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Degelo do permafrost contamina os rios do Ártico

Degelo do permafrost contamina os rios do Ártico

Comunidades e cientistas do norte do Alasca observam uma mudança alarmante. Rios e córregos antes límpidos agora exibem um tom laranja intenso. O problema nasce no subsolo. O degelo do permafrost (solo congelado) expõe depósitos minerais antigos. Esses minerais liberam metais que contaminam a água e ameaçam os ecossistemas. Não é segredo que o Ártico está esquentando ao dobro da taxa média do resto do planeta. As geleiras do Alasca, por exemplo, perdem cerca de 19 mil litros de água por segundo, segundo estudos! Agora, os efeitos do aquecimento começam a pressionar os rios da região.

Rios do Alasca contaminados pelo degelo do permafrost
Imagem: Josh Koch, U.S. Geological Survey.

O degelo do solo congelado

O degelo do permafrost, solo que permaneceu congelado por milhares de anos, retém matéria orgânica e minerais. Como o Ártico está aquecendo quase quatro vezes mais rápido do que a média global, esse solo congelado está começando a derreter.

Em algumas partes do Alasca, o processo está expondo rochas ricas em sulfeto, como a pirita. Quando a rocha interage com o oxigênio e a água, ela oxida e libera ácido sulfúrico.

Esse escoamento ácido lixivia metais pesados como ferro, zinco, cádmio e alumínio para os rios. O ferro, em particular, é responsável pela dramática descoloração alaranjada agora observada em dezenas de riachos e afluentes. Lixiviar metais pesados significa algo simples. A água age como um solvente natural. Ela atravessa o solo e as rochas. Nesse caminho, dissolve metais como ferro, zinco, cádmio e alumínio. Depois, carrega esses metais para rios e córregos.

As dramáticas consequências ecológicas

Segundo o Portal do Ártico, entre as dramáticas consequências ecológicas estão a redução dos níveis de pH, tornando os rios mais ácidos. Esse processo prejudica toda as populações de peixes, corroendo as guelras e perturbando os habitats de desova. Mas não é só. A contaminação dos corpos d’água altera toda a cadeia alimentar aquática, afetando insetos, plantas e animais que dependem dessas águas. Trata-se de um efeito em cascata que tende a piorar e sem data para parar. Os cientistas alertam que o salmão, uma espécie fundamental para os ecossistemas e comunidades do Alasca, está particularmente em risco.

O Portal do Ártico revela que embora o degelo do permafrost seja atualmente mais visível no Alasca, o fator subjacente, o derretimento do permafrost, é generalizado em todo o Ártico, incluindo a Sibéria, o Canadá e partes da Groenlândia. À medida que o derretimento se acelera, transformações químicas semelhantes podem surgir em outras regiões ricas em permafrost.

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Os cientistas estão agora mapeando as bacias hidrográficas afetadas e analisando a química dos rios manchados de laranja para entender melhor até que ponto o problema pode se espalhar. Alguns temem que, uma vez que o permafrost se desestabilize, seja quase impossível impedir uma contaminação ainda maior.

Temperaturas recordes e chuvas no Ártico

Segundo o New York Times, as temperaturas recordes e chuvas no Ártico no ano passado aceleraram o degelo do permafrost e lavaram minerais tóxicos em mais de 200 rios no norte do Alasca. O relatório, compilado por dezenas de cientistas e coordenado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, documentou mudanças ambientais rápidas da Noruega na Ilha Svalbard para a camada de gelo da Groenlândia e a tundra (bioma de vegetação rasteira) do norte do Canadá e do Alasca.

A NOAA vem monitorando mudanças na região do Ártico há 20 anos. Durante o período de estudo deste ano, houve uma quantidade recorde de precipitação, tanto de neve quanto de chuva, em média em toda a região.

Temperaturas do ar no Ártico aqueceram quase três vezes mais rápido

“Desde 1980, as temperaturas anuais do ar no Ártico aqueceram quase três vezes mais rápido do que o resto do planeta”, disse  Matthew Druckenmiller, cientista sênior do National Snow and Ice Data Center em Boulder, Colorado, e principal autor do relatório,. Ele disse que o aquecimento está alterando a quantidade de chuva e neve no Ártico, que afeta a pesca, a vida selvagem e as pessoas que vivem lá.

O jornal diz  ainda que o fenômeno preocupante foi observado pela primeira vez em 2019 em vários rios, e agora foi visto em mais de 200 bacias hidrográficas ao norte das montanhas Brooks Range, no Alasca, de acordo com Joshua Koch, hidrólogo pesquisador do Serviço Geológico dos Estados Unidos em Anchorage.

Durante uma pesquisa terrestre em 2024 no Parque Nacional Kobuk Valley, os pesquisadores descobriram que a água do rio Akillik mudou rapidamente de clara para laranja no verão, matando todos os peixes e vida aquática, de acordo com o relatório.

O New York Times alerta que, se o fenômeno dos rios contaminados se espalhar para bacias hidrográficas maiores, como o rio Yukon, isso pode ameaçar a indústria de salmão de US$ 541 milhões do Alasca. O salmão é sensível a produtos químicos na água, de acordo com Nicole Kimball, vice-presidente de operações do Alasca na Pacific Seafood Processors Association.

Se isso acontecer será um desastre, provavelmente sem volta, uma vez que a criação do salmão já está ameaçada devido a parasitas de piolhos marinhos.

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