Aumentam as Zonas Mortas nos oceanos, são mais de 500
Segundo dados do PNUD, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, durante as últimas décadas, os insumos antropogênicos de excesso de nutrientes no ambiente costeiro, a partir de atividades agrícolas e águas residuais, aumentaram drasticamente a ocorrência de eutrofização costeira e hipóxia. Em todo o mundo, existem agora mais de 500 “zonas mortas” cobrindo 250.000 km2, com o número dobrando a cada dez anos desde a década de 1960.

Em 2018, destacamos que as Zonas Mortas haviam quadruplicado desde 1950. Agora destacamos este novo salto.
Hoje existem mais de 500 Zonas Mortas
Assim como a população mundial cresce, o mesmo acontece com as Zonas Mortas. Elas são um dos muitos ‘subprodutos’ da superpopulação mundial e nossos hábitos insustentáveis.
Mais lidos
Grilagem avança no entorno da APA Baleia-SahyGrupo pede apoio para salvar arquivo caiçara de IlhabelaIndígenas do Brasil, pioneiros, já caçavam baleias há 5.000 anosSegundo estudo do Instituto Real Holandês de Pesquisas Marinhas, estas áreas oceânicas cada vez maiores estão sufocando a vida marinha. O aumento das temperaturas não é o único parâmetro preocupante cada vez mais visível nos nossos oceanos: o aumento das “zonas mortas” é igualmente preocupante.
Zonas mortas por causas naturais
As Zonas Mortas, entretanto, também podem ter causas naturais. O especialista Robert Diaz diz que o Índico e o Pacífico também têm Zonas Mortas. Porém, nestes casos, produzidas por processos naturais. Por esta razão as zonas mortas provocadas por seres humanos estão frequentemente localizadas perto de litorais habitados.
PUBLICIDADE
Já uma das maiores provocadas por seres humanos, fica no Báltico segundo o professor Diaz. “Nos últimos 40 anos ela variou entre 49.000 Km2.” Diaz explica que os motivos que levaram a essa Zona Morta foram ações no litoral, aliadas à pouca circulação da água deste mar ‘quase fechado’. Entre as maiores zonas mortas são a do Báltico, a do Golfo do México, e a que fica na foz do rio Yang Tsé, na China.
‘Catástrofe maior que o aquecimento’
Segundo os pesquisadores, este excesso de nutrientes resultante da atividade humana é uma catástrofe ainda maior e mais rápida do que o aquecimento dos oceanos. Os pesquisadores destacam ainda que a concentração média de oxigênio nos oceanos diminuiu 2% em apenas 50 anos. E a diminuição prossegue.
O Instituto Real Holandês de Pesquisas Marinhas alerta que ‘como mais e mais nutrientes da terra e do ar entram nos oceanos, as zonas mortas sem oxigênio aumentarão em tamanho e intensidade.
Outra grande ameaça à vida marinha, também relacionada ao aquecimento, é o escurecimento dos oceanos que pressiona os organismos primários como o fitoplâncton.
A zona morta do Golfo do México
Pior, a despeito de ser o país mais rico do mundo, em 2024 a Fortune publicou uma matéria em que a Agência de Proteção Ambiental afirma que ‘a América quase não fez progresso na redução da ‘zona morta’ do Golfo do México, apesar de 30 anos de tentativas’.
Segundo a agência, ‘é um problema difícil que se concentra nas regiões agrícolas que deságuam no rio Mississippi. Mais de metade dos quilômetros de rios e riachos da bacia do Mississippi estavam em más condições de azoto e fósforo, provenientes de fertilizantes que são drenados para os cursos de água’.
A matéria alerta que é um problema que deve tornar-se mais difícil de controlar à medida que as alterações climáticas produzem tempestades mais intensas que despejam chuvas no Centro-Oeste e no Sul.