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Remoção do coral-sol: novo método enfrenta invasão

Remoção do coral-sol: novo método enfrenta invasão

A remoção do coral-sol ganhou uma nova ferramenta no litoral brasileiro. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo testaram um jato de ar comprimido capaz de destruir o tecido vivo do invasor sem arrancar a colônia da rocha. Nos testes realizados no arquipélago de Alcatrazes, o coral não voltou a crescer.

Remoção do coral-sol com ar comprimido
Imagem publicada pela Agência Fapesp com a seguinte legenda: Pesquisador Guilherme Pereira-Filho realiza jateamento de ar comprimido para remoção de coral-sol: mergulhador leva cilindro extra, mas não precisa carregar colônias removidas, como no método tradicional (foto: LabecMar/Unifesp).

A descoberta chega em boa hora. O coral-sol já ocupa ilhas, costões rochosos, portos e estruturas artificiais do Sul ao Nordeste. Além disso, cresce rapidamente, disputa espaço com espécies nativas e altera comunidades inteiras do fundo do mar.

Até agora, mergulhadores combatem a invasão principalmente com marretas, talhadeiras ou marteletes. Contudo, fragmentos e restos de tecido podem permanecer na rocha, regenerar-se e formar novas colônias. As peças retiradas também exigem transporte e tratamento cuidadosos, pois o estresse pode estimular a liberação de células reprodutivas.

Como o coral-sol chegou e conquistou a costa brasileira

O Brasil registrou o coral-sol pela primeira vez nos anos 1980, incrustado em plataformas de petróleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Navios e estruturas offshore trouxeram o invasor que, depois, ajudaram a espalhou-se pelo litoral. Em 1998, pesquisadores encontraram as primeiras colônias conhecidas num costão natural, em Arraial do Cabo.

O Mar Sem Fim já contou como essa espécie invasora chegou ao País e passou a disputar espaço com corais, esponjas e outros organismos nativos.

No entanto, controlar a expansão exige muito trabalho. O método, usado até agora, demanda tempo, equipes treinadas e cuidado para não deixar fragmentos capazes de se regenerar.

No fim de 2025, estudantes de São Sebastião apresentaram outra possibilidade: uma pasta biocida aplicada diretamente sobre as colônias. A técnica mostrou eficiência, mas a aplicação individual torna o trabalho lento diante de costões extensos já fortemente ocupados. Agora, pesquisadores testam um novo método para acelerar a remoção do coral-sol.

Como funciona a remoção da  espécie invasora

A nova técnica usa uma pistola ligada a um cilindro de ar comprimido, semelhante aos usados no mergulho. O pesquisador aproxima o equipamento da colônia e lança o jato diretamente sobre o coral. Assim, remove o tecido vivo e deixa apenas o esqueleto calcário preso à rocha.

O método evita duas dificuldades da retirada convencional. Primeiro, não quebra a colônia em fragmentos capazes de se espalhar. Além disso, dispensa o transporte do coral retirado em sacos fechados, pois o jato destrói o tecido no próprio local.

Segundo a Agência Fapesp, a imagem mostra esqueleto de coral-sol logo após tratamento com ar comprimido (à esq.), depois de 30 dias (centro) e 180 dias (à dir.), quando já está colonizado por algas (foto: LabecMar/Unifesp).

Nos testes em Alcatrazes, os pesquisadores trataram 48 colônias e acompanharam o resultado por 180 dias. Depois de 30 dias, algas e outros organismos nativos já ocupavam os esqueletos. Ao mesmo tempo, o coral-sol não voltou a crescer nas áreas tratadas.

O custo das invasões também pesa. Espécies aquáticas invasoras já causaram prejuízos de centenas de bilhões de dólares no mundo. E o risco pode crescer: como mostrou o Mar Sem Fim, mais de 1.500 navios parados em Ormuz podem espalhar uma nova onda de bioinvasão quando retomarem suas rotas.

Técnica promissora, mas ainda limitada

Apesar dos bons resultados, a nova remoção do coral-sol ainda passou por testes em apenas 48 colônias. Além disso, os pesquisadores acompanharam a área por seis meses, período insuficiente para comprovar a eficiência em longo prazo.

Outro desafio envolve a escala. O coral-sol já ocupa extensos costões e ilhas do litoral brasileiro. Portanto, eliminar colônia por colônia exige equipes, embarcações, mergulhadores e recursos contínuos.

Colônia de coral-sol: metade (à esq.) não recebeu jateamento de ar comprimido, enquanto a da direita passou pelo procedimento. Método remove tecido vivo, deixando apenas esqueleto (foto: Gustavo Piazzaroli/LabecMar-Unifesp).

Ainda assim, o método amplia as opções de controle. Ao evitar a retirada e o transporte das colônias, ele pode tornar as operações mais rápidas e reduzir o risco de dispersar fragmentos.

Ainda assim, a técnica precisa passar por testes em áreas maiores e sob diferentes condições. Os pesquisadores também terão de avaliar o consumo de ar, o esforço das equipes e possíveis efeitos sobre organismos próximos antes de incorporá-la a operações amplas de controle.

A nova remoção do coral-sol não resolverá sozinha uma invasão que já alcançou grande parte da costa brasileira. Contudo, oferece uma ferramenta promissora para reduzir colônias em áreas prioritárias. Agora, o desafio consiste em transformar bons resultados experimentais em ações contínuas de controle.

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