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Praia de Guaecá, São Sebastião, e criação de APA

Praia de Guaecá, São Sebastião: moradores querem criação de Área de Proteção Ambiental

Desde 2016 a Associação dos Amigos da Praia de Guaecá – Saguaecá – luta para a criação de uma nova unidade de conservação no local. Os moradores querem uma APA, Área de Proteção Ambiental,  para amenizar os problemas do crescimento desordenado que incluem o corte de vegetação, entre outros. A região também é importante do ponto de vista do abastecimento de água, já que abriga a bacia hidrográfica do Ribeirão Grande. Esta bacia abastece os moradores das praias de Pitangueiras, Barequeçaba e também de Guaecá. Praia de Guaecá, São Sebastião, e criação de APA. 

Imagem da praia de Guaecá
Imagem, Google.

Praia de Guaecá, São Sebastião, e criação de APA

A Saguaecá chamou o Instituto de Conservação Costeira para juntos desenvolverem o estudo de viabilidade e posterior  criação da nova unidade de conservação. A primeira APA do município de São Sebastião, a APA Baleia/Sahy, foi implantada pelo ICC.

A parte alta de Guaecá já faz parte de uma unidade de conservação, o Parque Estadual da Serra do Mar. Mas a parte baixa, ou a praia e arredores, uma área de cerca de 29 mil m2, está fora. Para proteger este trecho os moradores optaram pela APA.

Criação da APA Guaecá

O Conselho Municipal do Meio Ambiente aprovou a criação da APA Guaecá em 2019. Depois, a proposta passou por diversas secretarias municipais. Entre elas, Meio Ambiente e Habitação e Regularização Fundiária. Em julho de 2020, a pasta da Habitação também aprovou a proposta.

Sérgio Gazire, presidente da Saguaecá, destacou a grave limitação hídrica de São Sebastião. Segundo ele, a bacia de Caraguatatuba abastece toda a região central. Já a bacia de Guaecá atende os bairros de Guaecá, Barequeçaba e Pitangueiras. Por isso, ela tem importância estratégica para o desenvolvimento sustentável da cidade.

O mapa da nova unidade de conservação a ser criada.

Gazire afirma que a criação da APA Guaecá busca preservar as condições socioambientais da região. Outro objetivo é garantir que a urbanização no entorno da praia respeite a legislação específica.

O ICC acompanhou os primeiros estudos e o projeto. Segundo a instituição, a APA Guaecá formará um corredor ecológico com o Parque Estadual da Serra do Mar e a APA Marinha Litoral Norte. Essa ligação conectará os ecossistemas e favorecerá o fluxo gênico entre a Mata Atlântica e o oceano.

A biodiversidade local

Para além da Mata Atlântica, um estudo encomendado pela Saguaecá à Atlântica Consultoria Ambiental revelou que existem no interior da futura APA espécies endêmicas de peixes (oito), crustáceos (quatro), anfíbios (44), répteis (16), mamíferos (35) e aves (71).

O estudo elaborado pelo técnico André Motta, com responsabilidade técnica dos geólogos Alexsandra Costa de Freitas Leitão e Daniel Ferreira Brandão, também mostra um dado preocupante. Das 35 espécies de mamíferos identificadas na área, 32 estão ameaçadas de extinção e, das 71 espécies de aves catalogadas, todas estão em algum processo de extinção.

Na área onde será criada a APA Guaecá existem florestas paludosa, ombrófila densa, de transição restinga encosta, alta de restinga, sapezal e campo antrópico.

Processo lento na prefeitura de São Sebastião

Com tudo pronto, especialmente com a aprovação da proposta pela pasta da Habitação, a expectativa dos moradores era que a criação da APA seria rápida, mas não é o que está acontecendo.

O prefeito Felipe Augusto (PSDB) que, segundo o Tamoio News, afirmou em outubro de 2020 que iria elaborar o projeto de lei e enviá-lo para apreciação do Legislativo ‘assim que acabassem as eleições’ ainda não o fez. A morosidade gera preocupação entre os moradores e defensores da unidade de conservação.

Esta é a segunda crítica recente ao prefeito. Comentamos neste espaço o Plano Diretor de São Sebastião, que enfrenta a oposição dos moradores. Em várias audiências públicas, eles rejeitaram a verticalização do município. Porém, após a publicação do plano, o prefeito Felipe Augusto recebeu acusações de alterar o texto sem consultar a população. Nem mesmo técnicos que participaram da elaboração teriam tomado conhecimento das mudanças.

Ao descumprir a promessa de criar a APA Guaecá, o prefeito contraria novamente uma reivindicação legítima de parte da população.

Um abaixo-assinado virtual circula nas redes sociais e já reúne quase 10 mil assinaturas. Os participantes cobram uma resposta do prefeito. Até agora, ele não anunciou uma data para dar andamento ao processo.

O presidente da Saguaecá, Sérgio Gazire, disse ao Tamoio News que ‘desde o início de fevereiro de 2021 aguarda o agendamento de uma reunião com o prefeito em vão’.

Imagem de abertura: Google

Fontes: https://www.tamoiosnews.com.br/noticias/morosidade-de-felipe-augusto-na-criacao-da-apa-guaeca-preocupa-moradores/; https://www.icc.eco.br/futura-apa-guaeca-tem-importante-passo-para-sua-criacao/; https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2019/08/15/associacao-quer-criar-area-de-protecao-ambiental-na-praia-de-guaeca-em-sao-sebastiao-sp.ghtml.

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