Iceberg se rompe e revela vida marinha surpreendente
Iceberg se rompe e revela vida marinha surpreendente
Pesquisadores trabalhavam no Mar de Bellingshausen, Antártica, quando um iceberg gigantesco de cerca de 19 milhas de comprimento rachou a camada de gelo em 13 de janeiro, revelando uma faixa de oceano que não via a luz do dia há décadas. A equipe, a bordo do navio de pesquisa Falkor, decidiu explorar o fundo do mar sob o oceano recém-exposto. Contudo, as expectativas não eram altas. Os cientistas não achavam que muita vida poderia prosperar sob um cobertor tão grosso de gelo. O que os membros da equipe encontraram os surpreendeu: aranhas marinhas gigantes, polvos, peixes, corais e esponjas, incluindo uma, em forma de vaso, que pode ter centenas de anos. No total eles acreditam que serão capazes de identificar dezenas de novas espécies, revelou o Washington Post.
Uma das muitas descobertas. Imagem, ROV SuBastian / Schmidt Ocean Institute.
Ricos de desconhecidos ecossistemas
Quando o gigantesco iceberg se separou no Mar de Bellingshausen, revelou uma área de 209 milhas quadradas até então inacessível. Isso fez com que os cientistas, que estudavam a evolução de outros sistemas de plataformas de gelo ao longo do tempo, abandonassem suas atividades para investigar o misterioso fundo do mar com um veículo operado remotamente.
O Mar de Bellingshausen, em imagem do wikipedia.org.
Todos estavam a bordo do Falkor, um navio de investigação pertencente ao Schmidt Ocean Institute, uma organização sem fins lucrativos.
O Falkor. Imagem, Alex Ingle / Schmidt Ocean Institute.
“Ficamos realmente surpreendidos e espantados com os diversos e ricos ecossistemas que encontramos”, disse Patrícia Esquete, investigadora da Universidade de Aveiro, em Portugal.
A equipe também explorou áreas do remoto Mar de Bellingshausen mais longe da camada de gelo. O fundo do mar estava repleto de criaturas marinhas de todas as formas e tamanhos. Havia desde esponjas centenárias e corais, até polvos, caracóis, vermes, aranhas marinhas, peixes-gelo e até mesmo uma rara água-viva fantasma gigante.
Schmidt Ocean Institute.
Curioso e triste ao mesmo tempo: o aquecimento global, cada vez mais fora de controle, ameaça a biodiversidade do planeta, enquanto os oceanos, ainda pouco explorados, revelam novas formas de vida a cada dia. Fica a pergunta: quantas dessas espécies resistirão aos caprichos do clima e quantas desaparecerão antes mesmo que alguém as conheça?
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O iceberg A-84
Segundo o Smithsonian Magazine, o iceberg, denominado A-84, partiu-se da extremidade sul da plataforma de gelo George VI. Medindo 19 milhas de comprimento por 11 milhas de largura, o A-84 foi rapidamente arrastado pelas correntes oceânicas costeiras e começou a “ricochetear” em partes da costa antártica.
Imagem, Smithsonian Magazine.
Utilizando um veículo subaquático operado remotamente, batizado SuBastian, os pesquisadores passaram oito dias captando fotografias e vídeos do fundo do mar a profundidades de até 1400 metros.
Os investigadores esperam também descobrir mais pormenores sobre este tipo único de ecossistema em termos mais gerais. Que mecanismos estão em jogo para permitir que as criaturas das profundezas se desenvolvam num ambiente tão agreste?
Planos futuros
No futuro, querem também voltar para medir as alterações do ecossistema. Esses conhecimentos poderão ser úteis num mundo em aquecimento, em que há cada vez mais icebergs desprendendo-se na Antártida e no Ártico.