Oceano supera recorde de calor e amplia riscos globais
Uma nova análise internacional publicada na revista científica Advances in Atmospheric Sciences revelou um alerta grave. O excesso de calor nos oceanos em 2025 traz consequências perigosas.

O aquecimento intensifica tempestades tropicais. Ele acelera a elevação do nível do mar, impulsionada pela expansão térmica e pelo derretimento do gelo. O calor nos oceanos também aumenta a frequência e a intensidade das ondas de calor marinhas. Esse processo causa branqueamento em massa dos corais e afeta a pesca.
O estudo aponta ainda a formação de zonas mortas, sem oxigênio. Esses ambientes remodelam ecossistemas marinhos e ameaçam comunidades costeiras em todo o planeta.
Em outras palavras, colocamos o coração do planeta na UTI por mau uso.
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Ernest Shackleton: a biografia de um herói cheio de falhasPorto Brasil Sul ameaça hotspot da Baía da BabitongaElevação do nível do mar pode explicar crise no litoral brasileiro‘Aumento de calor do oceano em 2025 chegou a 23 zettajoules’
O estudo reuniu mais de 50 cientistas de 31 instituições de pesquisas de todo o mundo. Os autores mostram que o aumento de calor do oceano em 2025 chegou a 23 zettajoules. Um zettajoule equivale a um joule seguido de 21 zeros.
A CNN Portugal explicou a dimensão do número. Segundo a emissora, 23 zettajoules equivalem a cerca de 37 anos de consumo global de energia primária. A comparação usa como base o consumo energético de 2023.
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A informação consta de um comunicado do Instituto de Física Atmosférica, ligado à Academia Chinesa de Ciências. O texto cita o autor correspondente do estudo, Lijing Cheng.
Por mau uso colocamos o coração do planeta na UTI
Em 2025, cerca de 16% da área oceânica global atingiu um CCO recorde e à volta de 33% ficou entre os três valores mais elevados alguma vez registrados, estando incluídas nas áreas com maior aquecimento as zonas tropicais do Atlântico Sul e do Pacífico Norte e o Oceano Antártico.
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Ressacas no litoral brasileiro: o custo invisível que ninguém calculaAlgas escuras aceleram derretimento da calota da GroenlândiaDanos aos oceanos duplicam custo do carbonoEm relação à temperatura média anual global da superfície do mar (TSM), a atingida em 2025 foi a terceira mais quente alguma vez registrada por instrumentos e manteve-se cerca de 0,5 graus Celsius (°C) acima da média de referência de 1981-2010.
As temperaturas da superfície do mar afetam os padrões climáticos em todo o mundo. As mais quentes “favorecem o aumento da evaporação e chuvas mais intensas, causando assim ciclones tropicais mais fortes e outros fenómenos climáticos extremos”.
Acontece um efeito cascata de proporções épicas, como revela a CNN Portugal: A subida da temperatura dos oceanos “impulsiona a subida do nível do mar, (…) fortalece e prolonga as ondas de calor e intensifica os fenômenos climáticos extremos, aumentando o calor e a humidade na atmosfera”, que provoca a continuação do crescimento do calor dos oceanos e torna mais prováveis os recordes.
Pobre litoral brasileiro onde impera a ignorância, misturada à arrogância, em meio à falta de ética. Se somarmos a estes problemas, o fenômeno do crescimento mundial do turismo no litoral, então, o futuro da zona costeira brasileira terá em 2026 um tremendo desafio. Os gestores políticos seguem sem valorizar as soluções baseadas na natureza, por serem mais eficazes e muito mais baratas; velhacos, eles preferem as inúteis e caríssimas engordas de praia para lidar com a erosão.
O aquecimento dos oceanos não é uniforme
Segundo o jornal inglês, The Guardian, a quantidade de calor absorvida pelo oceano é colossal, o equivalente a mais de 200 vezes a quantidade total de eletricidade usada pelos seres humanos em todo o mundo.
O aquecimento dos oceanos não é uniforme, com algumas áreas aquecendo mais rápido do que outras. Em 2025, as áreas mais quentes incluíram os oceanos tropical e do Atlântico Sul e do Pacífico Norte, e o Oceano Antártico. Neste último, que envolve a Antártida, os cientistas estão profundamente preocupados com um colapso no gelo marinho de inverno nos últimos anos.
O Atlântico Norte e o Mar Mediterrâneo também estão ficando mais quentes, bem como mais salgados, mais ácidos e menos oxigenados devido à crise climática. Isso está causando “uma mudança de profundo alcance do estado oceânico, tornando os ecossistemas oceânicos e a vida que eles suportam mais frágeis”, disseram os pesquisadores.
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Trump e as organizações internacionais
Quase no mesmo dia em que tomamos conhecimento do novo estudo, o site da Casa Branca informa que ‘o Presidente Donald J. Trump assinou um Memorando Presidencial direcionando a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais que não servem mais aos interesses americanos’.
Mais adiante, diz o site: ‘O presidente Trump está acabando com a participação dos EUA em organizações internacionais que minam a independência da América e desperdiçam dólares dos contribuintes em agendas ineficazes ou hostis’.
Quase metade dos 66 órgãos afetados estão relacionados à ONU, incluindo a Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas – um tratado que sustenta todos os esforços internacionais para combater o aquecimento global.
Assim como a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, os EUA também se retiraram do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) – a principal autoridade mundial em ciência climática que reúne os relatórios mais respeitados sobre a ciência do aumento das temperaturas globais, revelou a BBC.
É o começo do fim?