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Política Nacional de Resíduos Sólidos: avanços e entraves

Política Nacional de Resíduos Sólidos

A Constituição garante a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Em 2010, o governo Lula sancionou a Lei 12.305, que criou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A lei trouxe avanços importantes, como responsabilidade compartilhada, logística reversa e metas para dar destino adequado ao lixo (Atualizado em 2026).

Entretanto, um dos principais objetivos fracassou: acabar com os lixões. O prazo original terminou em 2014 e depois sofreu sucessivas prorrogações. A legislação fixou novos limites, chegando a agosto de 2024 para municípios menores. Mesmo assim, em 2023, quase um terço das cidades brasileiras ainda utilizava lixões.

Portanto, a questão hoje não é saber se a PNRS trouxe avanços. Trouxe. O problema é entender por que, 16 anos depois, o Brasil ainda está tão distante de cumprir alguns de seus objetivos mais básicos.

Política Nacional de Resíduos Sólidos. Foto:http://www.ihu.unisinos.br

Último prazo legal, agosto de 2024

Mesmo depois do fim do último prazo legal, em agosto de 2024, o Brasil ainda convive com milhares de lixões. Em 2023, 31,9% dos municípios despejavam resíduos nesses locais, segundo o IBGE. Já a ABREMA estimou cerca de 3 mil lixões ativos em 2024.

Política Nacional de Resíduos Sólidos. Oito anos depois, persiste a situação degradante. (Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil)

O problema vai muito além da paisagem degradada. Lixões contaminam o solo e a água, liberam gases de efeito estufa e expõem trabalhadores a condições precárias. Portanto, 16 anos depois da criação da PNRS, o destino inadequado dos resíduos ainda representa um dos seus maiores fracassos.

Eu retiraria completamente o trecho sobre Sucena Shkrada Resk. Ele cumpria função importante no post antigo, mas hoje só alonga e ancora o texto em dados superados.

Lei 12.305/2010 criou a Política Nacional de Resíduos Sólidos

A Lei 12.305/2010 criou a Política Nacional de Resíduos Sólidos e estabeleceu diretrizes para reduzir, reaproveitar e dar destino adequado aos resíduos. Originalmente, os municípios deveriam acabar com os lixões até 2014. O país, porém, não cumpriu o prazo. Depois, a Lei 14.026/2020 criou datas escalonadas, que chegaram até agosto de 2024 para os municípios menores.

Não era para eles existirem. Não era…(Imagem:www.saneamentobasico.com.br/)

Outra demora foi ainda maior. Previsto desde 2010, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos só ganhou aprovação oficial em abril de 2022, pelo Decreto 11.043. O Planares estabelece metas como encerrar os lixões e elevar para cerca de 50% a recuperação dos resíduos ao longo de 20 anos.

Por que a Política Nacional de Resíduos Sólidos ainda avança devagar?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos avançou desde 2010, mas a implementação continua desigual. O país finalmente aprovou o Planares, ampliou sistemas de logística reversa e melhorou o acompanhamento de dados pelo SINIR. Ainda assim, municípios continuam enfrentando dificuldades para dar destino adequado aos resíduos.

O problema aparece com clareza nos números. Como mostramos em Lixo no Brasil, um problema ainda longe da solução, cerca de 40% dos resíduos urbanos ainda recebem destinação inadequada.

A logística reversa representa um dos principais avanços. Pela regra, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes também respondem pelo destino de produtos e embalagens depois do consumo. Portanto, a responsabilidade pelo lixo não cabe apenas às prefeituras e aos consumidores.

Que futuro eles poderão ter? (Foto:http://www.profresiduo.com)

Além disso, o governo continuou ampliando essa regulamentação. Em 2025, por exemplo, criou regras específicas para a logística reversa das embalagens plásticas. Já em 2026, o Ministério do Meio Ambiente manteve e atualizou metas para outros setores, como o de produtos eletrônicos.

Política Nacional de Resíduos Sólidos e a logística reversa

A logística reversa divide a responsabilidade pelo descarte entre fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Na prática, esses setores precisam criar meios para receber produtos e embalagens depois do consumo e dar a eles uma destinação adequada. A PNRS prevê acordos setoriais, regulamentos e termos de compromisso para colocar esses sistemas em funcionamento.

Hoje, a logística reversa alcança cadeias como pneus, pilhas e baterias, óleos lubrificantes, lâmpadas, eletroeletrônicos e diferentes tipos de embalagens. Além disso, em 2025 o governo criou regras específicas para embalagens plásticas, com meta de recuperar 32% delas em 2026 e chegar a 50% até 2040.

Catadores ainda sustentam boa parte da reciclagem

A Política Nacional de Resíduos Sólidos reconhece o papel dos catadores e prevê sua inclusão na gestão dos resíduos. Ainda assim, a realidade continua precária. Em 2023, 73,7% dos municípios com serviço de limpeza urbana registravam a presença de catadores informais, segundo o IBGE.

