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Praias de SC tornam-se paraíso das engordas e da diarreia

Praias de SC tornam-se paraíso das engordas e da diarreia

Já publicamos dezenas de posts sobre os maus-tratos sistemáticos às praias de SC. O poder público lidera esse processo. O litoral do Estado enfrenta um surto contínuo de especulação imobiliária. Prefeituras e governo estadual toleram esse avanço. Em muitos casos, estimulam.

A ocupação segue desordenada e superadensada. Enquanto isso, prefeitos cuidam dos próprios interesses. Alguns chegam a surrupiar os cofres públicos, como ocorreu em Garopaba. Não foi um caso isolado.

Quando a erosão se instala, após o extermínio dos ecossistemas associados às praias, o poder público reage mal. Parte para engordas caríssimas. Especialistas da Universidade Federal de Santa Catarina criticam essas obras há anos. Os fatos confirmam o alerta. As engordas intensificam a erosão. Os sucessivos naufrágios de praias aterradas provam.

Enquanto isso, o Estado abandona funções básicas. O saneamento básico não avança. Outros serviços essenciais também não. O resultado salta aos olhos. As praias de SC viraram o paraíso das engordas e da diarreia neste verão, já são 21 mil casos de diarreia neste ano que mal começou.

‘Paraíso de SC tem explosão de 353% de casos de diarreia’

O título segue entre aspas porque foi tirado de matéria do Portal Plural Oficial em comentário sobre Bombinhas.

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‘Em plena alta temporada de verão no litoral catarinense, Bombinhas (SC) registrou um aumento expressivo nos casos de doenças diarreicas agudas, acendendo um alerta entre as autoridades de saúde. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, foram notificados 409 casos entre 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, o que representa um crescimento de mais de 350% em comparação com o mesmo período da temporada anterior, quando foram registrados 87 casos’.

Antes fosse exclusividade de Bombinhas. Não é. O custo da má gestão se espalha por todo o Estado. Um levantamento do Instituto Trata Brasil  escancara o problema. A entidade é referência em saneamento básico. Santa Catarina tem quase 8 milhões de habitantes. Contudo, o Estado ainda falha em garantir serviços essenciais.

Dados do SINISA, ano-base 2023, confirmam o atraso. Apenas 89,6% da população recebe água potável. Só 34% contam com coleta de esgoto. O índice de tratamento é ainda pior. Apenas 30,6% do esgoto gerado recebe tratamento adequado.

Isso mostra o despreparo dos governantes. O turismo de praia é o principal motor econômico do verão em Santa Catarina, atraindo milhões de visitantes e movimentando setores como hotelaria, gastronomia e mercado imobiliário. Em 2025, o estado registrou um salto de 50% na visitação estrangeira, superando 740 mil turistas. Manchete do g1 confirma ambas as informações: “Paraíso de SC que cobra até R$ 200 para entrada de turistas tem alta de 370% nos casos de diarreia”.

Doença Diarreica Aguda (DDA)

Segundo o canal Dia 1 Brasil, ‘SC soma 10.649 casos de Doença Diarreica Aguda (DDA) em 2026, segundo o Ministério da Saúde (até 15.jan). A maior concentração está no litoral, em plena alta temporada’.

Por outro lado, em 21 de janeiro o ND Mais noticiava: “Casos de diarreia em SC passam de 10 mil e acendem alerta: o que fazer”. O corpo do texto revelou que ‘em Santa Catarina, 269 municípios já registraram ao menos um caso de DDA, o que representa 91,18% do estado.

Itajaí, seguida por Floripa, lidera a pandemia nas praias de SC

O canal Sou Enfermagem informa que ‘as cidades catarinenses com o maior número de casos de DDA são: Itajaí (2.436 casos), Florianópolis (1.420), Chapecó (1.256), Balneário Camboriú (1.099), Brusque (946) entre outros municípios com números expressivos de registros. A DDA é uma das principais causas de atendimento ambulatorial no verão em regiões com grande fluxo turístico’.

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Como se vê, nem a capital escapa do flagelo. Isso não surpreende. A Câmara Municipal de Florianópolis parece mais empenhada em facilitar a especulação do que em cobrar saneamento básico.

Em setembro de 2025, os vereadores deram um passo grave. Aprovaram um relatório preliminar. O texto recomendava extinguir todas as Unidades de Conservação criadas por decreto. São 11 ao todo. Também propunha uma “revisão legislativa” das demais. Além disso, defendia a abertura de editais para que moradores opinassem sobre a manutenção das áreas protegidas. Na prática, abriu caminho para os especuladores. São eles que decepam manguezais e restingas. São eles que aplainam dunas para erguer espigões.

Felizmente, em dezembro do mesmo ano, surgiu um freio. O Ministério Público de Santa Catarina interveio. Mais uma vez, o MP mostrou-se o único braço do poder disposto a enfrentar os especuladores e tentar barrar a farra do boi.

A doença diarreica aguda tem encontro marcado em todos os verões nas praias de SC com os turistas que as frequentam. O litoral de Santa Catarina é de uma beleza natural sem igual mas, infelizmente, o poder público cismou que tem a obrigação de destruir.

Saiba mais sobre os 21 mil casos de diarreia nas praias de SC 

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