Tubarão-elefante pode ajudar na cura de doenças
Pesquisadores da Espanha sequenciaram o genoma do tubarão-elefante (Cetorhinus maximus). Eles identificaram genes ligados ao bloqueio da calcificação das cartilagens. A descoberta pode abrir novas linhas de pesquisa sobre doenças ósseas, como a osteoporose, segundo a revista Nature. O animal é o segundo maior peixe do mundo, superado apenas pelo tubarão-baleia. Ele Pode atingir entre 10 e 12 metros de comprimento. É um gigante dócil que se alimenta exclusivamente de plâncton através de filtração.

A pesquisa teve liderança do Instituto de Biologia Molecular e Celular de Singapura, com apoio do Instituto de Biologia Evolutiva da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona.
E não é caso isolado. O estudo do processo evolutivo do tubarão-branco, (Carcharodon carcharias), um dos maiores predadores dos mares, também trouxe pistas importantes sobre mecanismos ligados ao câncer.
Vale lembrar ainda que o teste usado no diagnóstico da covid-19 só se tornou viável graças a uma enzima isolada de uma bactéria marinha que vive em fontes hidrotermais.
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Comparando o genoma do tubarão-elefante
Os pesquisadores compararam o genoma do tubarão-elefante (Cetorhinus maximus), um peixe cartilaginoso, com o do peixe-zebra, que tem ossos calcificados.
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O objetivo era identificar as mudanças genéticas que determinam por que alguns vertebrados desenvolvem ossos duros, ricos em cálcio, enquanto outros mantêm o esqueleto cartilaginoso. O tubarão-elefante integra o grupo mais antigo de vertebrados com mandíbula.
Segundo o professor Tomás Marquès-Bonet, o estudo ajuda a esclarecer a base genética da calcificação óssea, ou seja, os mecanismos que tornam os ossos duros e resistentes.
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A equipe de Tomás Marquès-Bonet identificou um pequeno grupo de genes ausentes nos tubarões quando comparados aos vertebrados com ossos calcificados. Essa diferença explica por que o tubarão-elefante mantém o esqueleto cartilaginoso em vez de desenvolver ossos duros.
Os pesquisadores escolheram esta espécie porque o animal tem um genoma relativamente pequeno, cerca de um terço do tamanho do genoma humano. Isso facilita a análise.
Segundo o investigador, o estudo apresenta a primeira base genética da calcificação óssea. A descoberta pode ampliar o entendimento sobre como os ossos se formam, como surgem depósitos de cálcio e como tratar doenças como a osteoporose.
O que o esqueleto deste tubarão ensina sobre osteoporose
Estudos recentes sobre o tubarão-elefante, também conhecido como tubarão-peregrino (Cetorhinus maximus), avançaram na compreensão da biomineralização da cartilagem. Pesquisas entre 2024 e 2025 mostram que, embora cartilaginoso, seu esqueleto contém cristais de bioapatita organizados de forma semelhante ao osso humano.
A estrutura das vértebras suporta milhões de ciclos de compressão sem sofrer degradação. Cientistas identificaram ainda fibras helicoidais de colágeno que impedem a propagação de microfissuras. Esses mecanismos podem inspirar novas terapias contra a fragilidade óssea e a osteoporose.
As pesquisas reforçam o valor do tubarão-elefante como modelo biológico para estudar resiliência esquelética e ampliar as estratégias de tratamento de doenças ósseas humanas.
Assista ao vídeo para saber mais sobre tubarões e a cura de doenças