Mar Sem Lixo cresce no litoral paulista e vira exemplo para o País
O programa Mar Sem Lixo começou em 2022, no litoral de São Paulo. A iniciativa é da Fundação Florestal, ligada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado. A proposta era simples e rara no Brasil: retirar resíduos do mar com apoio direto de pescadores artesanais. A experiência deu certo desde o início. Em janeiro de 2025, este site já havia destacado os bons resultados do programa.

Hoje o Mar Sem Lixo atua em seis municípios do litoral paulista: Cananéia, Itanhaém, Ubatuba, São Sebastião, Bertioga e Guarujá. Segundo o governo estadual, o programa já reúne cerca de 440 pescadores cadastrados. O número mostra o crescimento de uma iniciativa que começou de forma bem mais modesta.
Os números que confirmam o avanço
Os números mais recentes confirmam o avanço do Mar Sem Lixo. Segundo a Fundação Florestal, o programa já retirou 133,17 toneladas de resíduos do oceano e de manguezais do litoral paulista desde 2022. Só em 2025, foram 82,8 toneladas recolhidas. O salto mostra que a iniciativa cresceu, ganhou escala e se firmou como política pública.
O programa buscou atrair pescadores artesanais que ainda praticam o arrasto de camarão, modalidade há muito criticada por seus impactos ambientais. A pesca de arrasto é condenada em grande parte do mundo, embora siga ativa, sem freios efetivos, inclusive no Brasil.
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Recifes de coral na Bahia recebem novos investimentos do BNDESPraia contaminada em Salvador vira caso de políciaPeixe-leão na Bahia: Porto Seguro paga R$ 10 por capturaEm vez de ignorar essa realidade, a Fundação Florestal criou um incentivo para que eles também recolham o lixo encontrado no mar. Assim, quem adere ao programa e entrega os resíduos capturados durante a pescaria recebe pagamento por serviços ambientais. Os valores começam em R$ 16, para a entrega mínima de 1 quilo, e chegam a R$ 653 quando o volume passa de 100 quilos.
Uma boa ideia, apesar da contradição
O avanço do Mar Sem Lixo merece atenção por uma razão simples. No Brasil, o lixo no mar quase sempre só vira assunto quando aparece nas praias, entope canais ou agrava enchentes. Raramente o poder público cria uma política contínua para enfrentar o problema. Em São Paulo, a Fundação Florestal fez isso. Organizou o programa, definiu regras e passou a remunerar a retirada de resíduos do mar.
Há, porém, uma contradição que não convém esconder. O programa se apoia em pescadores artesanais que ainda fazem arrasto de camarão, técnica muito criticada por seus impactos ambientais e cada vez mais condenada em várias partes do mundo.
O resultado é ambíguo, mas real. De um lado, o Estado estimula uma categoria ligada a uma prática problemática. De outro, consegue retirar toneladas de resíduos do mar por meio de uma estrutura permanente, com regras e pagamento por serviço ambiental. Num país em que quase tudo na costa fica no improviso, não é pouco.
O que já se sabe é que o Mar Sem Lixo continua crescendo. O número de pescadores cadastrados aumentou, a coleta de resíduos segue em alta e a Fundação Florestal trata o programa como política em consolidação. Ainda assim, o governo paulista não detalhou, até agora, se pretende ampliar oficialmente a iniciativa para novos municípios do litoral.