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Arquipélago do Arvoredo será mais um parque nacional

Arquipélago do Arvoredo será mais um parque nacional

O arquipélago do Arvoredo fica no quintal dos catarinenses, entre Florianópolis e Bombinhas. A viagem de barco leva poucos minutos a partir de qualquer uma das duas cidades.

Por sua beleza extraordinária, o conjunto de ilhas atraía mergulhadores, pescadores, turistas e amantes do mar. Suas águas límpidas e a proximidade da costa transformaram Arvoredo em um dos principais destinos de mergulho de observação do litoral brasileiro.

O arquipélago reúne as ilhas do Arvoredo, das Galés e Deserta, além do calhau de São Pedro. Ali ficam alguns dos costões mais bonitos do País.

Mas, em 1990, a festa acabou de repente. De uma hora para outra, os catarinenses que amavam o arquipélago perderam o direito de visitá-lo.

Os remanescentes de Mata Atlântica de Arvoredos, e a água cristalina ao seu redor

1990: o arquipélago do Arvoredo se torna uma Rebio

Reserva Biológica Marinha, ou ‘Rebio’, é uma das 12 categorias de unidades de conservação brasileiras. As Rebio fazem parte do grupo de proteção integral, as mais restritivas, ao lado de outros quatro tipos de UCs. Mas o pior é que entre as restrições de uma Rebio está a visitação pública.

E foi esta categoria, a mais restritiva,  a escolhida pelo ICMBio para transformar as ilhas em mais uma unidade de conservação federal do bioma marinho. Um erro crasso. A criação desta Rebio demonstrou total descaso pela sociedade que é quem paga a conta.

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A Rebio arquipélago do Arvoredo

Durante a segunda série de documentários que produzimos, esta foi mais uma unidade de conservação visitada. Estudamos sua criação, entrevistamos empresários ligados ao turismo e à pesca.

Por fim, visitamos a unidade e fomos recebidos por Ricardo Castelli, técnico do ICMBio que a chefiava na época.

Todos criticaram a maneira como o governo criou a unidade de conservação, sem dialogar com a sociedade local. Até o próprio chefe concordou.

Arquipélago do Arvoredo: ‘Unidade criada de cima pra baixo’

Ricardo contou que a Unidade de Conservação já nasceu errada: “foi criada de cima pra baixo”. Não houve consulta pública junto aos diversos públicos com interesse na área, entre eles pescadores artesanais, a indústria do turismo, a sociedade enfim.

Os conflitos passaram a ser inevitáveis. De todo o arquipélago, a única parte que não fazia parte da reserva é a ponta sul da Ilha do Arvoredo, onde se localiza o farol da Marinha.  Ali turistas ainda podiam mergulhar. Nesta parte há também uma base da Marinha do Brasil.

A base da marinha do Brasil e o Farol de Arvoredos.

Comissão aprova a transformação de Reserva Marinha do Arvoredo para parque nacional

A boa notícia chegou em 18 de maio de 2021. Foram necessários 31 anos de ativismo de ambientalistas, e a população de Santa Catarina, em especial o setor de turismo. Mas finalmente o bom senso imperou. Arvoredo, decretado como Rebio em 1990, será mais um parque nacional marinho.

A agência de notícias da Câmara informou que ‘a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (18), o Projeto de Lei 4198/12, que transforma a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, em Santa Catarina, em Parque Nacional Marinho do Arvoredo’.

‘Com a proposta, o autor, deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC), quer permitir o turismo e o mergulho recreativo nas ilhas que compõem a reserva – Arvoredo, Galé, Deserta e Calhau de São Pedro’.

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‘O parecer do relator, deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), foi favorável ao projeto’. O deputado declarou para a Agência de Notícias da Câmara:

“A recategorização da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo em parque nacional vai possibilitar o desenvolvimento da visitação, de forma controlada pelo ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade], com amplo benefício econômico para as comunidades locais e, inclusive, para a gestão da unidade, já que a visitação será uma fonte importante de arrecadação de recursos para o parque.”

O que abriga de especial o arquipélago do Arvoredo

De acordo com o site do ICMBio, Arvoredo, com 17.600 hectares, protege “A alta diversidade de ambientes marinhos e terrestres existentes na Reserva que abriga uma infinidade de espécies. Muitas delas raras e ameaçadas de extinção.”

“As ilhas apresentam remanescentes de Mata Atlântica. E locais de reprodução para aves marinhas e sítios arqueológicos  com sambaquis e inscrições rupestres.”

“Além disso, os ambientes marinhos da Reserva fornecem abrigo para reprodução e crescimento de diversas espécies de peixes. Isso contribui para manutenção dos estoques pesqueiros no entorno.”

O que o site não diz é sobre a beleza cênica do arquipélago, o mais bonito do litoral sul do País. E isto, por si, já é motivo para transformar uma área em unidade de conservação.

Fantástico costão da ilha das Galés.

Recategorização da unidade no Arquipélago do Arvoredo

Quando uma área será transformada em unidade de conservação, o poder público normalmente abre canais de consulta com a sociedade. Afinal, um espaço até então frequentado pela população passará a seguir novas regras.

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É justo ouvir os verdadeiros donos da área: os cidadãos. Assim funcionam as democracias.

Mas nada disso aconteceu na criação da Rebio do Arvoredo, em 1990. Desde então, a revolta contra a unidade tornou-se quase geral em Santa Catarina — e não apenas no Estado.

Arquipélago do Arvoredo: de Rebio, para Parque Nacional

Os parques nacionais mantêm o mesmo nível de proteção, mas permitem a visitação pública. Além disso, as entradas pagas geram renda e empregos para a região e ajudam a financiar a própria unidade de conservação.

Como se sabe, nossas unidades vivem na miséria desde que surgiram. Faltam equipes, equipamentos e recursos em quase todas.

A saída passa por parcerias público-privadas e concessões. Empresas privadas podem investir o dinheiro que o Estado não tem. E, mesmo que tivesse, deveria priorizar serviços essenciais, como saúde, educação e segurança.

Costões da ilha das Galés.

Concessões, única concordância entre ambientalistas e a atual gestão

A única concordância que existe é sobre a política de dar sequência às concessões para empresas privadas nos Parques Nacionais. Há pouco escrevemos sobre o assunto no post Parques Nacionais do Brasil e as concessões. Nele, explicamos que assim funciona no mundo.

O Estado define as regras ambientais que orientam a gestão da área. A iniciativa privada explora o local, mas precisa investir nas melhorias necessárias para proteger a biodiversidade e preservar sua integridade.

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É bom para todos.

Parabéns à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, em especial aos deputados Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC) e Rodrigo Agostinho (PSB-SP); e ao povo de Santa Catarina que agora poderá desfrutar de um belíssimo parque nacional em seu quintal.

Fonte: https://www.camara.leg.br/noticias/760692-comissao-aprova-transformacao-de-reserva-marinha-do-arvoredo-em-parque-nacional/?fbclid=IwAR00khANm_8WXMfT3wmPCXUhB1iWfbMbw_JlA_9wdn_7tOfGjM5N1PiYClA.

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