Controle da natalidade e o meio ambiente

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Controle da natalidade e o meio ambiente, está na hora do assunto ser mais abordado

Taí um assunto delicado, pouco abordado pela mídia nacional, e no entanto, tão importante. O Controle da natalidade e o meio ambiente. Dada a dificuldade de mitigação dos problemas provocados pelo aquecimento global por outros métodos; de orçamentos, às vezes tão caros que inviabilizam iniciativas ‘geniais’ que sequer conseguem sair do papel, chega o momento de abordar com seriedade um assunto que passa pela cabeça da maioria das pessoas engajadas na causa ambiental, o controle de natalidade. O assunto é polêmico, um dos primeiros notáveis a abordá-lo, o inesquecível Jacques Cousteau, provou enorme polêmica ao fazê-lo, muitos anos atrás. De lá para cá, os problemas aumentaram, e o tema passou a ser mais abordado na mídia internacional. O Mar Sem Fim fez uma curadoria do tema na net. Apresentamos, a seguir, as teses e ideias que nos pareceram mais relevantes.

imagem de4 milhas de estudantes fazendo prova
Controle da natalidade e o meio ambiente. O grande desafio é como lidar com a superpopulação mundial. Imagem: China Stringer Network/Reuters

‘Precisamos de controle de natalidade, não de geoengenharia’

O título acima é de artigo de Lisa Hymas.  Ela é diretora do programa de clima e energia da Media Matters for America, e a matéria foi  publicada por The Guardian, em 2010. Segundo a autora, “a pílula, preservativos e DIUs são algumas das armas mais eficazes – e baratas – que o mundo tem para combater a mudança climática.” Para Lisa,  “estima-se que 200 milhões de mulheres em todo o mundo não tenham acesso a ferramentas de planejamento familiar. Se o fizessem, 52 milhões de gravidezes indesejadas poderiam ser evitadas todos os anos, de acordo com o Instituto Guttmacher.

E como proceder?

Para a autora, não se trata de trabalhos de governos, ‘coerção ou táticas pesadas”. Para ela, “essas abordagens não são apenas eticamente duvidosas. Elas são totalmente desnecessárias. Nós só precisamos dar a todas as mulheres, em todos os lugares, opções contraceptivas para que possam ter o controle básico sobre quantos filhos terão, e quão próximos, – algo que nós, no mundo desenvolvido, temos como garantido. Se o fizéssemos, muitas mulheres escolheriam por conta própria ter menos filhos ou espaçá-los ainda mais. Não só haveria menos corpos novos em nosso planeta já lotado, mas a vida das mulheres e das crianças seria melhorada.”

ilustração de medidas contraceptuais e as mulheres americanas
Controle da natalidade e o meio ambiente. Ilustração: bedsider.org

‘Tecnologias para lutar contra o aquecimento global já existem’

“Estas tecnologias são  a pílula, o preservativo, o DIU. Nós só precisamos espalhá-los por toda parte. Fornecer contracepção às mulheres que não o têm é uma das formas mais eficazes em termos de custo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Cada US $ 7 gasto em planejamento familiar básico nas próximas quatro décadas reduziria as emissões globais de CO2 em mais de uma tonelada métrica. Enquanto isso, a mesma redução das tecnologias de baixo carbono custaria um mínimo de US $ 32 (segundo estudo da London School of Economics, encomendado pelo Optimum Population Trust). E se você comparar a contracepção aos custos potenciais da geoengenharia, a economia potencial será ainda mais massiva.”

Objeções morais aos planos de usar contraceptivos

A BBC, ícone do jornalismo mundial, abordou a mesma questão do Guardian. E levantou sérias objeções morais aos planos de usar contraceptivos para controlar a população. Uma delas é que a causa real da pobreza e dos danos ao meio ambiente, é o consumo excessivo de poucos e que, se as nações ricas deixassem de consumir muito mais do que seu quinhão de recursos, não haveria necessidade de aplicar injustamente o controle populacional para as nações pobres.”

