São Luis – Ilha dos Lencóis – Baía Guajerutiua – São Luis

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    Quarta- feira, 8-06- 2005.

    Saímos hoje de madrugada de São Luis, com destino a Ilha dos Lençóis, 90 milhas ao norte.

    Ontem de tarde, depois do vôo de São Paulo, ainda deu tempo para irmos até a Universidade Federal do Maranhão, conversar com o Professor Antonio Carlos Leal, especializado em hidrobiologia, e oceanografia. Ele confirmou as informações que tínhamos sobre as ameaças de poluição à baía de São Marcos, que banha a capital. A Alunorte, que processa alumínio, entre outros, e o sistema portuário da Vale do Rio Doce, são as grandes vilãs da história. Ambas, quando se instalaram na década de 80, escolheram construir na ilha de São Luis, uma região de grande fragilidade ambiental, especialmente por causa da proximidade com o porto, o que, provavelmente diminui seus custos. Em compensação, do ponto de vista ambiental, não poderia ser pior, já que a área que ocupam está cercada por canais, rios, e mangues, onde acaba ficando parte de seus rejeitos e efluentes. Para piorar, muitas comunidades de pescadores tiveram que ser removidas, quando da construção do imenso complexo industrial, o que causou também problemas sociais.

    Além da poluição, o professor chamou a atenção para outro perigo: a constante dragagem do canal de acesso ao porto, que faz com que as correntes marinhas ganhem velocidade, devido a maior profundidade, o que causa erosão nas margens.

    Por fim, salientou, a área toda da baía é muito freqüentada por navios, (o porto de Itaqui, numa estatística de 2003, era o segundo maior do país, em movimentação de carga, com 68 milhões de toneladas, só perdendo para Tubarão, em Vitória, ES, com 76 milhões.Fonte: Anuário Estatístico dos Transportes- Geipot) e não há nenhum plano de contenção para possíveis acidentes com vazamento de petróleo. Na opinião dele, o processo de degradação da baía já é sentido, tendo sido verificada a diminuição de micro organismos, e outros animais do início da cadeia reprodutiva.

    Quando eu disse que tinha alguns dados, extraídos do livro, Perfil dos Estados Litorâneos do Brasil, um estudo do governo para a implantação do Programa Nacional de Gerenciamento Costeiro, de 1996, que mencionava que 17% das residências de São Luis contariam com esgotos tratados, ele apenas sorriu, e disse que o correto seria zero por cento, uma vez que as duas únicas usinas de tratamento de esgotos, construídas na capital, nunca começaram efetivamente a funcionar. Assim, a baía de São Marcos é obrigada ainda a suportar os dejetos de quase um milhão de pessoas, que são jogados nos rios Anil e Bacanga, principalmente, sendo que ambos deságuam na baía.

    O professor é cético quanto ao futuro, e chama nossa atenção para o fato de que, uma indústria siderúrgica está prestes a se instalar na área, com financiamento do Japão. Por tudo isto, ele acha que em cinco ou dez anos, é possível que São Marcos esteja tão poluída como a baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro.

    Com estas informações alarmantes, saímos de madrugada baía afora.

    Ao passarmos pela barra cerca de 20 enormes navios esperavam para atracar. Fiquei imaginando a quantidade gigantesca de micro organismos exóticos que estes monstros trazem misturados na água de lastro, e que invariavelmente são devolvidas ao mar, ao cabo de cada viagem.

    Felizmente, no Maranhão, as grandes ameaças estão localizadas aqui, na área do Golfão Maranhense. Ao norte e ao sul de São Luis não existem muitas indústrias, apenas a pesca artesanal, atividades extrativistas, e uma agricultura baseada em roças de babaçu, arroz, milho, mandioca, e algodão, especialmente.

    Outra novidade, ao menos para mim, foi que, segundo o professor, não há pesca industrial no Maranhão. Simplesmente não há frotas de barcos pesqueiros.

    No entanto, os 640 quilômetros de zona costeira deste Estado, o segundo em extensão do Brasil, é muito freqüentado pelas frotas industriais do Ceará, e do Pará.

    E é verdade. Durante nossa navegada até aqui, só vimos barcos de pesca destes Estados. Quando vemos algum barco do Maranhão, é sempre uma destas embarcações típicas, feitas artesanalmente.

