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Antártica derretendo, após calor recorde: veja imagens

Antártica derretendo, após calor recorde: veja imagens

Após uma semana sob as temperaturas mais quentes já registradas na história, entre 6 e 13 de fevereiro, parte da Antártica derreteu, literalmente. Imagens da Nasa não deixam dúvidas e mostram a Antártica derretendo, após o calor recorde. As imagens foram colhidas pelo satélite da Nasa Landsat 8, entre os dias 4 e 13 de fevereiro de 2020, explica o site da agência espacial dos Estados Unidos.imagens da Nasa mostram Antártica derretendo

Elas mostram o derretimento da calota de gelo que cobre Eagle Island. A região fica na ponta da Península Antártica e próxima das áreas onde foram registrados os recordes de calor. “Cerca de 20% da acumulação sazonal de neve na região derreteu”, diz a Nasa. A estimativa dos pesquisadores é que ao menos dez centímetros de neve tenham derretido.

Derretimento acelerado é inédito na Antártica

Na comparação das imagens de Eagle Island, feitas nos dias 4 e 13 de fevereiro, é visível a formação de lagoas, destacadas em azul. Mauri Pelto afirma que a área com água derretida atingiu cerca de 1,5 quilômetro quadrado. Ele é glaciologista do Nichols College, de Massachusetts, Estados Unidos. A partir de modelos climáticos, os especialistas observaram que a Eagle Island teve um pico de derretimento, de 30 milímetros, em 6 de fevereiro. No total, 106 milímetros de neve derreteram entre 6 e 11 de fevereiro.

“Eu nunca vi lagoas de derretimento se desenvolverem tão rapidamente na Antártica. Você vê esses tipos de eventos de derretimento no Alasca e na Groenlândia, mas geralmente não na Antártica”, ressalta. Pelto observa que essa fusão rápida é causada por altas temperaturas sustentadas significativamente acima do congelamento. Esse calor persistente na Antártica se tornou mais comum nos últimos anos, como se verá mais adiante.

Antártica derretendo: onda recorde de calor, temperatura de 20,7°C

Na base argentina Marambio, na Península Antártica, pesquisadores brasileiros mediram a maior temperatura já registrada na história da Antártica em 9 de fevereiro de 2020. Nesta data que não será esquecida, os termômetros bateram 20,7°C!

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O recorde anterior havia sido registrado apenas três dias antes em Esperanza, com 18,3°C. A estação de pesquisa argentina acompanha as temperaturas na Antártica desde 1961. Antes disso, como Mar Sem Fim mostrou, o dia mais quente tinha sido 24 de março de 2015, com 17 5°C, medido em Esperanza.

A onda recorde de calor também foi captada em imagens pela Nasa. O mapa mostra as temperaturas na Península Antártica em 9 de fevereiro de 2020. E “representa a temperatura do ar a 2 metros acima do chão. As áreas mais escuras em vermelho são onde as temperaturas ultrapassaram 10°C (50°F)”, explica a agência espacial.

Antártica derretendo por causa do aquecimento global

As temperaturas quentes de fevereiro de 2020 foram causadas por uma combinação de elementos meteorológicos, segundo a Nasa. “Uma cordilheira de alta pressão estava centrada sobre o Cabo Horn no início do mês, e permitia a elevação de temperaturas quentes. Normalmente, a península é protegida das massas de ar quente por uma faixa de ventos fortes que circundam o continente.”

No entanto, nesse período, “o vento estava em um estado enfraquecido, o que permitiu que o ar quente extratropical atravessasse o Oceano Antártico e chegasse à camada de gelo. As temperaturas da superfície do mar na área também foram superiores à média em cerca de 2 a 3 graus”.

Mar Sem Fim já mostrou que o aquecimento dos oceanos bateu recorde em 2019. Consequência do aquecimento global, que tem causado ainda a aceleração das correntes oceânicas. Além de fazer com que o maior iceberg do mundo se desloque mais rapidamente rumo a mar aberto. E de colocar em risco a vida de várias espécies na Antártica, como os pinguins de barbicha.

