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Operação global contra tráfico de fauna e flora apreende 20 mil animais

Operação global contra tráfico de fauna e flora apreende 20 mil animais

Na Operação Thunder 2024, autoridades de 138 países e regiões apreenderam quase 20 mil animais vivos de espécies ameaçadas ou protegidas. A INTERPOL e a Organização Mundial das Alfândegas coordenaram a ação. Policiais, agentes de fronteira, fiscais aduaneiros e equipes ambientais atuaram juntos. Esta edição reuniu o maior número de participantes desde o início da operação, em 2017.

Pangolim o mamífero mais traficado no mundo
Os pangolins, originários das zonas tropicais da Ásia e da África, são os mamíferos mais traficados em todo o mundo devido às suas escamas altamente cobiçadas, usadas na medicina tradicional chinesa. Não só suas escamas são procuradas, a carne também é considerada uma ‘iguaria’. Esse comércio ilegal os tornam vulneráveis à extinção, apesar de estarem no planeta há nada menos que 60 milhões de anos. Imagem, ONU.

Segundo a INTERPOL, as autoridades prenderam 365 suspeitos e desarticularam seis redes criminosas transnacionais que atuavam no tráfico de animais silvestres e plantas protegidos pela CITES.

O crime atinge diretamente a biodiversidade mundial. Ele atravessa quatro continentes e envolve mais de 150 países. Essa escala global dificulta o combate ao tráfico de animais silvestres e mantém o problema ativo.

Avaliação do tráfico: US$ 20 bilhões ao ano

Segundo o World Economic Forum, a economia subterrânea para crimes contra a vida selvagem vale até US$ 20 bilhões por ano, impulsionada por grupos criminosos grandes e organizados, muitas vezes “invisíveis”.

O relatório World Wildlife Crime Report 2024, das Nações Unidas, reflete o gigantesco problema. ‘O tráfico de fauna e flora  persiste em todo o mundo, apesar de duas décadas de ação conjunta a nível internacional e nacional’.

Os dados de apreensão documentam o comércio ilegal em 162 países e territórios durante 2015-2021, que afetou cerca de 4.000 espécies de plantas e animais. Destas, 3.250 estão listadas nos Apêndices da CITES. Cerca de 13 milhões de plantas/animais foram apreendidos de 2015 a 2021.

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Por falar na CITES, o Brasil acaba de conseguir uma vitória neste fórum com uma nova resolução que aprimora a regulamentação internacional sobre o pau-brasil, criticamente ameaçado em razão da madeira ser traficada para tornar-se arcos de instrumentos de cordas como o violino, entre outros.

As espécies mais afetadas pelo tráfico de fauna e flora,  segundo dados das Nações Unidas.

Outro alvo constante do tráfico de animais silvestres no Brasil é a Jararaca-ilhoa. Essa cobra vive apenas na Ilha da Queimada Grande. A espécie enfrenta risco crítico de extinção. O interesse de colecionadores e criadores ilegais pressiona ainda mais sua sobrevivência.

No topo da lista, barbatanas de tubarão

No topo da lista está o comércio ilegal de barbatanas de tubarão, cada vez mais impulsionado pela “convergência do crime”. Isso significa que o tráfico de animais selvagens se sobrepõe a outras atividades criminosas, entre elas o contrabando de drogas e o tráfico de seres humanos, exigindo a colaboração internacional de aplicação da lei para combater.

Tailândia e Bangladesh

O tráfico de fauna e flora  tem um alcance global, evidenciado pela apreensão na Tailândia de 48 lêmures e mais de 1.200 tartarugas de Madagascar, espécies em estado crítico de extinção, que seguiam para mercados ilegais de animais de estimação na Ásia.

As commodities mais valorizadas no tráfico de fauna e flora segundo as Nações Unidas.

Corrupção na Indonésia

Uma investigação da Mongabay na Indonésia revelou que grupos organizados dentro do Parque Nacional Ujung Kulon, facilitados por informações privilegiadas de autoridades corruptas, mataram 26 rinocerontes-de-java (Rhinoceros sondaicus). Em outras palavras, quase um terço da população total da espécie entre 2019 e 2023.