A era do politicamente correto e seus impedimentos

A BBC diz que a implementação de qualquer programa de contracepção em massa teria de enfrentar uma série de ameaças. O ‘Imperialismo econômico” seria uma delas. “Políticas de países ricos que financiam programas anticoncepcionais no terceiro mundo, ou países ricos exigindo a implementação de programas de controle de natalidade em troca de ajuda financeira seriam quase impossíveis de vingarem. O ‘Imperialismo cultural‘ é igualmente problemático. “Levar o controle de natalidade a uma comunidade que o evitou anteriormente mudará inevitavelmente as relações e a dinâmica de poder dentro dessa comunidade. É importante tomar as devidas precauções para minimizar o impacto da contracepção nas culturas em que é introduzida.” Para a BBC, os defensores dos direitos humanos também tenderiam a não aceitar a ideia: “O controle de natalidade em massa interfere no direito de uma pessoa ter tantos filhos quantos desejar.”

imagem de prédios sugerindo a superpopulação
Controle da natalidade e o meio ambiente. A superpopulação põe o mundo em cheque. E agora? Imagem: renanrosa.files.wordpress.com

Ambos têm razão?

O curioso é que, ao Mar Sem Fim parece que ambos têm razão, o Guardian, e a BBC. Como, então, resolver esta grande charada da nossa época? Quem respondeu foi o www.huffpost, com artigo de Jessica Prois,  “Controle de natalidade voluntário é uma solução  para os problemas da mudança climática que ninguém quer falar.”

A superpopulação e seu impacto sobre o meio ambiente

“Na Etiópia, o ativismo ambiental pode parecer um pouco incomum para alguns. Trabalhadores de saúde são vistos indo de porta em porta entregando panfletos sobre a restauração da floresta do país – e eles podem estar distribuindo preservativos enquanto estão lá. O esforço faz parte da iniciativa do Population Health Environment – Ethiopia Consortium (PHE) para mostrar aos moradores a ligação intratável entre a superpopulação e seu impacto sobre o meio ambiente. A nação experimentou o crescimento populacional e o esgotamento da terra causados ​​pela seca. Mas agora está focada nos esforços de reflorestamento, que também inclui o planejamento familiar.”

40% de gravidezes indesejadas por ano

O acesso ao controle de natalidade voluntário – que normalmente significa pílulas, preservativos e DIUs – para reduzir os 40% de gravidezes não intencionais por ano em todo o mundo reduzirá nossa (humana) pegada de carbono. Um número crescente de países está contribuindo com isso para a mudança climática.” Yetnayet Asfaw, vice-presidente de Estratégia e Impacto da EngenderHealth, grupo guarda-chuva da PHE Etiópia declarou ao Huffpost,

Mais pressão populacional está gerando muita carga sobre o meio ambiente – bem como sobre sistemas de saúde, sistemas educacionais e desemprego

De quem é a culpa, afinal?

Se você acha fácil responder a questão, esqueça. “A realidade é que, embora a maior parte do crescimento populacional mundial ocorra em toda a África e na Índia, os níveis de consumo de energia dos países industrializados têm impacto maior sobre o meio ambiente.”

“Um estudo de 2009 do Estado do Oregon descobriu que uma criança nos EUA emite mais de 160 vezes as emissões de carbono do que a de uma criança de Bangladesh. E nos USA, a redução de gravidezes indesejadas pode reduzir as emissões com margens muito maiores do que esforços como a reciclagem, tornando as casas mais eficientes energeticamente e reduzindo as viagens.”

“Então, por que ninguém quer falar sobre o pedágio da população sobre o meio ambiente, pergunta o Huffpost ?

O tema é uma pedreira. Seria dificílimo que um político só, por mais prestígio que tenha, possa abordá-lo sem levar uma chuva de pedras. O site lembra o que rolou com a mulher de Clinton: “Quando políticos e especialistas falam em planejamento familiar voluntário, eles são chamados de “eugenistas” e “nazistas”. Em 2009, a então secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que deveríamos estar ligando a mudança climática à superpopulação. Ela foi rapidamente ‘fritada’ na mídia.”

Comendo pelas bordas

Bem, se não dá pra começar em esquema massivo, que se ‘coma pelas bordas’. “Bradshaw enfatizou o fato de que dar às mulheres escolhas relacionadas à saúde reprodutiva, à educação e à saída da pobreza é fundamental para qualquer solução – a mudança climática ou não.”Dar às mulheres direitos iguais em termos de salário e tratamento geral nos países em desenvolvimento não é algo que já alcançamos. É uma boa maneira de começar.”

E além de dar às mulheres condições de ensino, e saída da pobreza, há outras medidas possíveis: “O foco deve estar em várias estratégias em massa, incluindo soluções de longo prazo, como a remoção de combustíveis fósseis das redes de eletricidade e transporte, e soluções de curto prazo, como a redução do desperdício e do consumo diário.”

