Algas escuras aceleram derretimento da calota da Groenlândia
De acordo com a NASA, as camadas de gelo armazenam enormes volumes de água doce em terra. Elas derretem à medida que o ar e os oceanos aquecem. A Antártida perde, em média, cerca de 135 bilhões de toneladas de gelo por ano. A Groenlândia perde ainda mais: cerca de 266 bilhões de toneladas anuais. Quando o gelo derrete, a água escoa para o oceano e eleva o nível do mar. Entender por que o Ártico perde mais gelo do que a Antártida é simples. O Ártico forma uma bacia oceânica cercada por terra. Essa configuração retém o gelo e intensifica o aquecimento. A Antártida, ao contrário, é um continente cercado por um vasto oceano frio, que ajuda a conter a perda de gelo. Agora, um novo estudo descobriu que algas escuras estão aumentando sua área na camada de gelo da Groenlândia, o que pode acelerar ainda mais o degelo.

Quanto mais superfícies escuras menos refração solar
Já explicamos em matérias anteriores que o Ártico pode ficar sem gelo a partir de 2030. Antes, a previsão apontava para 2050. Essa antecipação ocorre porque o Ártico perde sua camada de gelo de forma contínua. O gelo marinho reflete a radiação solar de volta ao espaço. Quando o gelo diminui, o oceano absorve mais calor. O aquecimento acelera. Esse processo intensifica o derretimento da camada de gelo da Groenlândia. O resultado aparece no mundo todo: o nível do mar sobe.
Esse é o cenário ao largo da Groenlândia. O novo estudo revela algo semelhante sobre a própria camada de gelo do país. As algas crescem no gelo e na neve. Elas formam zonas escuras na superfície. Essas áreas absorvem mais radiação solar. O gelo aquece mais rápido. O derretimento se intensifica.
O New York Times revela que à medida que o aquecimento climático corrói o gelo que cobre a maior parte da maior ilha do mundo, a proliferação de algas está acelerando esse processo, de acordo com dois novos estudos. A Groenlândia está perdendo centenas de bilhões de toneladas de gelo todos os anos e, com isso, elevando o nível do mar.
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Indígenas do Brasil, pioneiros, já caçavam baleias há 5.000 anosPraias de SC tornam-se paraíso das engordas e da diarreiaCanoas de pau, um tesouro secular do BrasilO vento levanta poeira carregada de fósforo do solo rochoso da Groenlândia e a sopra para o gelo, onde alimenta a proliferação de algas. Outros nutrientes já estão presos nas camadas de gelo e são liberados à medida que derretem.
Essas manchas escuras de algas bloqueiam a capacidade do gelo de refletir o calor do sol, acelerando o derretimento. E à medida que a paisagem derrete, mais nutrientes são libertados do solo recém-exposto e das profundezas do gelo, num ciclo vicioso que garante que a propagação viscosa continuará a crescer.
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O que acontece se o gelo derreter na Groenlândia?
Antes de mais nada, saiba que que esta possibilidade já foi sugerida por alguns estudos. Bem, a reposta é que o nível do mar poderia subir impressionantes 7 metros, submergindo cidades costeiras em todo o mundo.
Para piorar o cenário, e a disputa em torno da Groenlândia, acredita-se que existam amplos recursos minerais, de petróleo e gás cada vez mais acessíveis sob o gelo que está desaparecendo, o que aumenta o seu apelo. Contudo, é bom lembrar que a mineração e a perfuração liberariam outras partículas, como fuligem industrial, que poderiam escurecer ainda mais o gelo e, consequentemente, acelerar o derretimento.
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Jenine McCutcheon, professora assistente da Universidade de Waterloo e autora principal de um dos estudos, disse ao New York Times que ‘existem muitos fatores diferentes que contribuem para o derretimento da camada de gelo, e este projeto tentou identificá-los’.
As algas são responsáveis por cerca de 13% do derretimento no sudoeste da Groenlândia, de acordo com a Dra. McCutcheon. A área é uma das que derrete mais rapidamente e abriga uma zona escura bem documentada.
A pesquisa da Dra. McCutcheon em 2021 na região mostrou que ela era composta por proliferação de algas alimentadas por fósforo presente no pó. Sua nova pesquisa mostra que esse pó provavelmente vem da faixa relativamente estreita de solo exposto ao redor da borda da Groenlândia, soprada para o interior pelo vento.
Portanto, esses fatos se agravam com o tempo. A inação também pesa. Tudo aponta para uma única direção. Ela tem pouco apelo, apesar de óbvia. Precisamos usar menos combustível fóssil.