Marinha chinesa: a potência que avança pelos oceanos
Uma análise do Geopolitical Monitor, atualizada em outubro de 2026, examina a expansão da Marinha chinesa. O país aumenta sua frota, incorpora novas tecnologias e amplia suas operações longe de casa. Ao mesmo tempo, Pequim transforma recifes em ilhas artificiais no Mar do Sul da China, com pistas de pouso, radares e instalações militares. São duas frentes de uma estratégia que amplia o poder chinês nos mares.

Essa ambição tem antecedentes. No século XV, o Almirante Zheng He fez da China uma potência marítima. Quase seis séculos depois, o país volta a disputar protagonismo nos oceanos. Agora, combina a força de seus estaleiros com uma presença militar cada vez maior no mar.
China supera marinha americana em número de navios
Segundo o Geopolitical Monitor, a Marinha chinesa já supera a americana em número de navios. O relatório do Pentágono de 2024 apontava mais de 370 navios e submarinos na frota chinesa. Já a Marinha americana informou uma frota de 291 navios de combate e apoio em maio de 2026.
A mesma fonte afirmou ainda que um relatório vazado da Marinha dos EUA aponta que a China tem uma capacidade de construção naval 232 vezes maior que a americana. Essa comparação inclui navios comerciais, não apenas militares. O dado revela a dimensão da indústria que sustenta a expansão marítima chinesa.
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Fandango caiçara: a cultura que ainda resiste no litoral brasileiroIlha dos Lençóis e o reino encantado de Dom SebastiãoEnergia eólica no Nordeste: exemplo de expansão mal planejadaPorém, ter mais navios não significa dominar os oceanos. O porte das embarcações, os armamentos e a preparação das tripulações também contam. Além disso, os Estados Unidos dispõem de uma rede mundial de bases e aliados para sustentar operações longe de casa. A China ainda tem uma estrutura de apoio mais limitada.
O crescimento da Marinha chinesa integra uma estratégia muito maior. Além de construir navios de guerra e bases em ilhas artificiais, o país testa rotas pelo Ártico para ligar a China à Europa. Ao mesmo tempo, ocupa uma posição de destaque na economia dos oceanos. Sua expansão também inclui a pesca distante de suas costas, com denúncias de pilhagem dos recursos pesqueiros. Portanto, a frota militar representa apenas uma face de uma presença que combina força naval, comércio, navegação e exploração dos recursos marinhos.
Porta-aviões ampliam o alcance chinês
A China já opera três porta-aviões: Liaoning, Shandong e Fujian. O último entrou em serviço em novembro de 2025 e trouxe um avanço importante: catapultas eletromagnéticas. Elas permitem lançar aeronaves mais pesadas, com mais combustível e armamentos.
Além disso, um quarto porta-aviões está em construção. Uma análise do CSIS, de maio de 2026, aponta indícios de propulsão nuclear, embora Pequim ainda não tenha confirmado essa característica. Isso permitiria viagens mais longas sem reabastecimento.
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A marinha chinesa também investe em submarinos. Em depoimento de março de 2026, o chefe da inteligência naval americana, Mike Brookes, informou que o país opera mais de 60 unidades. Segundo ele, a China mais que dobrou sua capacidade de produção. Além disso, desenvolve modelos mais silenciosos, sensores e veículos submarinos sem tripulação.
Mas a China não está só. A Rússia desenvolve o Poseidon, um drone submarino com propulsão nuclear e capacidade de transportar uma ogiva nuclear. Submarinos especiais devem lançar essa arma. Enquanto isso, do outro lado do oceano, o megalômano presidente norte-americano propõe uma nova classe de navios nucleares: a classe Trump. A proposta causa perplexidade entre especialistas.
Drones ucranianos mudam a guerra no Mar Negro
Enquanto a marinha chinesa amplia sua frota, a Ucrânia mostra como uma força muito menor pode desafiar navios poderosos. Segundo H I Sutton, em análise do RUSI, os drones marítimos tiveram papel fundamental nessa mudança. Junto com os mísseis, restringiram as operações russas e levaram grandes navios a buscar abrigo em portos mais distantes. O caçador passou a enfrentar a condição de presa.
Mas há mais. Em artigo publicado pelo U.S. Naval Institute, o pesquisador Dmitry Gorenburg destaca que a Rússia perdeu o controle incontestado do Mar Negro. Assim, a Ucrânia demonstrou que ameaçar uma frota pode ser tão importante quanto afundar seus navios. A possibilidade de ataque já limita movimentos e exige recursos para defesa.
A mudança já mobiliza outras marinhas. Em 2026, militares ucranianos compartilharam com representantes da Otan as táticas que ajudaram a conter a frota russa. Para as grandes potências, o desafio agora inclui incorporar essas tecnologias e proteger seus navios contra elas.
De qualquer modo, o poder marítimo continua no centro da disputa mundial. Desde tempos remotos, controlar rotas de navegação significa exercer influência sobre o comércio, os recursos e outros países. As armas mudam, mas essa lógica permanece. Quem domina os oceanos tem nas mãos uma das principais chaves do poder mundial. A China compreendeu isso e trabalha para ampliar seu alcance.