Tráfico de macacos capazes de espalhar vírus: do Congo para a Tailândia

Macacos, capazes de espalhar vírus, parasitas e bactérias ao longo das rotas de tráfico, também são severamente afetados por deficiências sistêmicas. No Togo, a apreensão de 38 macacos, incluindo espécies traficadas da República Democrática do Congo (RDC) para a Tailândia, revelou inspeções fronteiriças inadequadas no Congo.

Araras do Brasil para a União Europeia

Mesmo em regiões altamente regulamentadas, como a União Europeia, as políticas de comércio de vida selvagem têm lacunas que permitem que o tráfico persista. A introdução das araras  Spix (Cyanopsitta spixii), extintas na natureza, do Brasil para a UE – apesar da proibição do comércio – mostra como os criadores não regulamentados exploram as lacunas da CITES, a convenção internacional de comércio de animais selvagens.

Lavagem de dinheiro

Os sindicatos também exploram as lacunas das instituições financeiras para lavar dinheiro. Como? Subornando funcionários e falsificando documentos para atender às exigências da CITES para licenças de exportação. Isso permite que as espécies ameaçadas do Brasil, de peixes ornamentais a macacos, sejam traficadas principalmente para mercados na Europa, na China e nos Estados Unidos.

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A apreensão da vida selvagem traficada ilegalmente teve um impacto positivo, mas o marfim ainda é a única mercadoria abaixo da linha de base de 2015, e as escamas de pangolim são as mais visadas.

As redes sociais e o tráfico de animais silvestres

Já mostramos por aqui o papel fundamental desempenhado pelas redes sociais, em especial o Facebook,  no tráfico de vida silvestre. Pois o relatório informa que não houve mudanças.

‘A mídia social continua sendo uma importante plataforma para o comércio ilegal de animais selvagens, com os traficantes continuando a explorar esses locais em 2024, apesar dos compromissos de empresas como o Facebook para conter as transações de vida selvagem’.

A dolorosa morte dos rinocerontes

Segundo um relato publicado no site do governo norte-americano, Immigration and Customs Enforcement – ICE – ‘dentro dos círculos de caça furtiva muitos dizem que um quilo de chifre de rinoceronte vale mais do que ouro. Isso torna esses animais alvos principais dos caçadores. No passado, a medicina oriental tradicional utilizava o chifre, mas seu uso como símbolo de status para demonstrar sucesso e riqueza tem se tornado cada vez mais comum’.

A dolorosa morte dos rinocerontes

Caçadores aplicam dardos tranquilizantes para derrubar o rinoceronte. Em seguida, cortam o chifre e abandonam o animal ainda inconsciente. Muitos morrem por hemorragia.

Os que sobrevivem carregam ferimentos graves provocados por tiros, machados ou facões.

Hoje, gangues internacionais abastecem esses criminosos com equipamentos sofisticados para rastrear e matar rinocerontes com mais eficiência.

38 milhões de animais silvestres traficados do Brasil para o mundo

Assusta o número: 38 milhões de animais saem ilegalmente do Brasil todos os anos.

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Apenas 10% sobrevivem. A maioria morre no transporte, vítima de maus-tratos e condições precárias.

Os dados vêm da Renctas, única ONG dedicada exclusivamente ao tráfico de animais silvestres no País.

O Mar Sem Fim já tratou do tema em podcast com Dener Giovanini, fundador da entidade, que alerta para a dimensão e a crueldade desse crime.

Mapa-mundi com dados do tráfico de fauna e flora. Veja que o Brasil é o terceiro país mais visado pelos traficantes. Ilustração, www.frontiersin.org.

Pau-brasil na mira de traficantes

O Brasil também sofre ataques em razão da flora. Um exemplo típico é o do pau-brasil, que enfrenta risco crítico de extinção, procurado para se transformar em arcos de instrumentos de cordas desde o século 18. Por causa dessa alta procura, o Ibama lançou a Operação Dó-Ré-Mi em 2019 nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A operação apreendeu 292 mil varetas e arcos musicais e aplicou quase R$ 100 milhões em multas a 16 empresas

Bem, agora você já sabe das dificuldades imensas deste tráfico global. Se não houver estreita colaboração de todos os países membros da ONU, não há como acabar com a prática. E, infelizmente, os membros do clube da ONU já deram provas suficientes de que não se entendem, vide o aquecimento global descontrolado em que vivemos.

Assista ao vídeo das Nações Unidas e saiba mais

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