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Ilhas do Atlântico Sul – histórico e importância geopolítica

Ilhas do Atlântico Sul – história e importância econômica e geopolítica

São doze as ilhas do Atlântico Sul. Se começarmos a contagem do Norte para o Sul, a partir do Equador, temos Ascensão, Penedos S. Pedro e S. Paulo; Atol das Rocas, Fernando de Noronha, Santa Helena, Trindade e Martim Vaz; Tristão da Cunha, Ilha Gonçalo Álvares, também chamada Cough Island; Malvinas/Falklands, Geórgia do Sul,  Sandwich do Sul e Órcadas do Sul (Atualizado em 2026).

Ilhas do Atlântico Sul, ilustração mostrando as ilhas do atlântico sul
O mapa não assinala as ilhas brasileiras. Mas imagine o poder econômico, e geopolítico, da Inglaterra, que soube ocupar as ilhas do Atlântico Sul

Maior parte das têm em comum a descoberta por navegadores portugueses

Entre as ilhas do Atlântico Sul, Ascensão,  mais próxima do Equador, tem duas versões. Na primeira teria sido  descoberta pelo galego João da Nova, em 1501 quando, a mando de D. Manuel, fazia o trajeto de ida da terceira carreira para a Índia. Na volta, em 1502, o mesmo navegador descobriu Santa Helena, um pouco mais ao sul.

Naquela época os portugueses estavam mais interessados no comércio com o Oriente, não se interessaram em ocupar Ascensão. Já Santa Helena, por algum tempo serviu de escala na volta da Índia.

No século 17 quando a rota das especiarias deixa de ser exclusividade dos lusos Santa Helena, onde morreu Napoleão Bonaparte, foi disputada por ingleses e holandeses até que em 1673  os ingleses se apossaram dela de onde nunca mais saíram.

Trindade e Martim Vaz

A ilha da Trindade fica a 1.200 km de Vitória, no Espírito Santo. Uma versão atribui sua descoberta ao mesmo navegador, em 1501. Já outra aponta Tristão da Cunha, que teria avistado a ilha em 1508, ao regressar da Índia.

Na mesma viagem, ele descobriu a ilha que até hoje leva seu nome, bem mais ao sul. Com apenas 267 habitantes britânicos, ela ocupa o posto de território habitado mais remoto do mundo.

A 398 km de Tristão da Cunha fica a ilha Gonçalo Álvares, também chamada Gough Island. Quando os ingleses aprisionaram Napoleão em Santa Helena, decidiram ocupar também essa ilha. Com isso, pretendiam impedir qualquer tentativa de resgate.

Ilha Gonçalo Álvares, ou Cough Island

É considerada pela UNESCO  um dos ambientes insulares menos impactados pela ação humana dada a sua localização e dificuldade de acesso. Em seu pequeno espaço abriga uma colônia de aves marinhas considerada a mais  importante do planeta.

É ainda um dos poucos locais  onde espécies exóticas, e os inúmeros problemas que causam, não foram introduzidas (conheça os problemas da introdução de espécies exóticas). Esta ilha  teria sido descoberta pelo navegador que a batizou: Gonçalo Álvares. Ao lado dela, parte do mesmo arquipélago, fica Inaccessible Island. O nome já diz tudo…

Penedos São Pedro e São Paulo

Mais um conjunto de rochas que uma ilha propriamente, também vieram à luz por obra dos portugas quando a armada de 1511, comandada por Garcia de Noronha, registrou ali seu primeiro naufrágio.

Atol das Rocas

O Atol das Rocas já constava do Planisfério de Cantino, de 1502, primeiro mapa que mostra a conquista do Brasil pelos portugueses. A descoberta é controversa mas, ao que parece, foi obra de Gonçalo Coelho, autor das duas viagens posteriores à descoberta oficial do Brasil, em 1501, e 1502. Numa delas teria havido um naufrágio no local.

Fernando de Noronha

Um das mais lindas ilhas do Atlântico Sul, sua descoberta é atribuída ao cristão novo Fernão de Loronha, em 1501, ou 1502; outros historiadores dizem que foi Américo Vespúcio o primeiro a vê-la, na mesma viagem de Gonçalo Coelho, em 1503, quando a nau capitânia naufragou no local.

Curioso foi que Loronha arrendou a ilha de Portugal por muitos anos.

Trindade e Martim Vaz

Mais uma descoberta do galego João da Nova, provavelmente na mesma terceira carreira da Índia. E esta os portugueses ocuparam até a independência do Brasil embora, por duas vezes, os ingleses a reivindicassem.

A primeira em 1700, pelo astrônomo Edmund Halley; a segunda, em 1890, quando os ingleses a ocuparam até 1896. Devolveram-na por mérito dos portugas que nunca abandonaram sua reivindicação de posse.

Tristão da Cunha

Descoberta pelo navegador de mesmo nome, em viagem de 1506- 1508. Também considerado um dos locais mais remotos do mundo, com uma população de 267 pessoas de origem inglesa, sete sobrenomes ao todo, que pertencem a apenas 80 famílias.

Existem muitos problemas de saúde entre os habitantes de Tristão da Cunha provocados pelo casamento, e filhos, entre as mesmas famílias.

Geórgia do Sul

Antoine de la Roché, comerciante de Londres, teria avistado a ilha pela primeira vez em 1675. Ele viajava entre o Chile e a Europa quando uma tempestade desviou seu navio até as ilhas. Em 1756, o navio espanhol León fez o segundo registro e deu à ilha o nome de ‘Isla de San Pedro’.

Todas as fontes, porém, concordam que James Cook fez o primeiro desembarque em 1775. Na ocasião, o capitão reivindicou a ilha para o rei George III, da Grã-Bretanha.

