Herança da Coca-Cola é obscena: 600.000 t de resíduos plásticos anuais nos oceanos
A Oceana divulgou novo relatório prevendo que, até 2030, o consumo de plástico pela Coca-Cola Company poderá ultrapassar 9,1 bilhões de libras ou 4,1 milhões de toneladas métricas. Isso, caso a empresa não altere suas atuais práticas. Esse volume representa um crescimento de quase 40% em comparação com os níveis registrados em 2018 e 20% a mais do que o total estimado em 2023. Esta quantidade é suficiente para dar mais de 100 voltas ao redor do planeta. A herança da Coca-Cola para as futuras gerações será esta obscenidade. E não se engane, leitor, não foi por falta de alertas e avisos.

Em 2018 empresa já era uma das maiores poluidoras dos oceanos
Desde que os oceanos entraram em modo de alerta vermelho, em razão da imensa poluição, e dos maus tratos infligidos pelo aquecimento global, sabe-se que a Coca-Cola está entre as maiores poluidoras dos mares.

Em 2018, publicamos o artigo Coca-Cola, Pepsi, Nestlé, maiores poluidoras dos oceanos?. Nele, destacávamos o papel dessas três gigantes como as principais responsáveis pela poluição por resíduos plásticos. A denúncia veio em relatório do Greenpeace em parceria com a iniciativa Break Free from Plastic, divulgado em 9 de outubro daquele ano.
Quase uma década se passou desde os primeiros alertas, e as empresas continuam inertes. Contudo, o que não lhes falta são recursos mais do que suficientes para reverem suas práticas.
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Um ano depois, em 2019, a Coca-Cola tornava-se bicampeã em poluição marinha.
“Pelo segundo ano consecutivo a organização Break Free From Plastic apontou a Coca-Cola como a maior produtora de resíduos plásticos. O Greenpeace estimou que a marca produziu 3.400 garrafas de plástico por segundo em 2016. Com isso, a herança da Coca-Cola naquele ano foram 110 bilhões de garrafas, um aumento de 1 bilhão de unidades em relação a 2015.
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Herança da Coca-Cola, uma saga porcalhona
O legado da Coca-Cola é, de maneira idêntica, uma saga porcalhona. Recentemente, em 2023, divulgou-se que a marca recebeu, pelo quarto ano consecutivo, o ‘título’ de maior poluidora de plástico do Reino Unido numa auditoria anual da Surfers Against Sewage. Ainda assim, a empresa que detém nada menos que 43,7% do mercado de refrigerantes nos Estados Unidos deixou de agir.
Mais uma vez, a notícia teve ampla repercussão no hemisfério norte. Infelizmente, a imprensa brasileira continua alheia a estas questões. Desse modo, o consumidor nacional sequer fica sabendo.
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Segundo o site da Oceana, o relatório também estima que até US$ 1,3 bilhão de libras (602.000 toneladas métricas) das embalagens plásticas que a Coca-Cola usa anualmente até 2030 entrariam nas vias navegáveis e nos oceanos do mundo se a empresa continuar em seu curso atual. Essa quantidade de plástico pode encher os estômagos de mais de 18 milhões de baleias azuis.
Ironicamente, mostra o site Plastic Pollution, (no passado) ‘a Coca-Cola costumava ser líder no tipo de recarga, tendo em seus primeiros anos como uma empresa criado um sistema de bebidas sem resíduos e um programa de devolução de depósitos que levaram 96% de suas garrafas de vidro a serem reutilizadas’.
Uma garrafa reutilizável impede a produção de até 49 garrafas de uso único
‘A Oceana descobriu que, se a Coca-Cola atingir 26,4% de embalagens reutilizáveis até 2030 (acima dos 10,2% em 2023), a empresa poderia “dobrar sua curva de plástico”. Isso significa reduzir o uso anual abaixo dos níveis atuais. As garrafas reutilizáveis podem ser usadas até 25 vezes se feitas de plástico e até 50 vezes se forem de vidro. Em outras palavras, uma garrafa reutilizável impede a produção e o uso de até 49 garrafas adicionais de uso único’.
‘A Coca-Cola já enfrenta um crescente escrutínio por seu uso de plástico. Um estudo revisado na revista Science descobriu que a empresa foi a poluidora número um de plástico encontrado no meio ambiente’.
‘Infelizmente, a Coca-Cola Company comunicou em dezembro de 2024 que havia descartado sua meta de aumentar as embalagens reutilizáveis para 25% das vendas da empresa’.
Em vez de seus objetivos anteriores, informa o site da ONG, a Coca-Cola anunciou que está focada em aumentar o uso de conteúdo reciclado e na coleta de suas garrafas plásticas descartáveis para reciclagem. A empresa revelou que investiu quase US$ 1 bilhão para comprar plástico reciclado em 2022. E, no entanto, como o relatório da Oceana detalha, a coleta de plástico para reciclagem e, consequentemente, venda de embalagens de uso único com conteúdo de plástico reciclado não reduzirão a pegada total de plástico da empresa.
Alguns números agigante mundial (tb da poluição…)
A Coca-Cola, que atua em cerca de 200 países e territórios, tem um valor de marca no mercado global de US$ 98 bilhões de dólares, segundo a Statistita.
O resultado financeiro deste domínio é mais que evidente. Segundo o site da Coca-cola, comentando os resultados do quarto trimestre de 2024, o volume global do lucro cresceu 2% para o trimestre e 1% para o ano todo. A receita líquida cresceu 6% no trimestre e 3% para o ano. Finalmente, o lucro operacional cresceu 19% para o trimestre mas diminuiu 12% para o ano.
Em outro trecho, o site afirma o seguinte: Buscamos impactar positivamente a vida das pessoas, comunidades e o planeta por meio da reposição de água, reciclagem de embalagens, práticas de fornecimento sustentáveis e reduções de emissões de carbono em toda a nossa cadeia de valor.
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Coca-Cola também pode ser acusada por ‘greenwashing’
Curiosamente, a empresa também pode ser acusada de ‘greenwashing’ (mentira verde) uma vez que seu site apregoa ser uma empresa ‘sustentável’.
Como uma empresa de bebidas total, somos movidos pelo nosso propósito de atualizar o mundo e fazer a diferença. Nosso objetivo é expandir nossos negócios de maneiras que impulsionem mudanças positivas e construam um futuro mais sustentável para o nosso planeta.
Os resíduos de plástico e a saúde humana
De acordo com a Oceana, ‘a Coca-Cola pode enfrentar ainda mais críticas, com o impacto do plástico na saúde humana. Os estudos estão cada vez mais conectando os plásticos e os produtos químicos usados em sua fabricação a problemas de saúde como câncer, infertilidade, doenças cardíacas, autismo e diabetes’.
A pressão sobre a empresa é enorme apesar dela não demonstrar. Ainda assim, há um baixo assinado na rede de computadores, lançado pela Plastic Pollution, que já acumulou um milhão de assinaturas pedindo que a empresa retorne so sistema de refil de garrafas de vidro. Caos queira assinar, clique aqui.
Legar esta herança equivale a um tapa na cara do consumidor. E demonstra uma cara de pau maior que o oceano Pacífico.