❯❯ Acessar versão original

Metas climáticas dos estados brasileiros ainda são exceção

Metas climáticas dos estados brasileiros ainda são exceção

Em 2021, o Intergovernmental Panel on Climate Change alertou que muitas mudanças no clima são inéditas em milhares de anos e que a elevação do nível do mar é irreversível por séculos. Também destacou que cidades sofrem impactos ampliados: mais calor, mais chuvas extremas e maior risco nas áreas costeiras.

Desde então, os recordes de temperatura se repetiram e o nível do mar continua subindo. Mesmo assim, as metas climáticas dos estados brasileiros ainda avançam lentamente. Quando este tema foi publicado aqui, apenas cinco estados tinham metas formais de redução. Hoje o número aumentou, mas segue restrito: menos de dez adotaram metas claras e quantificadas.

E, aí, pronto para o novo normal? Cobre o governador de seu Estado! Imagem, www.maiorseguros.com.br.

Metas climáticas dos estados brasileiros ainda avançam lentamente

Ninguém pode alegar desconhecimento. Há mais de uma década os alertas se repetem. Mesmo assim, a reação dos governos estaduais continua tímida e desarticulada.

Relatórios do CDP Latin America mostram que muitos estados ainda não incorporam o aquecimento global de forma estruturada em seus planos e orçamentos. Quando este tema foi publicado aqui, apenas cinco tinham metas formais de redução de emissões. Hoje o número aumentou, mas segue limitado: poucos estados adotaram metas claras, quantificadas e alinhadas à gravidade do problema.

E destaque negativo para Estados como Amapá, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, e Mato Grosso do Sul que estão ainda zerados, ou devendo informações.

Estados brasileiros: riscos e vulnerabilidade ainda pouco mapeados

O relatório do CDP Latin America mostra que poucos governos estaduais fizeram análise de vulnerabilidade climática — etapa básica para planejar adaptação. Sem esse diagnóstico, é impossível enfrentar eventos extremos.

Alagamentos, secas extremas, erosão no litoral, pessoas desalojadas, o ‘novo normal’. Imagem, Divulgação.

Os riscos variam. Nos estados costeiros, a elevação do nível do mar e a erosão — já presente em cerca de 60% do litoral — tendem a se agravar. Em estados do interior, como Mato Grosso do Sul, os impactos recaem sobre secas prolongadas, ondas de calor e geadas, com reflexos diretos no agronegócio.

PUBLICIDADE

Segundo o levantamento, apenas 7 estados possuíam estudo de vulnerabilidade concluído; 12 estavam elaborando ou pretendiam elaborar; e somente 7 tinham plano de adaptação formalizado.

Um dos poucos destaques positivos foi Alagoas, que utiliza o Monitor de Secas do Nordeste, com mapas mensais que acompanham a evolução da estiagem no curto e no longo prazo.

O quadro melhorou pouco desde então. A maioria dos estados ainda não dispõe de instrumentos técnicos robustos para antecipar impactos e reduzir danos.

Resultado de um evento extremo no Espírito Santo em agosto de 2021. Imagem , Reprodução/TV Gazeta.

No quesito riscos e vulnerabilidade o único Estado com destaque positivo é Alagoas. Segundo o relatório, ‘um exemplo é o estado de Alagoas, onde o monitoramento é feito mensalmente através da ferramenta denominada Monitor de Secas do Nordeste’.

‘Os resultados consolidados são divulgados mensalmente por meio do Mapa do Monitor de Secas, com indicadores que refletem o curto prazo (últimos 3, 4 e 6 meses) e o longo prazo (últimos 12, 18 e 24 meses), indicando a evolução da seca na região’.

Nem com imagens dramáticas como estas todo dia em ‘horário nobre’ nossos políticos não se tocam. Imagem, público.pt.

Emissões e mitigação

O relatório do CDP Latin America apontava que 14 estados tinham inventário de emissões de gases de efeito estufa. Parte deles utilizava dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, ferramenta essencial para orientar políticas públicas.

Na época, 10 estados declararam possuir plano de mitigação e 4 estavam elaborando. Já as metas formais de redução de emissões ficavam restritas a apenas cinco.

De lá para cá houve algum avanço. Mais estados passaram a firmar cooperação técnica com o SEEG para estruturar inventários e políticas climáticas. Ainda assim, o número de metas claras e quantificadas continua baixo. Mesmo hoje, menos de dez estados possuem metas de redução oficialmente estabelecidas.

À época do levantamento, Andreia Banhe, gerente sênior do CDP Latin America, alertou que os dados poderiam estar incompletos devido ao curto prazo para resposta e aos impactos da pandemia nas secretarias estaduais. A justificativa ajuda a entender o cenário de então. O problema é que, passados anos, o ritmo de avanço segue aquém da urgência climática.

Imagem de abertura: www.publico.pt

Fontes: https://6fefcbb86e61af1b2fc4-c70d8ead6ced550b4d987d7c03fcdd1d.ssl.cf3.rackcdn.com/cms/reports/documents/000/005/845/original/CDP-relatorio-governoseclima-FINAL_.pdf?1628892687; https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2021/08/31/dezoito-estados-adotam-politicas-sobre-mudancas-climaticas-mas-apenas-cinco-tem-metas-de-reducao-de-emissoes.ghtml.

Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio é ampliado no Ceará

Sair da versão mobile