Recursos pesqueiros do mundo pilhados pela China
O colosso asiático é a segunda maior economia do mundo, desde 2011. Naquele ano a China ocupou o posto que era do Japão. Em 2011 o PIB chinês chegou a US$ 5,88 trilhões ante US$ 5,47 trilhões do Japão. Segundo especialistas, ‘o resultado era impensável há uma década, quando o Produto Interno Bruto (PIB) chinês representava apenas um terço do japonês’… No entanto, um dos últimos países comunistas do mundo não faz concessões. Seus trabalhadores são dos mais pobres do mundo. Só um regime ‘linha dura’ para conseguir crescer sua economia, não necessariamente aumentando salários. Assim é a China, país que não respeita regras democráticas, nem tratados internacionais que julga prejudiciais. Agora, o país é acusado pela pilhagem dos Recursos pesqueiros do mundo.
Recursos pesqueiros do mundo pilhados pela China
E não é a primeira vez que acontece, ao contrário. Já se tornou rotina apontar a China pela expansão predatória dos mares do planeta.
Assim, em julho de 2020 as manchetes internacionais denunciaram: ‘Galápagos: frota gigante de 260 navios chineses vasculha o oceano’. Uma enorme frota de pesca chinesa, composta por 260 navios, está atualmente navegando em águas internacionais da América do Sul, entre a Zona Econômica Exclusiva do Equador e a Reserva Marinha do Arquipélago de Galápagos.
Galápagos, celebrizada por Darwin em sua histórica viagem do Beagle, é uma reserva marinha protegida. Mesmo assim, de tempos em temos enormes navios pesqueiros da China são pegos em flagrante detonando os cardumes.
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Plano para o litoral brasileiro chega tarde diante do oceano mais quenteSão Paulo e a adaptação climática urbanaSOS Mata Atlântica: ONG eficiente ajuda a salvar o biomaPor isso as autoridades equatorianas estão de olho na situação, após a prisão em 2017 de um navio chinês cujos porões continham 300 toneladas de peixe, muitos dos quais em perigo de extinção.
O país não tem vergonha de se expor. Em 2013 a China iniciou conversas com o Uruguai visando um terminal de pesca. Não deu certo. Então, mais recentemente, em janeiro de 2021, ofereceu ao governo do Rio Grande a construção de um polo pesqueiro para seus navios.
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Estudo internacional denuncia postura predadora da China
Já em 2013, um estudo publicado na revista Nature alertou sobre a pressão excessiva dos barcos de pesca chineses nos oceanos do mundo. A China é a nação preponderante da economia dos oceanos. Este relatório, coordenado pelo biólogo Daniel Pauly, quantificou pela primeira vez a extensão da pilhagem dos recursos pesqueiros do mundo pela China.
Entre 2000 e 2011, as frotas chinesas teriam capturado até 6,1 milhões de toneladas de peixe por ano. No mesmo período, porém, Pequim informou à FAO apenas cerca de 368 mil toneladas anuais. Ou seja: declarou um volume doze vezes menor que o estimado por especialistas do setor.
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Com artifícios como pescar onde bem entende, sem respeitar nem as poucas áreas marinhas protegidas, a China chegou ao topo da lista dos países que mais capturam peixes. E os números seguem em alta: nada menos que 15 milhões de toneladas por ano, segundo dados publicados pela FAO em 2018.
O problema é que grande parte desse pescado vem de águas internacionais, muito longe da China. Além disso, muitos navios chineses se aproveitam da fragilidade naval de certos países para saquear suas zonas econômicas exclusivas.
Recursos pesqueiros na costa da África e da América do Sul
Apesar da imensidão de suas águas territoriais, a China parece ter chegado perto do esgotamento em seu próprio “quintal”. Agora, desloca suas enormes frotas para outros mares, com apoio de navios de abastecimento e navios-fábrica.
Assim, os pesqueiros chineses recebem suprimentos em pleno oceano, transferem a carga para navios-fábrica e, em alguns casos, passam anos seguidos no mar.
Sem democracia, os cidadãos chineses sequer ficam sabendo o que acontece. Da mesma forma, operários que ousem reivindicar melhores condições de trabalho enfrentam sabe-se lá que tipo de represália.
Assim, a predação continua. Só vira alvo de críticas quando escândalos vêm à tona, como mostrou o estudo da Nature, ou quando barcos acabam presos, como ocorreu em 2017, nas Galápagos, com uma frota de 297 embarcações. Também surgem denúncias em congressos internacionais, como fez o pesquisador Enric Sala, diretor executivo da Pristine Seas.