Conclusão sobre o controle da natalidade e o meio ambiente

Para o www.huffpostbrasil.com, “Com uma população global atual de cerca de 7,3 bilhões de pessoas, e projeções do fim do século que atingem até 17 bilhões de pessoas, dependendo das taxas de fecundidade, nenhuma solução pode ser rotulada de mágica.”

O Mar Sem Fim em breve voltará ao tema. E para você, qual seria a solução, ou soluções?

Fontes para Controle da natalidade e o meio ambiente: https://www.theguardian.com/environment/2010/apr/06/geoengineering-carbon-emissions; http://www.bbc.co.uk/ethics/contraception/mass_birth_control_1.shtml; https://www.huffpostbrasil.com/entry/birth-control-climate-change_us_565339cde4b0258edb322194.

Ilustração de abertura: berdsider.org.

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29 COMENTÁRIOS

  1. Não há interesse real em preservar nada. Cada geração quer apenas “comer” a maior parte possível dos recursos naturais. Ou alguém vai à peixaria preocupado com a sorte das espécies que lá estão à venda ? Continuamos sendo nômades caçadores e coletores, agora com maior voracidade graças a maquinaria que dispomos. Nossa visão de futuro não vai além da 2a geração de cada um, e, desde tenhamos a certeza de que não faltará comida para nossos filhos e netos, os próximos que virão depois deles não nos interessa. Mais ou menos assim: meu bisavô não tem importância para mim, como eu não tive para ele, que jamais soube da minha existência. Somos, por excelência, o flagelo do planeta.

  2. Realmente, o problema está em controlar a natalidade dos 80% de miseráveis que não estão nos circuitos da economia ocidental, e não os 20% da população que consome centenas de vezes mais que os pobres. O problema não está na alta concentração de recursos e de dinheiro, mas sim e continuar controlando os pobres que não tem benefícios do sistema, mas levam a culpa de todos os problemas, ou das externalidades, para ficar no economiquês. Falar dos danos socioambientais da produção industrial e do agrobusiness, nem pensar! Até porque, questionar a matriz produtiva pode acarretar na queda do financiamento da ilusão preservacionista.
    Malthus prestou um enorme desserviço com a relação ridícula e sem nexo entre a “progressão aritmética” da produção de alimentos e a “progressão geométrica” da sociedade. Pensamento típico de um povo que passou fome durante séculos e só começou a concentrar recursos roubando o resto do mundo (o que seria da “desenvolvida e civilizada” Europa se não fosse a batata!). E essa ideologia continua a nos alienar, já que atualmente produzimos comida suficiente para alimentar uma pessoa com um 1 quilo de grãos todos os dias! Isso porque são cálculos de uma década atrás (e sim, trago fontes: https://www.youtube.com/watch?v=RpaaX96R5u8).
    A distribuição de recursos e a mudança social de dimensão cooperativa e, de fato, sustentável deveria ser o mote para uma mudança de visão e de ação frente às mudanças climáticas. Mudar radicalmente a matriz produtiva e agrícola deveria ser um dos centros da discussão. Debater sobre a necessidade de uma governança global dos recursos naturais, promover a aquisição de tecnologias apropriadas para as pessoas em situação de vulnerabilidade, promover a agroecologia para a produção de alimentos, desenvolver tecnologias de mitigação dos danos socioambientais tais como limpeza do ar e dos oceanos (uma ótima alternativa à produção de armas, por exemplo), reflorestar áreas degradadas por meio de técnicas ecológicas e agroecológicas, etc. etc. Lógico, efetivar novas dinâmicas de ação leva a uma mudança radical no sistema capitalista, ou melhor, o seu fim.
    O grande problema da questão socioambiental tal como é debatida hoje recai em sua instrumentalização pelo capitalismo. Isso leva a um obscurecimento do potencial revolucionário direcionado uma sociedade da abundância, com menos necessidades materiais e mais acesso à dimensão imaterial da vida (artes, esportes, serviços prestados, intelecto).

    • Isso até seria válido se não fosse o fato da ex-Uniao Soviética ter poluído muito, mas muito do seu território e ser uma nação de preocupação 0 (zero com o meio ambiente, direitos humanos e proteção animal, sim eles caçam e dizimam tudo ainda pra vender pele) e a China, desesperada, estar replantando a toque de caixa suas florestas porque todos os seus mananciais estão absolutamente pôtridos. Pra mim, quem se opõe veementemente a controle de natalidade apenas com argumentos redistributivos e blablablas sociais nunca deve ter estudado biologia na vida e deve ter, no mínimo, um mar de cristianismo barato flutuando, ainda que inconsciente, no fundo da “alma” (?).

