NOAA sofre demissões em massa por Donald Trump
A NOAA fornece previsões diárias, emite alertas de tempestades e acompanha o clima. Também administra recursos pesqueiros, apoia a recuperação costeira e dá suporte ao comércio marítimo. Seus serviços influenciam mais de um terço do PIB dos Estados Unidos. Além disso, a agência monitora o clima e coopera com parceiros de outros países para compreender e proteger os recursos naturais. Agora, a importante missão de uma das agências com maior credibilidade do mundo está em perigo.

O governo Trump demitiu 880 trabalhadores NOAA em 27 de fevereiro, e supostamente planeja cortar mais 1.000 funcionários. O mundo da ciência está em choque. E a sanha não se resumiu a isso. Em junho de 2026 o negacionista da Casa Branca tentou acabar com um rede de sensores que monitoram os oceanos, porém, a repercussão foi tão negativa que desta vez ele perdeu.
Contudo, ele não se acanhou em tomar medidas ainda mais estúpidas e descabidas, como decidir que destruir o habitat de uma espécie ameaçada não significa causar-lhe dano, uma medida tão estúpida quanto fora de hora.
Rede global de plataformas de observação dos oceanos
A NOAA é também o principal contribuinte para uma rede global de plataformas de observação dos oceanos. Isso inclui o Programa Argo, com cerca de 3600 flutuadores que registram a temperatura e a salinidade nos oceanos de todo o mundo.
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Explosão cambriana, o big bang da evoluçãoOuro no fundo do mar atinge concentração recordeRemoção do coral-sol: novo método enfrenta invasãoOutra fonte importante de dados, lembra o Guardian, provém do Programa de Satélites Meteorológicos de Defesa, operado pela NOAA. Ele fornece imagens diárias da concentração de gelo marinho no Ártico e na Antártida desde 1978. Embora outros países operem satélites semelhantes, nenhum oferece dados calibrados ao longo de quatro décadas.
O Dr. Alex Fraser, especialista em detecção remota do Programa Antártico Australiano, descreveu os satélites polares como um “conjunto de dados absolutamente crucial para nós”.
“É uma pedra angular da nossa monitorização e investigação, e fornecida quase em tempo real”. E acrescentou que a extensão da investigação e monitorização conduzida pela NOAA era ‘espantosa’.
“Entre a Nasa e a NOAA, se perdêssemos as capacidades de uma ou de ambas, estaríamos num lugar muito escuro, literal e figurativamente, sem saber o que se está se passando na Terra”.
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Os cortes de pessoal e o congelamento das colaborações internacionais numa das principais agências científicas dos EUA terão um “efeito inibidor” na ciência climática e poderão “degradar gravemente” a capacidade do mundo para prever com exatidão o tempo, alertaram os cientistas.
A pesca ainda mais ameaçada
Um dos mais notáveis trabalhos da NOAA é sobre a regulação da pesca, além de seus estudos sobre os estoques de peixes, outros problemas mundiais.
E a ‘classe de pescadores’ sentiu o golpe. Segundo o International Collective in Support of Fishworkers, ‘o governo Trump demitiu mais de 1.000 cientistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), responsáveis pelo monitoramento dos oceanos e do clima. Muitos estavam trabalhando em projetos cruciais para rastrear a vida marinha, prever tempestades e estudar o aumento da temperatura dos oceanos’. E concluiu: ‘A NOAA estava com falta de pessoal antes dos cortes de Trump, e agora as coisas estão piorando’.
Ainda segundo o ICSF, ‘os cientistas alertam que o momento desses cortes não poderia ser mais terrível. As temperaturas globais dos oceanos quebraram recordes por 450 dias, levando a furacões mais fortes, aumento do nível do mar e mortes em massa na vida marinha. Os recifes de coral estão morrendo, e um sistema chave de corrente oceânica está mostrando sinais de colapso’.
Trump não tem a menor noção da realidade que o cerca. Ele toma decisões baseado nos humores de seu topete. Assim, em julho de 2026 liberou imensas áreas marinhas protegidas no Pacífico para a pesca industrial.
Mas os ataques ao futuro, à ciência, e ao bom senso, não param. Em julho de 2026, o governo Trump anunciou o leilão de dois blocos para mineração submarina diante da Samoa Americana.
As futuras gerações
Ainda de acordo com a nota da International Collective in Support of Fishworkers, as demissões são um grande golpe para a próxima geração de cientistas oceânicos. Muitos jovens pesquisadores estavam entre os demitidos, acabando com anos de desenvolvimento de talentos.
“É de partir o coração”, disse Allison Cluett, ex-cientista da NOAA que estudou mudanças no Oceano Pacífico para ajudar na pesca. “A próxima geração de especialistas foi apagada.
‘Isso levará a uma catástrofe’
Segundo a CBC, ‘depois que o governo dos Estados Unidos demitiu centenas de pessoas na agência meteorológica, oceânica e de pesca do país, cientistas canadenses alertam que isso terá efeitos “catastróficos” nos Grandes Lagos’.
Não só nos Grandes Lagos. Todo o mundo da ciência, em especial aquele ligado ao clima e suas consequências, sofrerá consequências catastróficas, não tenha dúvida.
A CNN confirma: ‘Vários cientistas disseram que as demissões estão tirando os olhos especializados dos oceanos no pior momento possível: à medida que os oceanos sofrem mudanças extremas – algumas das quais permanecem em grande parte inexplicáveis – com impactos profundos para humanos, vida selvagem e economias.
“Se você já esteve no oceano, ou leu sobre o clima, esteve em contato com NOAA de alguma forma”, disse Tom Di Liberto, cientista e antigo especialista em assuntos públicos da NOAA, que também foi despedido em fevereiro’.
O sentimento do climatologista Carlos Nobre
O Mar Sem Fim ouviu o climatologista Carlos Nobre, do IPCC, para quem… “A NASA e a NOAA estão entre as instituições de todo mundo que mais contribuem para o monitoramento e ciência ambiental, espacial e climática. É essencial que continuem e até expandam suas atuações em função da emergência climática que o planeta Terra atravessa. Devem recontratar imediatamente todos servidores demitidos e acelerar o monitoramento da crise climática que enfrentamos. E contribuir para a busca de soluções baseadas na natureza.”
Alexander Turra: ‘O mundo todo perde, especialmente, o Brasil’
Oceanógrafo, professor da USP e diretor da Cátedra da UNESCO para a Sustentabilidade dos oceanos.
‘NOAA é uma agência americana mas que não restringe seus estudo e suas iniciativas para os Estados Unidos da América. Ela possui iniciativas ao redor de todo o planeta, incluindo monitoramento do oceano, que é a base para a alimentação de modelos que nos ajudam a compreender o funcionamento do planeta (NOAA é dedicada ao estudo do oceano e da atmosfera e, portanto, exercita o nexo oceano-clima e suas consequências para a sociedade) e elaborar previsões sobre o clima, por exemplo’.
‘Dados e modelos produzidos e mantidos pela NOAA são usados aqui como parâmetros de entrada para estudos locais para compreendermos, por exemplo, os efeitos potenciais de empreendimentos na zona costeira e marinha, como os riscos da exploração de óleo nas Bacias de Campos e Santos e na Margem Equatorial. Sem o papel histórico e estratégico da NOAA, o mundo inteiro perde, em especial os países que possuem baixa capacidade de monitorar e modelar o oceano, como o Brasil’.
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