Política Nacional de Resíduos Sólidos. Foto:fiquemsabendo.com.br

Além disso, a integração formal avança devagar. Uma avaliação do Planares mostrou que apenas 7,47% dos catadores estavam contratados por prefeituras, muito abaixo da meta de 24,5%. Portanto, boa parte da reciclagem brasileira ainda depende de trabalhadores que atuam sem estrutura adequada ou vínculo com o poder público.

Hoje, 40% dos resíduos ainda têm destino inadequado

O problema mudou pouco. Em 2024, o Brasil gerou mais de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Desse total, 40,3% ainda tiveram destinação inadequada, segundo a ABREMA. Lixões, valas e outros locais impróprios continuam recebendo milhões de toneladas todos os anos.

Houve alguma melhora em relação a 2023, quando a destinação inadequada atingiu 41,5%. Ainda assim, 16 anos depois da criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o país continua longe de resolver um dos problemas mais básicos previstos pela lei.

A tremenda poluição gerada pelos lixões. Política Nacional de Resíduos Sólidos. (Ilustração:http://comaresucv.com.br)

Pagar pelo lixo que se produz

Uma dissertação sobre coleta seletiva remunerada aponta dois obstáculos recorrentes no Brasil: baixa participação da população e gestão pública deficiente. Como alternativa, propõe o sistema conhecido como PAYT (Pay As You Throw).

Política Nacional de Resíduos Sólidos.

A lógica é simples: quem produz mais resíduos, paga mais. Assim, o modelo aplica o princípio do poluidor-pagador e cria um incentivo financeiro para reduzir o lixo e separar melhor os materiais recicláveis.

Produção de resíduos no Brasil

Em 2024, o Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Desse total, 76,4 milhões de toneladas foram coletadas. Ainda assim, o país continuou dando destino inadequado a cerca de 40% dos resíduos.

Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Além disso, a coleta continua desigual. Sul, Sudeste e Centro-Oeste recolhem mais de 95% dos resíduos. Já Norte e Nordeste ficam perto de 83%. O restante acaba em lixões, terrenos baldios, áreas públicas e outros destinos inadequados.

Coleta seletiva ainda enfrenta custos e baixa escala

Os dados antigos já mostravam um problema que persiste: a coleta seletiva custa mais quando opera em pequena escala e sem boa estrutura. Ao mesmo tempo, muitas cidades dependem de cooperativas de catadores para manter o serviço.

O desafio, portanto, não está apenas no custo. Falta escala, planejamento, integração entre municípios e apoio técnico às cooperativas. Sem isso, a coleta seletiva continua frágil e avança devagar.

O que os países que reciclam mais fazem diferente

Alguns países europeus mostram que políticas consistentes podem mudar o destino dos resíduos. Em 2023, a Alemanha reciclou cerca de 69% dos resíduos urbanos, a maior taxa da Europa. Além disso, apenas cerca de 1% do lixo municipal alemão acaba em aterros.

A média da União Europeia também avançou. Em 2024, o bloco reciclou 48,1% dos resíduos municipais. Já os Estados Unidos apresentam desempenho bem mais modesto: os dados mais recentes da EPA, ainda de 2018, apontam reciclagem e compostagem de 32,1%.

No Brasil, a distância continua enorme. O próprio Plano Nacional de Resíduos Sólidos informa que apenas 2,2% dos resíduos sólidos urbanos são reciclados. Portanto, mais do que falta de potencial, o país enfrenta um problema de coleta seletiva, infraestrutura, mercado e gestão.

Política Nacional de Resíduos Sólidos: avanços insuficientes

A Política Nacional de Resíduos Sólidos trouxe avanços importantes. Criou a responsabilidade compartilhada, ampliou a logística reversa e finalmente ganhou um plano nacional. Ainda assim, os resultados continuam muito aquém do necessário.

Quase 40% dos resíduos ainda têm destinação inadequada, milhares de lixões permanecem ativos e a reciclagem avança lentamente. Ao mesmo tempo, rios e córregos continuam carregando resíduos até o mar.

A responsabilidade não cabe apenas ao cidadão. Empresas precisam recolher o que colocam no mercado. Municípios precisam estruturar coleta e destinação. Estados e União precisam fiscalizar, financiar e cobrar resultados. Sem essa divisão real de responsabilidades, a Política Nacional de Resíduos Sólidos continuará sendo uma boa lei com resultados modestos.

Fontes p/ Política Nacional de Resíduos Sólidos: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/08/14/O-que-mudou-8-anos-depois-da-pol%C3%ADtica-de-res%C3%ADduos-s%C3%B3lidos-no-Brasil; http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/575765-2018-lixoes-e-aterros-controlados-uma-realidade-ainda-gritante-no-brasil; https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,lula-sanciona-politica-nacional-dos-residuos-solidos,589456; http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-perigosos/logistica-reversa; http://www.ihu.unisinos.br/159-noticias/entrevistas/518595-politica-nacional-de-residuos-solidos-cada-elo-defende-seus-interesses-entrevista-especial-com-dan-moche-schneider-e-diogo-tunes-alvares-da-silva; https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/09/brasil-produz-mais-lixo-mas-nao-avanca-em-coleta-seletiva.shtml; https://www.saneamentobasico.com.br/fim-dos-lixoes/.

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