  3. Estão errados e repetindo o erro de Malthus.
    Por que os alarmistas do aquecimento e eugenistas em geral não defendem uma guerra mundial? Muito mais eficiente que contraceptivos.
    Infelizmente teremos de aguardar o senhor da razão provar que vivemos um delírio coletivo.

  4. Em grande parte a população é acomodada e ignorante, entretanto, os cidadãos cultos desempenham seu papel tendo um controle de natalidade (planejamento familiar). A questão é que somente a população pobre e com pouca informação está se multiplicando indiscriminadamente tendo assim um gigantesco número de pessoas que simplesmente irão ignorar os métodos de controle de natalidade. Não há outra opção! O mundo terá que fazer algo urgente e arbitrário para resolver esse problema. Essa morosidade e esse mimimi sentimental só vão nos levar para o extermínio. É hora de vacinar o gado na marra, ou espalhar alguma droga ou vírus no ar que comprometa ou diminua o poder de fertilidade da população, determinada ou indeterminadamente ou até com antídoto para reversão do efeito caso o cidadão mostre capacidade para sustento da prole e caso o planeta suporte. Vocês leitores, lamento, não estão preparados para essa informação, mas, os chefes de estado sim.

  5. Estamos caminhando para um colapso total da Terra, embora não saibamos se vai ser daqui há 50 anos ou mais de 1 século. A demanda por mais alimentos, água potável, moradia, saúde, transporte, educação sempre irá provocar algum impacto ao nosso combalido planeta.
    Infelizmente isso não será resolvido de forma eficiente, pois não será possível conscientizar pessoas e governos. Outros povos antigos já presenciaram colapsos regionais provocados por mudanças climáticas, aliados ao aumento descontrolado da população. Ou seja, com secas por períodos mais longos, a dificuldade de estocar e conservar alimentos por tempo razoável, além da dificuldade de produção de grãos e proteínas animais. Hoje, graças a aumentos de produtividade (e com o conseqüente dano ao meio ambiente via desmatamentos e expansão agrícola) temos uma oferta boa de alimentos.
    No entanto, os fenômenos climáticos estão aumentando em magnitude e freqüência (trombas d’água, deslizamentos de terra, furacões, tsunamis).
    Alguns desses fenômenos são causados independentemente da ação do homem, outros têm nitidamente o componente humano como causa, ou pelo menos, como acelerador.
    De qualquer forma, é urgente que governos, partidos políticos (se é que seus integrantes têm vontade de resolver alguma coisa), tome atitudes sérias para resolver a questão crescimento demográfico. Nosso planeta tem condições de assimilar mais 7 bilhões de habitantes nos próximos 100 anos? Nossa atmosfera será respirável nas megalópoles? Mesmo no campo, haverá água e comida suficiente para toda essa população?

    • Osvaldo Moreira na Copa de 1970 ou somente 49 anos atrás éramos 90 milhões e até houve a polêmica da música de J. Chaves em que fizeram a adaptação cantando: “Noventa milhões de ladrões, pra frente, Brasil do meu coração….” e hoje decorridos os 49 anos somos algo como 220 milhões então geramos cerca de 2,6 milhões por ano de bebes. Vamos manter as taxas de natalidades de hoje e em mais 50 anos seremos algo como 600 milhões ou 0,6% da população da Índia e metade da China de hoje.
      Eu estou no outono de minha vida e com muita sorte posso esperar mais uns 25 anos pela frente e sabe que é uma delicia ser velho, pois vivenciei o que este Brasil podia oferecer de melhor ainda que comparado a países decentes uma merda e fico a pensar nas crianças que estão nascendo onde terão água de qualidade duvidosa, energia elétrica com apagões constantes, ar poluído, alimentos enriquecidos com todos os tóxicos possíveis e imagináveis, educação de faz de conta, insegurança pública onde mortos sendo velados sofrerão mais violências etc, etc e etc.

