Ilhas artificiais no Mar do Sul da China causam apreensão
Ao sul da China, cercado por Filipinas, Vietnã, Brunei e Malásia, o Mar do Sul da China ocupa cerca de 1,35 milhão de quilômetros quadrados. Nos últimos anos, a região virou palco de uma intensa disputa territorial. A China construiu uma série de ilhas artificiais e transformou recifes em bases capazes de receber pistas, portos e instalações militares.
As obras exibem a capacidade da engenharia chinesa, mas também provocaram forte reação dos países vizinhos. As Filipinas levaram a disputa à Corte Permanente de Arbitragem, em Haia.
Em 12 de julho de 2016, o tribunal decidiu contra as principais reivindicações chinesas no Mar do Sul da China. Pequim rejeitou a decisão e afirmou que não reconhecia a jurisdição do tribunal. Este post tem como base uma reportagem do Digital Trends.
Ilhas artificiais e sua construção
O processo parece simples, embora envolva uma operação de engenharia gigantesca. O primeiro passo é encontrar uma base. Ilhas naturais não flutuam: elas correspondem à parte visível de uma formação terrestre que continua abaixo da superfície. Para criar suas ilhas artificiais, a China amplia ilhas, rochas e recifes já existentes.
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Formação do Oceano Atlântico há 117 milhões de anosObservação de baleias: o desafio de organizar o turismoFinning de tubarões: projeto combate barbárie e rótulo “cação”Para sustentar pistas de pouso, portos e instalações militares, é preciso uma quantidade colossal de areia. A China obtém esse material com uma frota de dragas, navios capazes de retirar sedimentos do fundo do mar e transportá-los até as áreas em construção (Saiba mais sobre a mineração de areia).
Recursos para isso não faltam à potência que também ocupa posição central na economia dos oceanos.
Como funcionam as dragas
As dragas usam grandes tubos equipados com cabeças de corte para triturar o material no fundo do mar e sugá-lo. Em seguida, bombeiam areia e sedimentos por tubulações ou mangueiras e os despejam sobre recifes, rochas e outras formações existentes.
Quando a área ganha tamanho e estabilidade suficientes, entram o cimento, as pistas, os portos e demais estruturas. A transformação pode ser radical. Um bom exemplo é o Fiery Cross Reef, que em 2006 ainda mantinha aparência muito diferente da atual.
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Navios autônomos: a nova guerra naval já começouBrasil volta às profundezas da cadeia Vitória-TrindadeIlha de Ormuz: a joia geológica do Golfo PérsicoE agora o Fiery Cross Reef depois de transformada em ilha, em 2015.
Teria a China se inspirado na misteriosa cidade de Nan Madol existente há mais de 800 anos na costa sudeste da ilha de Pohnpei, nos Estados Federados da Micronésia?
A geopolítica dos oceanos
Este site já escreveu sobre o assunto. Lembramos a importância da posse das ilhas do Atlântico Sul, por exemplo. No Mar da China acontece o mesmo. Os esforços de construção de ilhas exigem pesado investimento em engenharia e infra-estrutura.
Por que o país está enfrentando esses problemas? Talvez a principal motivação seja reforçar a reivindicação da China sobre a região. As Ilhas Spratly e outras não têm populações indígenas. Como tal, são reivindicados por várias nações vizinhas. Vietnã, Filipinas, Malásia e China reivindicam partes do Mar do Sul da China.
Recifes e ilhotas em instalações militares
Ao transformar recifes e ilhotas em instalações militares, a China está ampliando suas capacidades militares no Mar do Sul. Pistas de pouso, matrizes de radar e todos esses prédios dão ao país a capacidade de projetar força em toda a região.
Para piorar, a China acaba de comissionar o seu segundo porta-aviões, o Shandong, o primeiro feito integralmente em estaleiro próprio.