FURG perde base antártica após cassar título de almirante
Em abril de 2024, a FURG – Universidade Federal do Rio Grande – tomou uma decisão tão insensata quanto injusta. Cassou o título de Doutor Honoris Causa concedido ao Almirante-de-Esquadra Maximiano da Fonseca, um dos nomes mais importantes da ciência naval brasileira.

A decisão espantou porque partiu de uma universidade que sempre mereceu respeito. A Universidade Federal do Rio Grande é referência em pesquisas ligadas ao mar. Seu curso de oceanografia está entre os melhores do País. Dali também saíram estudantes que ajudaram a criar o Tamar, um dos maiores êxitos da conservação marinha brasileira.
Mesmo assim, o Conselho Universitário preferiu aderir ao ‘cancelamento’ tardio de um personagem morto em 1998. Maximiano teve papel decisivo no Programa Antártico Brasileiro. Também apoiou o domínio da tecnologia nuclear e ajudou a abrir caminho para o Prosub, o programa de submarinos da Marinha.
A Marinha protestou. Com razão. Agora, dois anos depois, a FURG perde a base antártica que funcionava em seu campus havia mais de 40 anos. Oficialmente, a mudança atende a razões logísticas. Mas muitos observadores enxergam outra coisa: a conta institucional de uma afronta desnecessária.
A versão oficial e o desconforto institucional
A versão oficial fala em logística. Segundo a Marinha, a nova sede fica a cerca de 500 metros do Porto do Rio Grande. Assim, facilitaria o apoio aos navios do PROANTAR.
Mas a Revista Força Aérea deu outro peso ao caso. Em matéria, afirmou que “questões institucionais enfraqueceram a histórica parceria” entre a FURG e a Marinha. Segundo a publicação, esse desgaste resultou na retirada da Estação de Apoio Antártico da universidade.
É natural que os comunicados oficiais evitem o confronto direto. Tanto a FURG como a Marinha saem constrangidas do episódio. Por isso, ambas tendem a maneirar nas notas públicas, para não agravar ainda mais a crise.
Mas o fato central permanece. A decisão da FURG de cassar o título de Doutor Honoris Causa concedido ao Almirante Maximiano da Fonseca foi um ato inconsequente como já comentamos.
A universidade não deliberou sobre matéria pertinente à vida acadêmica. Preferiu fazer “justiça social” com as próprias mãos, ao decretar que esta ou aquela pessoa deve ser banida da memória institucional.
Na época recebeu forte contestação da Marinha. O comandante da Marinha reagiu com dureza à decisão, lembrando a importância de Maximiano para o Programa Antártico Brasileiro, para a ciência naval e para a presença do Brasil na Antártica.
O que a FURG perdeu com a saída da base antártica
A perda não é apenas física. A Estação de Apoio Antártico funcionava no campus da FURG desde 1983. Portanto, fazia parte da história da universidade e, sobretudo, da presença brasileira na Antártica.
Durante mais de 40 anos, a estrutura aproximou a FURG do Programa Antártico Brasileiro. Também reforçou a imagem da universidade como referência em pesquisas ligadas ao mar, ao clima e aos ambientes extremos.
Por isso, a saída da base tem forte peso simbólico. A FURG não perdeu apenas um galpão, uma estrutura logística ou um convênio. Perdeu um vínculo histórico com uma das áreas mais estratégicas da ciência brasileira.
E aí surge a ironia. A universidade cassou o título de Doutor Honoris Causa de um dos nomes ligados justamente à consolidação da presença brasileira na Antártica. Agora, vê a base antártica deixar seu campus.
O almirante Max não merecia isso
O almirante Max não merecia isso. A FURG cometeu uma bobagem contra uma das figuras de proa da força naval brasileira. Maximiano foi um almirante fabuloso, ligado à ciência, ao PROANTAR e à visão estratégica do País.
Ao cassar seu título, a universidade se meteu em briga de rede social, pensamento binário e outras bobagens deste tempo. Não se cancela, sem custo, um almirante desse nível. A Marinha fez muito bem em sair. Elegantemente, diga-se de passagem.