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Terminal pesqueiro chinês no Uruguai
Em 2019 o Mar Sem Fim alertou que o Uruguai havia sido escolhido como base de reparo e fornecimento de recursos para todos os navios da China e Taiwan. E também outros países que pescam no Atlântico Sul.
E mostrávamos que no final de 2017 a ONG Oceanosanos realizou uma série de reuniões com autoridades governamentais uruguaias para expressar seu completo desrespeito a um projeto para um terminal portuário chinês.
O resultado é que a predação agora acontece nestas plagas.
O quiprocó em 2017: China x Equador
Em 2017, as autoridades do Equador avistaram uma enorme frota ao largo de sua costa, com 297 barcos de pesca. Entre eles, a marinha equatoriana conseguiu embarcar em uma traineira chinesa nas Galápagos. O Fu Yuan Yu Leng 999 continha em seu acervo nada menos que 300 toneladas de peixes, incluindo muitas espécies protegidas, mais de 6.600 tubarões, incluindo tubarões-martelo (por causa de suas barbatanas) ameaçados.
A investigação revelou depois que o navio recolhia a carga de cerca de 100 pesqueiros que operavam no limite das águas territoriais das Galápagos.
Na época, Quito convocou o embaixador chinês para apresentar um protesto oficial. A Justiça equatoriana também multou os proprietários do navio de bandeira chinesa em cerca de seis milhões de dólares.
O capitão e três subordinados receberam pena de três anos de prisão. Outros 16 tripulantes foram condenados a um ano.
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Pelo visto, não adiantou.
Galápagos, a segunda maior reserva marinha do mundo
A presença recorrente de frotas pesqueiras preocupa porque a Reserva Marinha de Galápagos, a segunda maior do mundo, com 133 mil km², abriga muitas espécies ameaçadas de extinção.
O governo equatoriano investiu pesado na preservação desse patrimônio. Dentro da reserva, só a pesca artesanal tem autorização. A pesca industrial é proibida.
Além disso, China e Equador integram a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que exige cooperação para preservar a fauna marinha, especialmente as espécies ameaçadas.
Como dissemos, a China só respeita a parte dos acordos internacionais que lhe interessa.
A estratégia dos chineses
Reservas marinhas são abstrações criadas pelo ser humano. Peixes, crustáceos, e mamíferos marinhos não respeitam sua delimitação. Entram, e saem, em suas viagens migratórias. Os chineses sabem disso, e cercam as divisas das reservas, esperando pelo peixe na beira dessas áreas.
“Todos os países da região estão preocupados com a presença dessa frota chinesa de arrastões, mas não apenas”, disse o contra-almirante Darwin Jarrín, chefe da marinha equatoriana. Também existem navios-tanque, navios-fábrica, navios logísticos que cobrem e podem pescar facilmente em uma área de mais de 30.000 km2, equivalente às nossas províncias de Guayas, El Oro, Santa Elena e Los Rios. “
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Outros países da região também estão preocupados com a presença dessa enorme frota, que varre tudo em seu caminho. Recentemente a Argentina metralhou pesqueiros chineses em suas águas. Acima de tudo, é necessário exigir que as organizações internacionais fortaleçam os tratados internacionais de pesca e sua aplicação.
Entrevistas com pescadores sulamericanos sobre a pirataria chinesa
Image de abertura: https://mrmondialisation.org/
Fontes: https://mrmondialisation.org/galapagos-une-flotte-geante-de-260-navires-chinois-ratisse-locean/?fbclid=IwAR0mQExd7jzirfqV80tNwt4WRcUf-hopG4qZ18VkyORgTl2sR2C5v_2_fys; https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,china-se-torna-segunda-maior-economia-mundial-imp-,679636; https://www.rfi.fr/fr/am%C3%A9riques/20200724-l%C3%A9quateur-sinqui%C3%A8te-centaines-bateaux-p%C3%AAche-chinois-pr%C3%A8s-gal%C3%A1pagos; https://www.infobae.com/america/america-latina/2020/07/24/una-enorme-flota-de-pesqueros-chinos-acecha-a-las-islas-galapagos-ecuador-advirtio-que-hara-respetar-su-soberania-maritima/?fbclid=IwAR3-N722E7NnikC1TpMmhLGdEzC6KNkHgValw74oLJVw2bPSMdxXNzQQuRo.