóveis criticamente ameaçados.

Aliás, 2026 não parece que será sossegado para a zona costeira. A mesma ressaca expôs outro engodo: a suposta engorda da praia de Matinhos. O mar alagou a área recém-intervenida.
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Danos aos oceanos duplicam custo do carbonoMaior navio mercante medieval descoberto na DinamarcaO papel fundamental dos habitats na proteção costeiraOutras duas revelações do inicio do ano agravaram o quadro. A facção criminosa Trem Bala/CLS domina territórios em Porto de Galinhas. Para completar, a polícia prendeu o prefeito de Garopaba por suspeita de corrupção em contratos de coleta de lixo.
Primeira ressaca já expõe a vulnerabilidade de dezenas de cidades
Segundo o g1, ‘em Tramandaí, no Litoral Norte, as ondas cobriram praticamente toda a faixa de areia, afastaram banhistas e chegaram até os quiosques da beira da praia. Sem espaço na areia, famílias se concentraram próximas ao calçadão’.
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‘Em Capão da Canoa’, informa o g1, ‘as ondas danificaram 11 quiosques. Máquinas entraram na praia para reforçar a área. Em Atlântida Sul, balneário de Osório, o mar derrubou o tradicional monumento Rosa dos Ventos. A prefeitura agora avalia se recoloca a estrutura’.
Como informamos no post Ocupação de dunas cobra alto preço ao litoral do RS, este é o preço a pagar pela absurda ocupação de campos de dunas no litoral norte do Rio Grande do Sul.
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Ou seja, o prefeito de Osório pode reerguer o monumento quantas vezes quiser. Ele será implacavelmente derrubado novamente em parte por culpa de uma lição que alguns insistem em ignorar.
Balneário Hermenegildo debaixo d’água
Balneário Hermenegildo já foi tema de nossos comentários em 2016 quando comentamos o que não se deve fazer ao ocupar o litoral. No post, mostramos que o balneário foi erguido em cima de dunas fixas, pela obsessão das casas pé na areia, mais um equívoco de Pindorama. E ilustramos a matéria com a imagem de uma típica ‘casa pé na areia’ que já não existe mais, levada pelo mar.

A primeira ressaca de 2026, em 4 de janeiro, mostrou que a praia está totalmente vulnerável aos caprichos do mar. Assim como toda a infraestrutura e o concreto armado que substituíram os ecossistemas naturais.
Matéria do jornal Zero Hora mostra que sequer os jornalistas aprenderam a lição. Se eles, que deveriam formar opniões, são ignorantes, imagine o leigo. A barbeiragem veio na forma da legenda que dizia: “Linha das ondas praticamente avinde o quiosque”, quando o correto é o contrário.

O mar está certíssimo, errada está a ocupação da orla que passou por cima do apoio, seja ele restinga, dunas, ou manguezais, para ter ‘vista para o mar’. O resultado era o esperado…
O Jornal do Sul informou que ‘a ressaca no litoral gaúcho causa danos em quiosques e outras estruturas. Comerciantes amarraram os estabelecimentos para evitar que a força da água os levasse. Nesta segunda-feira (5), guaritas dos guarda-vidas já estão dentro do mar’.
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Mar engole carro em Palhoça, SC
Em Santa Catarina, onde a a especulação tem aval do Estado, o mar engoliu um carro em Palhoça. A pergunta volta a se impor: a culpa é do carro ou do mar?

Segundo o ND+, banhistas e moradores registraram uma cena que chamou atenção pela manhã deste domingo (4). Um carro Gol foi flagrado na Praia do Sonho, em Palhoça, na Grande Florianópolis, com água até a metade do veículo.
Pois é, e o ano mal começou…em 2026 seremos obrigados a falar sobre os estragos das ressacas com cada vez maior frequência. Culpa das ressacas?