  6. Abordo esse assunto direto, mas infelizmente não é levado a sério. Segue texto enviado ao Forum do Estadão em 28/12/18 mas não publicado.
    “Não passo um dia sem ler ou assistir jornais e me interesso muito por matérias ligadas aos problemas econômicos e sociais que afetam diretamente o nosso dia a dia. Acredito que algumas melhoras virão com o novo governo, mas não vejo como combater a desigualdade social e o desemprego sem se abordar estas questões vitais: a natalidade despreparada e a estabilidade familiar. Não tenho visto pesquisas, debates ou reportagens abordando e discutindo vínculos entre os problemas sociais e as citadas questões. Dispensando ideologias e praticando matemática, é fácil concluir que, enquanto a taxa de natalidade dos pobres for maior que a dos ricos, a desigualdade social só aumentará, pois filhos de pobres repartem pobreza e vice-versa. Na Natureza, os mais capacitados reproduzem-se mais, mas entre os humanos, a seleção natural foi convertida em assistencialismo lucrativo praticado mundo afora por máquinas públicas gigantescas, ricas e corruptas. Para as corporações públicas, o cidadão não-dependente do estado só serve para produzir, arrecadar impostos e ser apontado como culpado pela pobreza dos outros. Sua multiplicação implicaria no emagrecimento da máquina atravessadora. Portanto, é mais interessante que o cidadão se mantenha carente, ignorante e dependente. Afinal, este assistido, iludido e agradecido cidadão, não percebe que consome o que o rico produz e que por isso, acaba pagando a maior parte da carga tributária. Ele precisa entender também que ao gerar um filho que não pode criar, ele estará alimentando durante anos a máquina atravessadora que em nome do necessitado arrecadará 10 para distribuir 1 e colocar 9 no bolso. É por isso que aos governantes, políticos, religiosos, movimentos sociais, ongs, etc, não interessa esclarecer e ajudar a mulher carente a se precaver e aguardar a recomendável estabilidade familiar e econômica. Não há sentido em se fornecer bolsas sem a contrapartida da prevenção. Para contrabalançar e equilibrar uma recomendável taxa de natalidade do país, os mais preparados deveriam ser incentivados a ter mais filhos. No mundo de hoje, existem exigências de cursos, licenças e dificuldades para tudo, menos para a função mais importante da vida: procriar. E porquê? Porque a miséria se tornou um grande negócio”

    • Muito interessante e importante a matéria e o ponto de vista acima apresentado aborda questões fundamentais ao meu ver. “Não há sentido em se fornecer bolsas sem a contrapartida da prevenção. Para contrabalançar e equilibrar uma recomendável taxa de natalidade do país, os mais preparados deveriam ser incentivados a ter mais filhos. No mundo de hoje, existem exigências de cursos, licenças e dificuldades para tudo, menos para a função mais importante da vida: procriar. E porquê? Porque a miséria se tornou um grande negócio”- Não acredito e sou contra impedirmos seja através de leis ou outro mecanismos das pessoas terem filhos ou o Estado dizer quem ou quantos filhos alguém pode ter ou coisa no gênero, algo realmente muito grave, ate porque ninguém pode prever o futuro de um ser humano seja ele oriundo de famílias ditas bem estruturadas ou não. No entanto precisamos e devemos proporcionar educação e informação para que as pessoas possam ter mais responsabilidades ao gerar filhos. Sei que este raciocínio envolve recursos, o que a matéria fala, mas não há como negar que a liberdade sempre terá custos muito elevados. Mas ao mesmo tempo concordo com o ponto de vista aqui apresentado e muito importante de que a miséria é um grande negócio. Muitos “negócios” e mesmo profissões só existem porque temos misérias em todos os aspectos e ela acaba sendo um “estímulo” a práticas corruptas e realimentadora dos mesmos. Não basta tirarmos os homens da miséria é preciso tirarmos a “miséria” dos homens, e só se faz isto com liberdade, profundo respeito e grande resistência a frustração. Não podemos obrigar ninguém a escolher o céu, a obrigatoriedades desta escolha nos leva ao inferno.

