❯❯ Acessar versão original

Derramamento de óleo ameaça reserva marinha em Omã

Derramamento de óleo ameaça reserva marinha em Omã

Reservas marinhas ainda são raras no mundo. Mesmo assim, parece existir uma força invisível capaz de empurrar alguns dos maiores absurdos da navegação comercial recente, incluindo graves casos de derramamento de óleo, para dentro delas. Ou para áreas ainda prístinas.

Derramamento de óleo na reserva marinha em Omã
Imagem, www.timesofoman.com.

Foi o que aconteceu com o Exxon Valdez, no Alasca, em 1989. Depois de uma sucessão de erros humanos que incluiu um capitão que preferiu encher a cara a cuidar da navegação. Anos depois, outro desastre evitável atingiu um sítio Ramsar nas Ilhas Maurício. Após uma festa de aniversário entre os irresponsáveis oficiais do navio. O caso ainda envolveu outra excrescência da navegação mundial: os navios com bandeira de conveniência. Sistema que muitas vezes dificulta a fiscalização e dilui responsabilidades.

Agora, a história se repete. O Caroline Bezengi, ligado à frota escura russa, e que transportava 800 000 barris de óleo cru, sofreu uma explosão. E acabou provocando um derramamento de óleo em uma área marinha protegida de Omã, a Al Hallaniyat Islands Nature Reserve. Mais uma vez, uma região criada para conservar a biodiversidade paga a conta da irresponsabilidade comércio marítimo mundial.

Por que a reserva de Al Hallaniyat é tão importante

A reserva de Al Hallaniyat protege um dos ambientes marinhos mais valiosos de Omã. Além disso, a  Unesco descreve suas águas rasas como praticamente prístinas, com grande diversidade de corais, esponjas, algas e peixes. A região também abriga tartarugas, aves marinhas, golfinhos e baleias.

Uma das ilhas da reserva marinha das ilhas Al Hallaniyat. Imagem, Oman Daily.

Por outro lado, as ilhas estão entre as áreas mais importantes do sul de Omã para a reprodução da tartaruga-cabeçuda. Além disso, a região serve de habitat para a raríssima população de baleias-jubarte do Mar da Arábia, uma das mais isoladas do planeta.

Por isso, o derramamento de óleo provocado pelo Caroline Bezengi preocupa tanto. Afinal, o acidente ameaça uma área criada para conservar ecossistemas ainda pouco alterados. Além disso, coloca em risco espécies que já enfrentam forte pressão fora de seus limites.

O que se sabe sobre o acidente

A agência Reuters relatou problemas em 8 de junho, perto do Iêmen. A explosão ocorreu na casa de máquinas e provocou alagamento. Até agora, porém, ninguém esclareceu oficialmente a causa. Um relatório da Marinha indiana afirma que não havia embarcações suspeitas nas proximidades, o que enfraquece, por enquanto, a hipótese de ataque.

Depois disso, o petroleiro encalhou perto das ilhas Al Hallaniyat. Imagens de satélite mostram o navio parcialmente submerso, mas ele não naufragou completamente. Enquanto isso, especialistas já subiram a bordo para tentar estabilizar a embarcação e a carga.

Omã, e as ilhas Al Hallaniyat. Ilustração, www.sharkrayareas.org.

Em 10 de agosto, o governo de Omã calculava que a mancha ocupava cerca de 390 km². Outros levantamentos por satélite chegaram a cerca de 800 km² e, mais recentemente, algumas estimativas apontaram até 2.000 km². Portanto, ainda não existe um número definitivo.

Para o leitor ter uma ideia, 2.000 km² equivalem a cerca de 280 mil campos de futebol. Segundo a Al Jazeera,  o óleo alcançou a costa de Omã e contaminou até 40 quilômetros de litoral.

Canal do Oman Observer, Instagran, em 19 de agosto.

Ainda não se sabe quanto dos cerca de 800 mil barris transportados pelo navio vazou. O Caroline Bezengi, construído em 2001, também está sob sanções e havia sido retirado do registro de Camarões em junho.

A dificuldade em conter o derramamento de óleo em Omã

Segundo a Reuters, as operações de salvamento do Caroline Bezengi enfrentam mau tempo e dificuldades técnicas. O petroleiro está encalhado em uma área rasa e rochosa, o que aumenta o risco para as equipes e para os equipamentos usados na operação. Além disso, o navio sofreu danos estruturais importantes e apresenta inundação em um dos lados.

Imagem aérea do navio Caroline Bezengi publicada pelo www.timesofoman.com.

O governo de Omã também informou que monitora a situação com imagens de satélite, levantamentos de campo e modelos técnicos. Segundo a autoridade ambiental, equipes especializadas seguem trabalhando para reduzir os impactos sobre o ambiente marinho e sobre a segurança da navegação.

A frota escura agrava o problema ambiental

Segundo o Greenpeace Internacional, o acidente do Caroline Bezengi mostra os riscos ambientais da chamada frota escura. A organização afirma que esses petroleiros costumam ser antigos, mal conservados e contar com seguros pouco transparentes. No caso do Caroline Bezengi, não está claro se haverá cobertura suficiente para a limpeza e a recuperação ambiental.

Canal do Oman Observer, Instagran, em 19 de agosto.

O Greenpeace também alerta que o óleo ameaça recifes de coral, pradarias marinhas, praias de desova de tartarugas, aves migratórias e mamíferos marinhos. Segundo a organização, resíduos do petróleo podem permanecer durante anos nos sedimentos e comprometer a recuperação dos ecossistemas.

A Environment Authority de Omã reconhece a necessidade de proteger recifes, áreas de reprodução de tartarugas e outros habitats costeiros de importância ecológica. Por isso, mantém equipes acompanhando a mancha por satélite, levantamentos de campo e modelos técnicos.

Submarino nuclear russo testa torpedo Poseidon

Sair da versão mobile