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Estudo sugere proteção integral no mar do Sudeste

Estudo sugere proteção integral no mar do Sudeste

Um grupo de pesquisadores publicou estudo na Marine Pollution Bulletin mostrando que, apesar de o Brasil ter criado quatro grandes áreas marinhas protegidas durante o governo de Michel Temer, a qualidade da proteção deixa a desejar. Os autores lembram que o instrumento mais eficaz para proteger a vida marinha é a criação de unidades de conservação de proteção integral, onde não ocorre qualquer tipo de extração. O estudo levanta, no entanto, uma questão: as áreas marinhas protegidas estão sendo criadas onde deveriam, isto é, nos criatórios mais importantes?

Mar do Rio de Janeiro
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Estudo com duas espécie-chave: baleia de bryde e golfinho nariz de garrafa

O grupo é formado por três professores brasileiros, Guilherme Maricato e Rodrigo Tardin, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maria Alice S. Alves, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e Clinton N. Jenkins, Universidade Internacional da Flórida.

Em 2024, os pesquisadores integraram um esforço global para avaliar a eficácia das áreas marinhas protegidas. Os resultados mostram que a maioria das áreas designadas pelo Brasil ainda permite atividades incompatíveis com a conservação da biodiversidade.

Para situar o leitor, a lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação prevê dois tipos de unidades: as de proteção integral e as de uso sustentável. Como este site lembra há anos, a maioria das unidades do bioma marinho no Brasil permite uso sustentável. Além disso, o número dessas áreas fica abaixo do que defendem a academia e os ambientalistas.

Para investigar a rede de proteção à vida marinha, os pesquisadores escolheram duas espécies-chave: a baleia-de-Bryde, não migratória, e o golfinho-nariz-de-garrafa, presente em águas costeiras e oceânicas do mundo todo. A escolha recaiu sobre essas espécies porque elas permanecem nas mesmas áreas ao longo do ano e ficam expostas de forma contínua às atividades humanas prejudiciais.

‘A notícia infelizmente não é boa: nossas descobertas mostram que as áreas críticas para a sobrevivência dessas espécies também são as mais ameaçadas.’

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A maioria das áreas marinhas protegidas no Sudeste do Brasil fica na zona costeira, inclusive as mais eficazes. Elas não cobrem os habitats adequados da baleia-de-Bryde e do golfinho-nariz-de-garrafa, espécies mais afetadas pela exploração de petróleo e gás.

As preferências das baleias e golfinhos

Os pesquisadores mapearam os habitats preferenciais da baleia-de-Bryde e do golfinho-nariz-de-garrafa no Sudeste do Brasil. Eles cruzaram milhares de registros de ocorrência com dados ambientais. A análise considerou temperatura da água, profundidade e oferta de alimento. Os resultados indicaram que os habitats mais adequados ficam na plataforma continental do Sudeste, em águas rasas e ricas em nutrientes.

Em seguida, os autores compararam esses mapas com a localização das unidades de conservação. A maioria das áreas protegidas do Brasil fica restrita à zona costeira. Elas não cobrem os habitats críticos dessas espécies. Esses mesmos locais concentram intensa atividade humana, como exploração de petróleo, rotas de navegação e portos.

Os autores defendem que simples criação de áreas protegidas não basta: é essencial que essas áreas estejam localizadas onde as espécies realmente precisam de proteção, e que medidas de manejo reduzam conflitos entre conservação e atividades humanas, como colisões com navios, ruído de exploração de petróleo e pesca que causa enredamento.

Como se vê, além de poucas, as UCs do bioma marinho estão mal distribuídas na costa brasileira e, para piorar, não há a menor indicação de que Marina Silva pretenda agir depois de três anos de governo. Ao contrário, Marina segue muda quanto ao mar e ao litoral do Brasil, nem mesmo a COP30 conseguiu mudar esta situação de abandono.

‘Simplesmente criar áreas marinhas protegidas não é suficiente’

A frase está entre aspas porque consta do trabalho que estamos comentando. Para o grupo de professores, ‘nossas descobertas servem como um aviso crítico: simplesmente criar áreas marinhas protegidas não é suficiente. Eles devem ser colocados nos locais certos, protegendo espécies onde são mais vulneráveis. Temos demonstrado que há uma necessidade urgente de repensar as estratégias de conservação no Brasil’.

Para nós é sempre um alento perceber que não estamos sozinhos em nossas críticas quanto ao abandono do litoral e mar brasileiros. Mas não passa disso, um alento. Em 2026 teremos eleições presidenciais e mais uma vez, não há qualquer esperança de mudança desta situação de abandono. Em outras palavras, ganhe quem ganhar, o mar e o litoral do Brasil sairão perdendo como sempre. É inacreditável o descaso com o litoral.

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