Água contaminada no mar, Japão insiste na estratégia
Água contaminada do mar: a polêmica remonta à tragédia de 11 de março de 2011. Naquele dia, um terremoto de magnitude 9 atingiu o Japão. Em seguida, um tsunami com ondas de mais de dez metros inundou várias cidades do litoral nordeste.
Entre elas estava Fukushima, onde fica a Central Nuclear Fukushima Daiichi, que a Tepco opera. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o terremoto foi o mais forte do Japão. Além disso, ocupou o quarto lugar entre os maiores registros mundiais.
A tragédia deixou mais de 15,8 mil mortos, 2,5 mil desaparecidos e mais de 6 mil feridos. Desde então, o destino da água contaminada da usina provoca controvérsia.
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O tsunami provocou o colapso do resfriamento da Central Nuclear Fukushima Daiichi. Como consequência, três dos seis reatores sofreram derretimento do núcleo. Após o caos e a contagem dos mortos, começou a reconstrução. Então surgiu uma questão: o que fazer com a água contaminada por radiação?
Desde o início o país considerou que a forma mais barata de se livrar do entulho seria despejando-o no mar. Passados nove anos do acidente, o assunto volta à tona quando ‘o Japão decidiu liberar no mar mais de 1 milhão de toneladas de água contaminada da usina nuclear’, segundo matéria do jornal The Guardian.
Segundo o Guardian, ‘pescadores locais afirmam que a mudança destruirá sua indústria da pesca’.
Água armazenada em mais de 1.000 tanques
O destino da água contaminada do mar preocupa pescadores locais e países vizinhos. Mais de 1.000 tanques armazenam a água radioativa de Fukushima, que o governo japonês pretende despejar no Pacífico.
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The Plastic Detox: documentário liga plástico à infertilidadeLimpeza oceânica já retirou 50 milhões de toneladas de plásticoPraias de SC tornam-se paraíso das engordas e da diarreiaA decisão final deve sair nas próximas semanas. Enquanto isso, a proposta preocupa pescadores locais e países vizinhos. A Coreia do Sul, por exemplo, ainda proíbe a importação de frutos do mar da região. Além disso, o país já manifestou preocupação diversas vezes. Para o governo sul-coreano, o despejo representa uma “grave ameaça” ao meio ambiente marinho.
Relembre como foi o desastre de Fukushima.
170 toneladas de água contaminada por dia
O debate sobre água contaminada do mar envolve o acúmulo de resíduos radioativos em Fukushima. Segundo o Guardian, 1.044 tanques guardavam 1,23 milhão de toneladas de água em setembro. A contaminação ocorre quando a água entra em contato com aquela que resfria os três núcleos danificados. Além disso, o volume aumenta em 170 toneladas por dia.
O sistema de tratamento da Tepco remove substâncias altamente radioativas da água. Porém, não consegue retirar o trítio, um isótopo radioativo do hidrogênio. Usinas nucleares costumam diluir essa substância e lançá-la no oceano junto com a água.
Segundo especialistas, o trítio só prejudica os humanos em doses muito grandes. Já a Agência Internacional de Energia Atômica afirma que os responsáveis podem tratar a água residual. Depois, podem diluí-la com água do mar antes de lançá-la no oceano.
Segundo o Yomiuri Shimbun, a equipe de Fukushima Daiichi diluirá a água dentro da usina antes de liberá-la. Com isso, reduzirá sua concentração em 40 vezes. Todo o processo levará 30 anos.
Tokyo Electric se desculpou
Segundo a Reuters, a Tokyo Electric pediu desculpas em 2018. A empresa admitiu que seus filtros não haviam removido todo o material perigoso da água. Por isso, anunciou que pretendia retirar os demais contaminantes radioativos. A exceção seria o trítio, um isótopo do hidrogênio difícil de separar.
Em abril, uma equipe da Agência Internacional de Energia Atômica avaliou as alternativas propostas por um comitê japonês. Os técnicos consideraram duas opções viáveis: liberar vapor na atmosfera ou despejar a água no oceano. Segundo a AIEA, usinas nucleares já adotavam ambas as práticas. Assim, o debate sobre água contaminada do mar ganhou mais um capítulo.
BBC diz que trítio representa risco baixo para a saúde humana e animal
Segundo a BBC, alguns cientistas afirmam que a água se diluiria rapidamente no Oceano Pacífico. Além disso, avaliam que o trítio oferece baixo risco à saúde humana e animal.
Ainda assim, o despejo preocupa setores da sociedade japonesa e países vizinhos. Diante dessa pressão, o governo talvez esteja testando a opinião pública sobre água contaminada do mar. Segundo a BBC, o ministro da Indústria, Hiroshi Kajiyama, afirmou que o governo ainda não havia decidido o destino da água. Porém, pretendia anunciar uma decisão em breve.
Fontes: https://www.theguardian.com/world/2020/oct/16/japan-to-release-1m-tonnes-of-contaminated-fukushima-water-into-the-sea?fbclid=IwAR1xzkLMsFB8bklAlg-GkSCdcj8Ox1B_hmMJbc-QpVo3jVYvKbkHajUgIBQ; https://www.bbc.com/news/world-asia-54566978; https://www.reuters.com/article/us-japan-disaster-water-idUSKBN27037O.