Litoral engolido por eventos extremos, e sem políticas

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Litoral engolido por eventos extremos, e nada de políticas públicas para a zona costeira

O aquecimento global e os eventos extremos, uma desforra da natureza para nossas ações insustentáveis, estão comendo os litorais mundo afora. No Brasil não é diferente. ‘Litoral engolido por eventos extremos, e sem políticas públicas’, procura alertar para o fato de que até agora não há qualquer ação governamental para amenizar o problema.

O problema não se resume ao  avanço da erosão em 60% da costa brasileira  ameaçando milhares de pessoas. Os animais marinhos, que já estão em xeque, têm seus mais importantes ecossistemas  nesta faixa sensível onde começa  90% do ciclo de vida.

E ainda tem muito mar pra subir. De 2006 até 2019, o nível do mar aumentou 3,1 mm por ano. Se continuar assim, até 2100 estará quase 1 metro acima do nível atual. E, aí?

Litoral de Santa Catarina. Imagem, (Reprodução: NSC/TV).

Litoral engolido por eventos extremos

Mar invade cidades litorâneas do RN” é a manchete da Tribuna do Norte; O G1 engrossa o caldo, “Mar invade ruas de Galinhos, no litoral norte potiguar”; o Diário do Nordeste vem com “Avanço do mar preocupa moradores e afeta economia de Icapuí”.

Engana-se quem pensa que o problema se resume ao Nordeste. “Avanço do mar em Florianópolis e região”; já, o site https://www.nsctotal.com.br/  põe o dedo na ferida, “O aquecimento global e a elevação do mar; cidades de SC podem ter problemas.” Enquanto isso, em Brasília…

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imagem de praia erodida em Navegantes, SC
Navegantes, SC. Imagem, www.navegantes.sc.gov.

Prejuízos dos eventos extremos: de R$ 180 bilhões, a R$ 335 bilhões

Este site já fez inúmeras matérias, há muitos anos, alertando para o problema que, para evitar polarização, reiteramos não ter sido criado pela atual administração.

imagem do aterro Beira Mar, Fortaleza
Parte do novo aterro da Beira-Mar, cuja área está isolada, também foi afetada pelas chuvas, causando acúmulo de água. — Foto: Thiago Gadelha/SVM.

Estudos da academia procuram precificar os desastres naturais. Um deles, ‘Valorando tempestades-Custo econômico dos eventos climáticos extremos no Brasil nos anos de 2002- 2012‘, produzido pelo Instituto de Economia da UFRJ, com base no cruzamento de dados do ‘Atlas Brasileiro de Desastres Naturais‘  com uma estimativa média para o Brasil de custo econômico por pessoa afetada diz que,

Há danos ou custos diretos à infraestrutura social e econômica e à produção, a interrupção de serviços essenciais e também efeitos secundários macroeconômicos.

Segundo CEPED (2013), 35% dos desastres climáticos registrados no Brasil no período de 1991 a 2012 foram diretamente relacionados com a ocorrência de fortes precipitações.

Os resultados para a perda total no período 2002-2012 oscilam entre R$ 180 bilhões (estimativa usando o coeficiente R$/Desabrigado), R$ 300 bilhões (coeficiente R$/Desalojado) e R$ 355 bilhões (coeficiente R$/Afetado), com valor médio de R$ 278 bilhões.

O problema não se resume só a omissão dos governos

A erosão no litoral é fator natural e conhecido. Mas acirrado na zona costeira pelo mau uso por parte de cidadãos incautos e egoístas (além do aquecimento).

Veja-se acima, os custos desta omissão. São bilhões de reais que já estão contribuindo para secar os cofres públicos. Não seria o caso de chamar quem de direito, especialistas da academia que passam a vida estudando estes problemas, e dar-lhes voz?

O problema é mais grave no País porque, conforme publicou o IBGE, ‘o Brasil é povoado no litoral e vazio no interior’.

erosão em Nova Almeida
Nova Almeida, Espírito Santo. Imagem, suado Alves.

Litoral brasileiro ao deus-dará

Este tem sido nosso mantra desde a primeira viagem pela costa brasileira, entre 2005-2007. De lá pra cá, logramos algumas vitórias.

O plástico no mar, que até certo tempo só era mencionado pelo Mar Sem Fim, finalmente ganhou as manchetes dos jornais e TVs.

A imprensa acordou, e hoje já há até estudantes brasucas ganhando prêmios em concursos da Nasa com propostas para mitigar o problema.

imagem de casa detruída a beira-mar
praia de Icapuí, Ceará, Imagem,NATINHO RODRIGUES.

Algumas questões relacionadas

Como já dissemos, o problema não se resume apenas à falta de políticas públicas para o menosprezado litoral. Há uma terrível e generalizada falta de educação.

imagem de mar engolindo litoral em Galinhos, Rio Grande do Norte
Em breve Galinhos, RN, sairá do mapa? Imagem, http://www.tribunadonorte.com.br/.

Para culminar, tanto no Palácio do Planalto, como no MMA, há uma descabida ojeriza à ciência e tecnologia.

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No Planalto, a birra é contra a ciência. O triste episódio da demissão do cientista Ricardo Galvão, do INPE, é apenas mais uma prova. Enquanto isso, o litoral desmorona.

Atafona, no norte fluminense; Caiçara do Norte, no Rio Grande do Norte; Balneário do Hermenegildo, no sul, e assim, por diante, todas são cidades tragadas pelos mar.

O Brasil terá mais uma despesa enorme que poderia ser minimizada se houvesse humildade dos atuais caciques políticos.

