Pinguins de barbicha correm risco na Antártica
As mudanças climáticas castigam a Antártica e ameaçam animais como os pinguins-de-barbicha. No início de fevereiro de 2020, a temperatura ultrapassou 20 °C na base brasileira na Antártica. O contraste impressiona: o continente também registrou temperaturas próximas de −90 °C.
Nas últimas décadas, o aquecimento avançou em partes da região. Com isso, o gelo recua e os animais enfrentam mudanças em seu habitat e na oferta de alimento.
Os efeitos podem ser observados no movimento acelerado do maior iceberg do mundo rumo a mar aberto, como Mar Sem Fim acaba de mostrar. Bem como na mais recente informação de cientistas a respeito da região: o número de pinguins de barbicha (Pygoscelis antarcticus) na Antártica reduziu drasticamente nos últimos 50 anos. A queda é de cerca de 60%. Mas em algumas colônias a redução alcança 77%. E não são os únicos, os pinguins de Magalhães também sofrem ameaça.
Redução de quase 60% no número de pinguins de barbicha
O último censo realizado na ilha foi em 1971, quando foram registrados 122.550 casais da espécie. Na contagem recente, o número caiu para 52.786 pares. “A diminuição que vimos é dramática”, afirmou à Reuters Steve Forrest, biólogo que participou da expedição. “Embora haja vários fatores que podem explicá-lo, todas as provas que temos apontam para a mudança climática como responsável pelo que estamos vendo”, disse Heather Lynch, professora-associada de ecologia e evolução da Universidade Stony Brook.
Impactos do aquecimento na alimentação dos pinguins
O pinguim de barbicha também é conhecido como pinguim-de-face-manchada. Isso porque tem uma faixa negra debaixo da cabeça. Ele pode medir até 70 centímetros de comprimento. Habita as ilhas e costas do Pacífico Sul, além dos oceanos antárticos. Sua alimentação é à base de krill, um pequeno crustáceo que tem papel fundamental na cadeia alimentar marinha e nos níveis atmosféricos de carbono.
Forrest também sugere que a diminuição da população de pinguins de barbicha pode estar associada à queda na oferta desse alimento na Antártica. “Algo está acontecendo com os componentes básicos fundamentais da cadeia alimentar. Temos menos abundância de alimentos, o que está fazendo com que estas populações diminuam cada vez mais, e a pergunta é: isso continuará?”
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Mar Sem Fim já revelou a importância do krill no combate ao aquecimento global. E os efeitos de sua captura nas águas antárticas para manter, em outros lugares, a aquicultura – cultivo de peixes e outras espécies para alimentação humana em áreas confinadas. A National Geographic explica, ao abordar a queda no número de pinguins, que a população de krill está menor hoje na Antártica. Ela afirma que um estudo de 2016 constatou redução de até 80% da população de krill em alguns mares da Antártica.
Isso foi observado ao longo dos últimos 40 anos e a redução é creditada ao aumento das temperaturas das águas. “O krill é a base da teia alimentar da Antártica: os pinguins de barbicha se alimentam dessas criaturas que se parecem com camarões, assim como os peixes pequenos (que também são alimento para os pinguins).”
Redução de pinguins barbicha; resultados preliminares
O ornitólogo Noah Strycker considera “bastante chocante e impressionante” a queda no número de pinguins de barbicha na Ilha Elefante. Ele é pós-graduando na Universidade Stony Brook e participou da expedição. Entretanto, adverte que os resultados da pesquisa são preliminares, e que ainda não foram produzidos artigos científicos sobre a pesquisa.
Strycker também afirmou à National Geographic que a Ilha Elefante “ainda está repleta de dezenas de milhares dessas aves carismáticas e que a espécie é considerada ‘pouco ameaçada’ pela União Internacional para Conservação da Natureza”. Mas ressaltou: “Isso pode mudar, dependendo dos resultados dessa expedição”.
A revista Superinteressante informa que existem mais de 7 milhões de pinguins-de-barbicha. A espécie figura entre as mais numerosas da Antártica. Só na ilha Zavodovski, território britânico desabitado, vivem mais de um milhão de casais, segundo a publicação. Ainda assim, os novos dados despertam preocupação com o futuro dessas populações.
Chuvas são fatais para os pinguins
Entrevistada pela National Geographic, P. Dee Boersma disse que “outra consequência das mudanças climáticas pode estar envolvida: conforme as temperaturas na Antártida aumentam, as chuvas se tornam mais comuns — e a chuva é fatal para filhotes de pinguins. Quando as jovens aves se molham, é comum desenvolverem hipotermia e morrerem”. Boersma é especialista em pinguins pela Universidade de Washington. A própria cientista já constatou que chuvas na costa argentina mataram metade dos filhotes de pinguins-de-magalhães que ela estudava.
“No entanto, até que pesquisadores publiquem novos dados e estudem outras populações de pinguins-de-barbicha, Boersma recomenda cautela. Não devemos tirar conclusões precipitadas com base em uma única pesquisa. ‘Esse estudo mostra que precisamos acompanhar essas populações mais de perto’, afirma. ‘Os pinguins são nossos guardiões dos oceanos e da terra. Quando suas populações mudam, precisamos prestar atenção.’”
Imagem de abertura: National Geographic
Fontes: https://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN2052H8-OBRWD; https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2020/02/populacao-de-pinguins-de-barbicha-pode-ter-reduzido-em-mais-da-metade-em-ilha-de; https://super.abril.com.br/ciencia/colonias-de-pinguins-na-antartida-vem-caindo-drasticamente-diz-pesquisa/; https://g1.globo.com/natureza/noticia/2020/02/11/mudancas-climaticas-reduzem-populacao-de-pinguins-de-barbicha-em-ate-77percent-na-antartica.ghtml