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  7. Não precisamos de mais provas para conferir que o aquecimento global tem como causa não somente uma condição, mas muitas, porem, dentre todas, a que mais potencializa o efeito é o homem com suas inúmeras ferramentas. Dizer que não há embasamento cientifico que prove isto é uma prova da ignorância do infeliz, pois, basta ir a qualquer lugar para perceber o efeito da devastação causada pela presença humana. A questão do desmatamento, sabe-se cientificamente que qualquer planta obtêm energia as custas do que recebe o Sol e no final, grande parte dela é transformar as substancias que capta da atmosfera, da terra e da água em celulose, sequestrando então dessa atmosfera alguns gases que provocam o efeito estufa, que por sua vez também é comprovado cientificamente. Claro que conclui-se que ao retirar uma arvore de qualquer ambiente, a energia solar que seria captada por ela, vai incidir no solo e fatalmente se transformar em calor, lembre-se da teoria de Lavoisier. E quem faz isso de forma extensiva? O homem. Não comentei e dispensa mais conversa quando se fala em queima de combustíveis fosseis, tais como o carvão e petróleo. Caso ainda assim persista a ideia de que isto não causa aquecimento, basta questionar-se o seguinte: Para onde vai o carbono que estava no estado solido enterrado no caso do carvão, e o petróleo que estava no estado pastoso também enterrado? Respostas simples, ambos vão para atmosfera na quase totalidade, aumentando drasticamente o índice de carbono na atmosfera, que por sua vez produz o efeito estufa. E se tudo isso não convencer, é não crer na ciência. Não há mais o que fazer a não ser ir para escola.

  8. Parabéns ao articulista. É impressionante como o assunto da necessidade de planejamento familiar é ignorado pela esquerda. As gestações indesejadas ocorrem mais frequentemente entre os mais pobres. Mas a esquerda quer miséria, a fim de explorar a massa ignorante que nasce da falta de planejamento familiar. É risível afirmar que os problemas do mundo serão resolvidos apenas com a redistribuição de renda. Pobreza gera pobreza em proporção geométrica. É preciso parar de glorificar o aborto (que é traumático para mulher e moralmente questionável) e dar a todos acesso a meios efetivos de contracepção.

  9. Caro Mesquita – esqueci-me de acrescentar, no post anterior, que a Terra está atravessando um período geológico chamado interglacial. Ou seja um período entre 2 glaciações. A última glaciação terminou por volta de 100 mil anos atrás. Segundo os climatologistas sérios, as glaciações no atual período Quaternário (de 2 milhões de anos) têm durado em média 900 mil anos e os interglaciais perto de 10 mil-15 mil anos. Portanto, já estamos nos aproximando do próximo período glacial – por volta de 5 mil anos. O calor atual é consequência desse período quente e úmido. Tem ano que é muito forte, tem ano menos quente. Varia muito e isso está relacionado, entre outras muitas causas, à posição da Terra na sua órbita.
    Há alguns anos, aqui em Florianópolis, o período frio atravessou o inverno e só acabou em novembro/dezembro. Isso aconteceu várias vezes. Não tem nada a ver com o aquecimento global.
    O aquecimento da Terra é absolutamente normal. Há lugares em que o calor aumenta, e outros, em que ele se reduz. Lugares em que o crescimento das cidade é desmesurado, como o triângulo Rio de Janeiro/São Paulo/Belo Horizonte ou o nordeste da América do Norte, as médias mensais – e também as médias das temperaturas máximas e mínimas – são sempre altas (exceto em grandes altitudes). As zonas urbanas cresceram demais e a temperatura nas cidades também cresceu, a que se juntam os desmatamentos, como a floresta Atlântica, que deixou de existir em muitos lugares, substituída pelas zonas urbanas e pela agricultura.
    Outro abraço.

    • Ih, cara.
      Pregando no deserto, ou melhor, no lugar errado.
      Quando o cara acima, o tal de Maldonado, diz que a prova do embasamento científico (será que ele sabe o que seria isto?) você vê andando por aí, quer dizer, basta olhar para alguma coisa e já se tem a prova (olha o céu e você já tem a prova de que o Universo é infinito), dá para perceber perfeitamente que tudo é novamente uma questão de fé.

      Estamos na era dos Aquecimentistas do 7o. dia.

      Mas tenha a certeza de uma coisa: quando ele tiver que meter a mão no bolso para pagar os impostos que virão cobrar o dízimo da crença, aí o canto da sereia vai virar choro.

  10. Morei mais de uma década na Africa, e em vários países africanos, onde o índice de mortalidade infantil é alto, e talvez contribua para a cultura de que se deve ter muitos filhos para garantir a sua velhice. Homens têm 2 ou 3 mulheres e dúzias de filhos que mal recordam dos nomes. Criam-nos como “galinhas caipiras” para quando crescerem garantir-lhes o sustento. Não há a menor preocupação em dar-lhes educação ou com escolaridade, é colocar crianças neste mundo movidos por um sentimento totalmente egoísta.

