Naufrágios do Brasil: preparamos uma lista para você
Os naufrágios do Brasil não se restringiram aos dois primeiros séculos pós descoberta.
O naufrágio da foto acima, por exemplo, ocorreu no início do século 20. Naufrágios fazem parte da história de qualquer país marítimo, como é o caso do Brasil. Com mais de 8 mil quilômetros de litoral, além de baixios, recifes e ilhas que durante muito tempo sequer apareciam bem demarcados nas cartas, os acidentes eram frequentes. A ausência de faróis também agravava o risco.
Durante as grandes navegações portuguesas, esses acidentes se multiplicaram. Nos primeiros séculos após a chegada dos europeus, o Brasil virou um grande estaleiro para as naus da Carreira da Índia.
Além disso, as guerras deixaram sua marca. Na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, numerosos navios brasileiros e alemães acabaram no fundo do mar.
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USS Abraham Lincoln: meses no mar levam tripulação ao limiteConstrução naval em Itajaí vive novo ciclo de expansãoSantuário de Baleias do Atlântico Sul pode finalmente sair em 2026Esta matéria não pretende reunir todos os milhares de naufrágios da costa brasileira, nem classificá-los por importância. É apenas uma seleção de bons naufrágios para mergulho de observação.
Abrolhos, sul da Bahia, local de muitos naufrágios
O maior banco de corais do Atlântico Sul fica a 30 milhas da costa, no sul da Bahia, o arquipélago dos Abrolhos. Ali há vários naufrágios. Mas um dos mais conhecidos é o do cargueiro Rosalina, um ótimo ponto para mergulho.
Quem esteve em Abrolhos certamente mergulhou entre os porões do Rosalina. Diz a lenda que Abrolhos seria corruptela de “Abra os Olhos” expressão que seria usada por marujos lusos aos que navegavam naquelas bandas. Acontece que ‘abrolhos’ também significa “escolho”, “acidente submarino à flor da água” (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa), portanto é bom não fiar-se só em lendas…
Aliás, o Apóstulo do Brasil, Padre José de Anchieta foi vítima de um naufrágio em Abrolhos quando viajava de Salvador para São Vicente. Depois, o jesuíta reconstituiu em detalhes o acidente ao enviar carta ao superior contando sobre ‘o naufrágio foi tão desesperador que, enquanto a tripulação tentava salvar o navio, os homens corriam para se confessar, certos de que a morte estava próxima’.
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É o famoso naufrágio do Príncipe de Astúrias, sobre o qual este site já escreveu. Então, nessa matéria ele fica de fora. Aproveitamos para conhecer outros em…
Corveta Ipiranga naufraga em Fernando de Noronha
Trata-se da Corveta da Marinha do Brasil, Ipiranga, um dos mais visitados naufrágios de Fernando de Noronha. Aconteceu em 1983, durante uma comissão em Fernando de Noronha. Seus destroços estão numa profundidade de aproximadamente 62 metros.
Não há mergulhador que vá para Noronha e não desça até os escombros da Ipiranga. Pouca gente sabe, entretanto, que Noronha é o local de alguns dos mais notórios naufrágios da história marítima do Brasil. Um deles foi o do navio de Gonçalo Coelho, da frota de 1503 comandada por Américo Vespúcio, que passou uma semana na então conhecida como Ilha da Quaresma.
Naufrágio do navio Prince, misterioso até hoje
O Prince era uma nau de guerra francesa. Em 26 de Julho de 1752 navegava da França com destino à Índia quando pegou fogo e naufragou.
De acordo com site curiozzzo.com, existem 3 versões do local: próximo a Natal, em Pernambuco, ou na ilha de Ascensão. O navio “transportava carga avaliada em mais de 5 milhões de libras, o que dá mais de 21 milhões em reais de hoje. De sua tripulação de mais de 400 pessoas apenas nove sobreviveram.”
Baía de Guanabara e o naufrágio do vapor Buenos Aires
Durante o caminhar da história do Brasil, desde a descoberta no sec. 16, acredita-se que aconteceram mais de 300 naufrágios no Rio de Janeiro. As histórias você pode encontrar no portal Naufrágios do Brasil. Uma delas é a do vapor Buenos Aires. O paquete, lançado ao mar em 1829, era considerado um dos mais modernos para transporte de cargas e passageiros.
Em 1890, o Buenos Aires seguia da Bahia para o Rio de Janeiro quando uma das caldeiras explodiu, fazendo com que a embarcação passasse a navegar devagar. O capitão entregou o timão para um imediato. Pouco depois passageiros, vendo uma ilha e um farol se aproximarem, acordaram o capitão que não deu ouvidos. Quando finalmente subiu ao convés, percebeu que estavam em rota de colisão com a Ilha Rasa- RJ.
Ele ordenou a reversão das máquinas, mas não houve tempo para livrar a colisão. Tumulto e pânico. Mas todos foram salvos, inclusive o capitão, resgatados pela Marinha do Brasil.
Um inquérito foi aberto para apurar denúncia de que o naufrágio havia sido propositalmente provocado. Pois é, tem destas coisas. Às vezes os naufrágios são deliberadamente provocados para que o proprietário receba o valor do seguro…
Neste link você encontra um belo mapa dos naufrágios do Brasil, aproveite.
Assista ao vídeo do Buenos Aires:
Fontes:
https://curiozzzo.com/2016/07/28/as-coisas-mais-curiosas-que-voce-nao-sabia-sobre-naufragios-no-rio-grande-do-norte/; https://www.naufragiosdobrasil.com.br/; http://www.apecatuexpedicoes.com.br/site/pagina.asp?cp=132&pagina=NAUFR%C1GIOS; https://pt.wikipedia.org/wiki/Cv_Ipiranga_(V-17);http://www.blogcaicara.com/2010/12/estampa-de-jan-janes-1621-invasao-do.html; http://naviosenavegadores.blogspot.com.br/2015/01/museu-maritimo-de-santos.html
Ilustração de abertura: Príncipe de Astúrias