Naquela época, seu principal benefício era o porto natural, que abrigava baleeiros e exploradores da Antártica. Afinal, a ilha oferecia o último refúgio seguro antes dos traiçoeiros mares do sul e da zona de icebergs.

Mas a Geórgia do Sul ganhou fama mundial graças à façanha do explorador britânico Sir Ernest Shackleton. Ele liderou três expedições à Antártica que entraram para a história.

Em uma delas, pretendia atravessar o continente antártico a pé. No entanto, o gelo prendeu seu navio, o Endurance, no mar de Weddell, em 1915. Depois, a pressão esmagou o casco.

Após uma saga que já contamos, Shackleton partiu da ilha Elephant em um bote rumo à Geórgia do Sul. Assim, percorreu 800 milhas por um dos trechos de mar mais hostis do planeta.

Sofreu o pão que o diabo amassou, mas conseguiu chegar. A travessia figura entre os maiores feitos náuticos de todos os tempos.

Antes disso, em 1908, a Grã-Bretanha havia incorporado oficialmente as ilhas a uma área administrativa maior sob seu domínio.

Ilhas do Atlântico Sul: uma falsa polêmica

Falklands ou Malvinas? Mais uma controvérsia sobre quem foram os descobridores deste arquipélago que fica na plataforma continental da Patagônia, a 500 Km da costa argentina.

O que se sabe é que o primeiro europeu a nela desembarcar foi o capitão inglês John Strong, em 1690. Mais tarde, em 1764, o capitão francês Louis Antoine de Bougainville  fundou ali o assentamento de Port Louis. Posteriormente  a França abandonou sua reivindicação para a Espanha que rebatizou a colônia para Puerto Soledad.

Em 1765 o capitão inglês John Byron   reivindicou-as em nome do rei Jorge III. O arquipélago foi restituído aos ingleses  em 1771. Falklands com certeza. Os argentinos nunca  o ocuparam apesar do arquipélago ficar em seu quintal.

Órcadas do Sul

Arquipélago antártico cuja origem é controversa. Elas fazem parte das descobertas do período heroico da Antártica por foqueiros ingleses. As primeiras notícias documentadas de descoberta indicam a chegada de dois caçadores de focas em 1821: o norte- americano Nathaniel Palmer, e o britânico George Powell.

Argentina e Inglaterra fizeram reclamações territoriais sobre elas mas, como estão ao Sul do paralelo 60º, são consideradas parte da Antártica cujo tratado internacional congelou reclamações de soberania.

Sandwich do Sul

Mais um arquipélago formado por 11 ilhas, desabitadas e cobertas por gelo, que fazem parte do território ultramarino inglês das ilhas Georgia do Sul.

James Cook levou o crédito pela descoberta em 1775. Porém, como ocorreu com outras ilhas subantárticas, elas entraram para o mapa do mundo no período heroico da descoberta da Antártica, quando foqueiros desembarcaram ali, por volta de 1818.

Ilhas do Atlântico Sul hoje são brasileiras ou inglesas

Se temos ilhas oceânicas hoje, especialmente Trindade e Martim Vaz, Penedos S. Pedro e S. Paulo, e ainda Fernando de Noronha, isso se deve ao trabalho do Itamaraty e da Marinha do Brasil que souberam lutar por elas em fóruns internacionais além de mantê-las ocupadas.

Mais que a descoberta, o que vale mesmo é a ocupação. O Brasil, ao contrário da Argentina, soube fazê-lo. Por este motivo nossa Amazônia Azul, como dizem os militares, tem hoje quase 13 mil kms 2 (Saiba mais sobre os foqueiros da Antártica).

Note o tanto de zona econômica exclusiva devido à ocupação das ilhas oceânicas brasileiras

Ilhas do Atlântico Sul e a Zona Econômica Exclusiva

De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros podem declarar uma zona econômica exclusiva (ZEE) além de suas águas territoriais. Nessa área, têm direitos sobre os recursos naturais. Em contrapartida, assumem responsabilidades pela gestão ambiental.

Por isso, a posse de ilhas tem grande importância. Além de ampliar a presença territorial dos países, elas podem assegurar acesso às riquezas de suas ZEEs.

A Convenção prevê direitos de exploração, aproveitamento, conservação e gestão dos recursos naturais. Esses direitos abrangem as águas, o leito do mar e seu subsolo. Portanto, incluem também os recursos minerais.

Embora tenha um território muito menor que o brasileiro, o Reino Unido mantém uma extensa ZEE graças às suas ilhas e aos territórios ultramarinos. Além das riquezas naturais, essas possessões ampliam seu poder geopolítico. Afinal, quem pode ignorar a presença britânica no Atlântico Sul?

Os pontos marcados no Atlântico Sul são todos da Inglaterra

A responsabilidade brasileira quanto às ilhas do Atlântico Sul

Ocupar, nós ocupamos. Falta ao Brasil, entretanto, impor a sua ‘gestão ambiental’ às ilhas, como apregoa a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

As Ilhas do Atlântico Sul e a ZEE

Além dos recursos vivos, leia-se vida marinha, com o início da mineração no fundo do mar, leia-se recursos não-vivos ou minerais (em que pesem os imensos perigos para a biodiversidade), quanto valeu o esforço inglês?

Nas Falklands, por exemplo, eles já exploram a pesca e iniciam a exploração de petróleo. Difícil precisar quanto vale hoje em números. Mas que é muito, não tenha dúvida.

Assista ao vídeo sobre Tristão da Cunha

Saiba mais sobre a mineração marinha, seus perigos e perspectivas.

Fontes deste post: sobre as descobertas portuguesas, Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses, Vols I e II, Ed. Caminho. As outras descobertas, a net.

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