Imagem de abertura: Reprodução: NSC/TV)

Fontes: https://www.opovo.com.br/noticias/fortaleza/2019/10/02/secretario-defende-engorda-de-orla-na-beira-mar—estamos-jogando-areia-em-cima-de-areia.html; http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/mar-invade-cidades-litora-neas-do-rn/461036; https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2019/10/02/mar-invade-ruas-de-galinhos-no-litoral-norte-potiguar.ghtml; https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019100214590156-nivel-do-mar-em-crescimento-que-regioes-serao-as-mais-afetadas/; https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/regiao/avanco-do-mar-preocupa-moradores-e-afeta-economia-de-icapui-1.2161238; https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/metro/online/apos-estudo-tecnico-obras-de-aterros-na-beira-mar-e-praia-de-iracema-sao-liberadas-1.2159180; https://www.portaltemponovo.com.br/abaixo-assinado-e-promessa-de-protesto-contra-engorda-de-praia-na-serra/; https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/11/09/obra-de-ampliacao-da-faixa-de-areia-de-praia-em-fortaleza-e-questionada-por-ambientalistas.ghtml; https://www.nsctotal.com.br/colunistas/puchalski/o-aquecimento-global-e-a-elevacao-do-mar-cidades-de-sc-podem-ter-problemas; http://www.navegantes.sc.gov.br/noticia/14116/obras-vai-recuperar-passarelas-destrudas-parcialmente-pela-ao-do-mar-no-fim-de-semana.

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Comentários

14 COMENTÁRIOS

  1. As sucessivas políticas de governos que a sua maior meta é sempre a reeleição sem priorizar as coisas que possam minimizar o “sufoco” do dia- a -dia do povo que, ele que paga a conta mas, não recebe nada em troca. Esta situação caótica que há alguns anos acontece no nosso litoral, parece não incomodar as esferas políticas que comandam o país a seu bel prazer, esquecendo-se que existe uma ética que raramente é seguida, o que mais vemos é eles se beneficiarem de falcatruas e roubalheiras que culmina com a destruição da nação que está em processo de tomar as suas próprias decisões, já que o poder público não está nem aí. A reportagem que é mostrada pelo site é uma sequência de descaso definida no comentário acima, parabéns pela insistência e coragem, abraços.

  2. Costuma ser bem mais crítico nos pontos em que os rios desaguam no mar. Além da erosão da costa, que é severa em todo País, o mar também está avançando rio adentro, salinizando a água e obrigando que a captação seja feita por poço ou em pontos bem mais distantes, no rio.

  3. A situaçao do litoral nordestino está muito pior que a do sul, principalmente RN e CE, ate a capital Fortaleza e a bela Pecem perderam muito das suas praias, entre muitos, toda desabada ate as ruas e casas. Mas nosso governate pouco liga para o aquecimento global e derretimento dos polos e subidas f
    Dos mares com seus ruralistas nos desmatamentos e queimadas. Nao se entende do porque o mundo nao embarga exportaçoes desses ruralistas.

  4. Enquanto isso, os loteamentos clandestinos se multiplicam, em Ilha Bela, na faixa de areia proibida para construções. Vereadores não tão nem aí. Apenas dizem que não podem fazer nada……

  5. Ver o documentário “A Guerra da Areia” é muito esclarecedor, mostra o impacto de se construir imoveis na beirada do mar, que leva a erosão das praias, a utilização desenfreada de areia na construção civil, e as dragagens de terra que só espalham o problema para outros lugares.

    • Parabéns por seu grau de informações. Agradeço pelo compartilhamento da informação sobre o documentário. Enquanto nossa atenção é desviada para as banalidades, o Mal está bem ativo, como sempre. Gostei da ideia da praia como um ser inteligente. Um conceito fractal da Hipótese de Gaia, um ser vivo de dimensões planetárias, constituído pela agregação de entidades vivas e crescimento por auto-semelhança . Obrigado.

  6. Se o nível do mar está subindo, imagino que não há como impedir, pois o mar é uma força da natureza; onde der ora cercar, tudo bem. Quanto aos moradores que se debruçaram sobre o mar, que me desculpem, vão perder sua propriedade, já que não conseguiram prever o problema. Já o papel do Governo nesses casos é discutível, sempre haverá polêmica, e não acredito em indenizações aos prejudicados.

  7. Política pública para área costeira é construir até onde não der para cobrar IPTU e “valorizar” o município. Se der problema, ótimo. Mais obras para político aparecer na propaganda e desviar recursos. Meu caro o problema é o governo, mais governo NUNCA será a solução para os problemas que o sistema de governo gera.

  8. “e nada de políticas públicas para a zona costeira”

    João Lara Mesquita você é sonhador! Acaso temos GOVERNOS??? Temos idiotas que pelas ignorâncias de eleitores se instalam nas mamatas pagas pelos contribuintes que recebem ZERO em retornos. Acaso temos SAÚDE, SEGURANÇA???? E nem vou bater em EDUCAÇÃO. Você reparou que o CORONAVÍRUS até trouxe coisas positivas afinal os enfadonhos programas de TVs não noticiam mais assassinatos, latrocínios, estupros, pedofilias etc, etc e etc. São apenas 30 horas/dia de coronavírus e nada mais.

  9. O Estado brasileiro é pensado para dar mordomia para os amigos do Poder, a estrutura toda converge para manter privilégios dos grupos que dominam não para melhorar a qualidade de vida do povo que financia o sistema. Quando o dono de uma empreiteira precisa de dinheiro o governo inventa uma obra pra ele. “Povo trabalha para pagar a conta e os senhores do engenho vivem para desfrutar”.

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