Na Antártica, geleira Boydell também derrete

A onda de calor de fevereiro foi o terceiro grande evento de derretimento do verão de 2019-2020, após períodos quentes em novembro de 2019 e janeiro de 2020. “Se você pensa sobre esse evento em fevereiro, não é tão significativo. É mais significativo que esses eventos ocorram com mais frequência”, ressalta Pelto. O glaciologista também usou imagens do Landsat para detectar derretimento generalizado de superfícies próximas à geleira Boydell, na Antártica.

“Em 13 de fevereiro de 2020, zonas significativas de neve saturada com azul cobalto/água fundida foram desenvolvidas na zona de acumulação que cobre 4 quilômetros quadrados e em algumas localidades na zona de ablação. Essa água derretida provavelmente será recongelada e não será perdida do sistema. Enquanto o derretimento na zona de ablação próximo ao ponto A e ao ponto D seria rapidamente perdido do sistema. A zona de ablação é indicada por pontos cor de rosa em 13 de fevereiro de 2020.”

Água quente sob geleira na Antártica

Como diz Pelto, é a frequência e a diversidade de eventos extremos na Antártica que são preocupantes. No final de janeiro de 2020, cientistas anunciaram a descoberta de água quente sob a geleira Thwaites. As águas na região onde a geleira encontra o mar estão mais de 2°C acima do ponto de congelamento. A água quente está causando o derretimento da geleira e decorre, afirmam os cientistas, das mudanças climáticas resultantes do aquecimento global.

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“As águas quentes nesta parte do mundo devem servir de alerta para todos nós sobre as mudanças terríveis em potencial causadas pelas mudanças climáticas no planeta”, explicou David Holland, ao site Galileu. Holland é diretor da Universidade de Nova York e um dos líderes do estudo que identificou a água quente. Os pesquisadores utilizaram um dispositivo subaquático para navegar e medir a turbulência e a temperatura das águas.

“Projetamos o Icefin (nome do robô) para finalmente permitir o acesso às zonas de aterramento das geleiras, lugares em que as observações eram quase impossíveis, mas onde mudanças rápidas estão ocorrendo”, informou Britney Schmidt, cientista-chefe da Icefin e professora da Escola de Ciências da Terra e Atmosféricas do Instituto de Tecnologia da Georgia, Estados Unidos.

Antártica derretendo e nível do oceano aumentando

Estudos também da Nasa, divulgados em 2019, reforçam ainda as mudanças extremas no continente gelado. Segundo essa pesquisa, a perda de gelo na Antártica nos últimos anos é seis vezes maior do que era há 40 anos.  “Entre 1979 e 1990, o continente perdeu, em média, cerca de 40 bilhões de toneladas de gelo por ano. Entre 2009 e 2017, a perda chegou a 252 bilhões de toneladas por ano. Isso fez com que o nível dos mares aumentasse 3,6 milímetros a cada década”, segundo o jornal O Globo.

“O estudo internacional utilizou fotos aéreas, dados de satélites e modelos climáticos da década de 1970 em todas as regiões da Antártica para obter o quadro mais completo dos impactos das mudanças climáticas até o momento. ‘Nós estamos falando apenas da ponta do iceberg. Enquanto a massa de gelo da Antártica continuar a derreter, o nível do oceano deverá aumentar vários metros nos próximos séculos’ disse Eric Rigton”, ao jornal. Rigton é professor da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, e autor do estudo publicado na Nature Geoscience.

Imagem de abertura: www.smithsonianmag.com/

Fontes: https://earthobservatory.nasa.gov/images/146322/antarctica-melts-under-its-hottest-days-on-record; https://blogs.agu.org/fromaglaciersperspective/2020/02/19/boydell-glacier-accumulation-zone-rapid-melt-feature-development-february-2020/; https://olhardigital.com.br/noticia/imagens-de-satelite-da-nasa-revelam-derretimento-na-antartica/97193?fbclid=IwAR2J8SPMQjh30l5Nah1vkRtWxeM9MkGuH35wJ1Q21WhWZWVewOE6Vud2xKc; https://oglobo.globo.com/sociedade/derretimento-da-antartica-seis-vezes-maior-do-que-ha-40-anos-revela-nasa-23373464; https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2020/01/robo-detecta-agua-quente-sob-importante-geleira-da-antartica.html; https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/02/13/interna_internacional,1121773/temperatura-na-antartida-passa-dos-20-c-pela-primeira-vez.shtml

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