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The Plastic Detox: documentário liga plástico à infertilidade

The Plastic Detox: documentário liga plástico à infertilidade

The Plastic Detox estreou na Netflix, e já chegou cercado de impacto. O documentário acompanha seis casais com infertilidade sem causa aparente que tentam reduzir, por três meses, a exposição cotidiana ao plástico. A proposta dos produtores foi direta: mostrar que microplásticos e compostos químicos presentes em embalagens, utensílios e objetos domésticos podem afetar a saúde reprodutiva.

Imagem de The Plastic Detox.
Bom apetite!

A repercussão foi imediata. O Guardian definiu The Plastic Detox como um filme “aterrorizante” e disse que ele provoca vontade de mudar de vida na mesma hora. A crítica destacou o experimento conduzido pela epidemiologista Shanna Swan e chamou atenção para os resultados observados após a redução da exposição ao plástico.

O que o filme mostra — e o que ele não prova

Segundo jornal inglês, ‘a lista de maneiras pelas quais a humanidade está cometendo o suicídio da espécie pode ser longa e estar aumentando. Entretanto, o documentário sugere que devemos menosprezar o uso extremamente generalizado de plásticos derivados de petroquímicos’.

‘The Plastic Detox  se concentra em uma forma pela qual somos afetados pelos microplásticos, chamada de desregulação endócrina: esses invasores minúsculos interferem nos hormônios do corpo e contribuem para todos os tipos de problemas de saúde, entre eles a infertilidade’.

Essa, diz o Guardian, é a principal preocupação da protagonista deste documentário, a epidemiologista Shanna Swan, cujo livro Count Down, de 2021, afirmou que os produtos químicos presentes no plástico são um fator na queda da contagem de espermatozoides’.

Depois de passar boa parte do documentário mostrando como o microplástico já invadiu o corpo humano, o Guardian ressalta o desfecho otimista de um experimento sem base científica: “as visitas finais de Swan aos seis casais nos recompensam com lágrimas de felicidade”. Segundo o jornal, a experiência, embora baseada numa amostra pequena, trouxe resultados surpreendentes, alguns deles para além da simples constatação de gravidez ou não.

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Count Down – o livro

Sobre o livro da epidemiologista Shanna Swan, lançado em 2017, destacou o Health and Evironement Alliance:

Sua publicação de 2017 de uma meta-análise, que chamou a atenção da mídia em todo o mundo, Shanna Swan descobriu que, entre homens da América do Norte, Europa e Austrália, a concentração de esperma diminuiu mais de 50% em menos de 40 anos. Swan já apresentou aos tomadores de decisões da UE evidências epidemiológicas sobre os impactos de produtos químicos disruptores endócrinos (EDCs) na saúde humana em 2012 – há quase uma década. Apesar de a União Europeia tomar medidas para criar ambientes seguros e livres de tóxicos, até o momento essas descobertas ainda não foram traduzidas em mudanças tangíveis e protetoras da saúde para reverter as tendências atuais.

Experiência não tem o rigor de um estudo científico clássico

O New York Times, que também repercutiu o lançamento, revela que a professora de medicina ambiental, Shanna Swan, admite que a amostra é muito pequena, não inclui grupo de controle e, por isso, não permite concluir com segurança que cortar a exposição cotidiana ao plástico aumente, por si só, a fertilidade de adultos.

A premissa do documentário é atraente, diz o Times: corte produtos químicos de plástico de sua vida e melhore sua fertilidade. Mas não é assim tão simples.

No filme, Dra. Swan disse que não queria assustar as pessoas, mas educá-las. “Isso também é algo que temos que prestar atenção”, disse ela.

O New York Times ouviu Matthew Campen, professor de ciências farmacêuticas da Universidade do Novo México: ‘É importante distinguir entre microplásticos e “plastificantes”. Microplásticos são pequenos pedaços de plástico, comumente derramados através do desgaste em plásticos maiores – por exemplo, sacos de plástico descartáveis ou roupas feitas de tecido sintético. Os plastificantes são produtos químicos como bisfenóis e ftalatos que são frequentemente adicionados a plásticos, como garrafas reutilizáveis ou brinquedos de banho, para torná-los rígidos ou flexíveis’.

O jornal também consultou Andrea Gore, professora de farmacologia da Universidade do Texas em Austin, para quem ‘os plastificantes são a maior preocupação com a saúde reprodutiva. Os bisfenóis (incluindo BPA) e os ftalatos fazem parte de uma classe de produtos químicos chamados desreguladores endócrinos porque interferem com os hormônios’.

Documnetário expõe risco, mas tratado do plástico não sai

The Plastic Detox chega num momento revelador. Crescem os alertas sobre microplásticos no corpo humano, seus possíveis efeitos sobre hormônios e fertilidade, mas o mundo segue incapaz de fechar um tratado global contra a poluição plástica. A contradição salta aos olhos: sabe-se cada vez mais sobre o risco, mas continua faltando vontade política para atacar a fonte do problema.

Ilustração, www.sonohealth.com.

Do oceano ao corpo humano

O mais inquietante é que essa contaminação não se limita mais ao lixo nas praias ou ao plástico boiando no mar. Os microplásticos já aparecem em peixes, frutos do mar e em quase todos os organismos marinhos analisados. Também entraram na cadeia alimentar terrestre: plantas os absorvem e eles acabam em nossos alimentos. Agora, estudos já os detectam até no cérebro humano. O que antes parecia um problema ambiental distante virou ameaça direta à saúde.

Assista ao trailer

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