Dilma não criou novas Unidades de Conservação na Amazônia
Dilma não criou novas Unidades de Conservação na Amazônia: desde a ditadura militar, esta será a primeira vez que um presidente da República encerrará um mandato sem ter criado uma única unidade de Conservação na Amazônia.

Dilma reduziu em vez de aumentar
Além de não criar novas áreas protegidas na região, o governo Dilma Rousseff reduziu o território de unidades já existentes para abrir espaço a projetos hidrelétricos. Com isso, cinco unidades de conservação na região do Rio Tapajós, no Pará, perderam parte de suas áreas. Além disso, o governo teve baixo desempenho na consolidação das UCs já criadas.
FHC e Lula, os campeões na criação de UCs
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi o que mais criou nada menos que 81 unidades de conservação, totalizando 20.790.029,14 de hectares protegidos. Já Lula é responsável pela criação de 26.828.924,53 hectares, a maior quantidade, entre todos os presidentes, de áreas transformadas em unidades de conservação.
Dilma não criou novas Unidades de Conservação na Amazônia
Depois de FHC, o ex-presidente Lula também teve alto índice de criação de áreas de preservação na região amazônica: 77 em seus dois mandatos, sendo 54 no primeiro e 23 no segundo. Na época de FH, iniciou-se um intenso processo de expansão de áreas protegidas para evitar a investida de grileiros sobre a floresta e frear o desmatamento. Desde então, as áreas de preservação fazem parte da política governamental de combate ao desmatamento e redução das emissões de gases estufa, principal causador de mudanças climáticas.
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Na área ambiental do governo, havia quem afirmasse que Dilma não compreendia a importância das áreas protegidas. Em três anos e meio de mandato, ela criou por iniciativa própria apenas duas UCs. Nenhuma ficava na Amazônia.
Uma delas foi o Parque Nacional da Furna Feia, na Caatinga do Rio Grande do Norte. A outra, a Reserva Biológica Bom Jesus, na Mata Atlântica do Paraná.
Uma terceira UC surgiu por iniciativa do Congresso e recebeu a sanção de Dilma: o Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, no Paraná.
Juntas, essas áreas somavam cerca de 44 mil hectares. Para comparação, os governos Lula protegeram 26,7 milhões de hectares, enquanto Fernando Henrique Cardoso criou áreas que totalizaram 21,5 milhões de hectares.
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— Do ponto de vista de áreas protegidas, este governo foi um fiasco. As unidades de conservação estão fragilizadas porque Dilma não percebe bem a importância dessas áreas — diz um analista ambiental do governo.
Segundo uma fonte do setor, há outras três UCs prontas para serem criadas e que já contam com a aprovação dos estados onde se localizam, mas não saem do papel. Os projetos estão no Palácio do Planalto, aguardando apenas o aval da presidente. São eles o Parque Nacional Serra da Gandarela, em Minas Gerais; o Parque Nacional Guaricana, no Paraná; e a Reserva Biológica Maués, no Amazonas.
Outras sete foram devolvidas pelo Ministério do Meio Ambiente ao órgão responsável pelas áreas protegidas, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por “inconsistência de dados”.
Território brasileiro e áreas protegidas
Atualmente, cerca de 30% do território brasileiro se encontram protegidos (por UCs federais, estaduais, municipais, terras indígenas ou territórios quilombolas). Isso significa um total de 2,7 milhões de km². Na Amazônia, cerca de 24% do território estão dentro de unidades de conservação. Mas Maretti lembra que o Brasil se comprometeu junto à Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU a incluir em unidades de conservação 30% da Amazônia até 2010. Somando unidades federais e estaduais, há hoje 247 delas na região.
PREOCUPAÇÃO DE ‘ARREDONDAR’ OS PROCESSOS
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) argumenta que o foco da gestão da ministra Izabella Teixeira é “arredondar mais” os processos de criação para evitar questionamentos sobre áreas protegidas depois que elas forem criadas. Muitas vezes, o estado onde a UC se situa faz reclamações, e o governo federal tem que se desdobrar para solucionar conflitos.
Disputa fundiária
Um dos grandes passivos gerados com a demarcação dessas áreas no passado é a disputa fundiária. O governo calcula que, para regularizar a situação, a União tenha que arcar com R$ 20 milhões para reassentar famílias que estão instaladas em áreas protegidas e também para compensar as que moravam legalmente nas regiões incluídas nas UCs, antes que o Estado as transformasse em ponto de conservação da natureza.
Percentual de unidades de conservação na Amazônia é o maior do Brasil
— A Amazônia já concentra o maior percentual de unidades de conservação do Brasil. Com recursos limitados, a prioridade não deve ser criar novas áreas, mas cumprir os compromissos assumidos com as que já existem. Ou seja, consolidá-las — afirma Roberto Cavalcanti, então secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.
Segundo o ministério, ao redefinir os limites das UCs, o governo buscava compensar as áreas retiradas. Para isso, incorporava novos territórios ao parque ou criava outras unidades.
O Parque Nacional dos Campos Amazônicos, por exemplo, perdeu 34 mil hectares, mas ganhou 150 mil em outra área. Já o Parque Nacional Mapinguari perdeu 8,5 mil hectares e recebeu outros 180 mil.
Cinco unidades de conservação do entorno do Rio Tapajós
Cinco unidades de conservação do entorno do Rio Tapajós, no entanto, seguem no prejuízo, pois perderam 75 mil hectares para abrir espaço para a construção de hidrelétricas do Complexo do Tapajós e ainda aguardam a autorização de Dilma para criação da Rebio Maués, que compensaria as perdas com a proteção de 74 mil hectares.
DESMATAMENTO SUBIU 28% EM 2013
Um ambientalista que já trabalhou no governo aponta outros problemas na área ambiental, sob a gestão da desenvolvimentista Dilma. Segundo ele, a implementação da Política Nacional de Mudanças Climáticas, criada por Lula em 2010 para cumprir o compromisso de reduzir emissões de gases estufa está andando “a passos de tartaruga”.
Na área energética, o Brasil reduziu sua matriz renovável
Na área energética, o Brasil reduziu sua matriz renovável de 48% para 42% nos últimos quatro anos. E a promessa feita sob Lula de monitorar o desmatamento do Cerrado, onde se estima que a destruição das matas nativas seja o dobro da da Amazônia, nunca foi cumprida.
Na Amazônia, o desmatamento, que não aumentava desde 2008
Na Amazônia, o desmatamento, que não aumentava desde 2008, voltou a subir 28% no ano passado. Embora ainda seja uma das taxas mais baixas da história, ambientalistas argumentam que ao ceifar anualmente quase 6 milhões de hectares (5.843 km2), o Brasil continua com o vergonhoso título de segundo maior desmatador do planeta, atrás da Indonésia. Dados preliminares apontam que este ano a destruição da floresta voltará a cair.
Fonte: O Globo
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