  11. Mesquita, os seus argumentos em geral são ótimos, têm bom embasamento científico. Aprendi muito nesta coluna.
    Mas… tecnologia para o aquecimento global? Isto soa como se alguém pretendesse
    mudar o clima. O homem tem tecnologia para mudar o clima? Ou só na ficção científica?
    A superpopulação e seu impacto sobre o meio ambiente (sic) – sem dúvida que a superpopulação invade os domínios do clima. Mas, nunca do clima global. Em âmbito regional isso, realmente, acontece – por exemplo, os desmatamentos, que fazem aumentar a temperatura média de um lugar.
    Eu acostumava acompanhar de perto todos os argumentos da turma do aquecimento global. Parei, porque cansei de ler sempre a mesma coisa. O tema é repetido cansativamente entra ano, sai ano. Ou seja, não apresenta novidade alguma.
    O aquecimento global – alguns chamam isso de “teoria” – não tem qualquer apoio da ciência. Os argumentos da turma do aquecimento são vagos, sem fundamento científico algum. Ou seja, mera especulação, como aconteceu com a histeria do buraco do ozônio. Ainda tem gente que fala nisso.
    A imprensa prefere ater-se na tragédia sem sentido, do que divulgar trabalhos produzidos por cientistas sérios, que já cansaram de afirmar a farsa. Tragédia dá muito mais adeptos do ciência séria, não?
    Convenhamos, os serviços de meteorologia não conseguem fazer uma previsão com mais de 1 semana de antecedência e se metem em prever o clima da Terra nos próximos 100 anos. Muita pretensão. Isso é coisa do Al Gore – portanto, não vale nada, é pura farsa. Só ajudou a conta bancária, já enorme, do vice crescer mais ainda.
    Parabéns pelo seu trabalho e pela sua coluna. Não concordo sobretudo com o aquecimento global. Mas estou de pleno acordo com as suas ideias sobre a natureza.
    Abraço.

  12. Vejo o controle da natalidade não só como eficiente instrumento ambiental mas, principalmente, como o mais importante meio de redução da miséria mundial. Infelizmente, os esquerdismos difundidos pelo mundo político e o fundamentalismo religioso, como apontado pelo leitor acima, impedem qualquer iniciativa nesse caminho. E, assim, caminhamos nós rumo à inviabilização total da vida na Terra e, se Deus quiser e para o bem do planeta, à extinção da espécie humana.

  13. Tem algumas areas não abortadas por esse texto. Um deles é a religião. Quanto mais fundamentalista religiosa é a pessoa, mais crianças ela tem. Isso se vê com muçulmanos, judeus ortodoxos, cristãos, entre outros. Um casal muçulmana tem em média entre 3-5 crianças por familia. Eu já vi reportagens na BBC de familia muçulmana em Manchester, que tinha dez crianças. O pai dizia que ele tem quantos filho Ala quiser que ele tenha e rejeita camisinha, pilula, etc.

    O segundo ponto são incentivos financeiros para ter filhos. Muitos países dão apoio financeiro para casais que tenham crianças. Quanto mais crinaças tem, mais apoio financeiro o estado dá. Isso acontece no Reino Unido e acaba que minorias acabam tendo propositamente muitas crianças para receber muitos beneficios do governo– casa, isenção de vários tipos de impostos e uma boa ajuda em dinheiro mensalmente. Isso acaba que muitos desses casais nem precisam trabalhar. Eles ficam apenas em casa com as crianças.

    O terceiro ponto não discutido no texto é que quanto mais escolaridade e melhores condições financeiras a sociedade é, menos crianças um casal quer ter. Isso tem se visto pela baixa natalidade nos países europeus nos últimos vinte anos. No Brasil, aonde as condições de poder aquisitivo, maior mobilidade social e de emprego melhoraram nos últimos vinte anos, a taxa de natalidade tb caiu. Irradicação da pobreza, mais acesso ao ensino básico e melhores condições de emprego, favorecem a diminuição da nataidade naturalmente.

    O text diz que a população mundial pode chegar a 17 bilhões de pessoas até o fim do século. Pelo o que tenho sempre lido de organizações governamentais é de que a popilação mundial será de 11 bilhões até o fim do século.

    Eu vi um video do Financial Times ontem sobre deep sea mining e os possiveis impactos ambientais que isso pode gerar. Vcs poderiam fazer um artigo sobre esse tema.

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