    Em nosso longo trajeto até a ilha de Lençóis não cruzamos com nenhum barco, de qualquer espécie. Foi uma navegada tranqüila. Viemos quase todo o tempo no motor, por que o vento leste-sueste que soprou era fraco, insuficiente para impulsionar o Mar Sem Fim. No fim do dia, quase na hora da chegada, ele aumentou, passando de 10, 11 nós, para 15, 18 nós. Então desligamos o motor, e subimos nossas três velas: a genoa, da proa, a mestra, que fica no centro do barco, e a mezena, vela menor, de ré. Com elas navegamos silenciosamente pelas últimas 15 milhas do trajeto, entrando suavemente pela baía dos Lençóis, cercada por ilhas que fazem parte do arquipélago do Maiaú, do qual faz parte a mais emblemática, justamente a que nos trouxe até aqui, a ilha dos Lençóis. Ancoramos em sua parte Oeste, mais abrigada dos ventos, e depois de um lauto jantar, exaustos, fomos todos dormir. Amanhã é dia de explorar as redondezas. Temos que estar descansados.

    Quinta- feira, 9-06- 2005.

    Assim que clareou o dia entramos com o Mar Sem Fim pelo rio que circunda Lençóis, e ancoramos novamente, mais perto da vila, num lugar conhecido como “portinho”, que fica atrás de uma imensa duna.

    Na ilha moram cerca de 350 pessoas, a maioria vivendo da pesca, já que não há outra atividade possível. O solo é formado por dunas e lagoas, o que impede até mesmo as roças, tão comuns nas vilas de caiçaras. Lençóis tem duas características muito especiais: por causa de casamentos entre parentes, há uma quantidade imensa de albinos. Em 1970, num censo que foi feito, descobriu-se que aqui havia a maior comunidade de albinos do mundo. O outro dado marcante, é que grande parte da população é Sebastianista. Eles acreditam que D. Sebastião está encantado e vive nas redondezas. Dizem que nas noites de lua cheia, ele se transforma em touro ou cavalo, e passeia pelas dunas que cercam a ilha.

    Infelizmente esta semana é de lua nova, assim nossa tripulação não vai ter oportunidade de confirmar esta lenda.

    De manhã cedo o calor já era fortíssimo, apesar do vento ter aumentado. Mas como viemos aqui para trabalhar, nos preparamos, pegamos nossos equipamentos, e desembarcamos para as primeiras filmagens. Sabíamos que havia uma única pousada, dirigida por um paulista. Logo que chegamos a terra fomos procurá-lo, para que ele nos ajudasse com informações a respeito dos moradores mais antigos e acessíveis para jornalistas, com quem poderíamos conversar. Mas a pousada estava fechada, o dono havia ido para São Luis. Mesmo assim conseguimos as informações desejadas, e logo em seguida estávamos entrevistando um dos moradores, já bem idoso, pai de santo, chamado Zé Mário. Ele é a terceira geração da mesma família que mora na ilha. E confirmou todas as informações sobre a lenda Sebastianista, e a crença da população.

    Fomos recebidos em sua casa, muito simples, de madeira e chão de terra batida, mas limpa e bem cuidada. Enquanto rolava a conversa, outros moradores foram chegando, curiosos com a nossa presença. Entre eles estavam dois netos de seu Zé Mário, crianças de cinco a oito anos de idade, albinos. Elas que são menos inibidas, logo entraram na sala, nos rodeando, em silêncio, olhando fixamente para nossos equipamentos de filmagem e fotografia, como se fossemos criaturas de outro mundo. Já, os mais velhos, ficavam parados na porta e janelas, também curiosos com nossa presença, mas sem se aproximar. Não é fácil ganhar a confiança destas pessoas. Muitas vezes eles estranham nossa presença, parece que se sentem invadidos por “estes seres exóticos”, e se trancam em suas casas. Foi preciso muita habilidade e jeitinho de nossa parte, especialmente de Paulina, nossa repórter, para que não se assustassem, e mantivessem a naturalidade e espontaneidade, para que as entrevistas não fossem prejudicadas. Mas se Paulina tem um dom, e ela tem vários, talvez esta facilidade de aproximação com qualquer um, esta “abertura de caminho”, seja o maior deles. E em pouco tempo ela já havia conquistado a confiança da turma toda, mantendo uma conversa franca e natural.

    Em seguida fomos passear pela vila. São duas ou três ruas, se é que podemos chamar assim, com chão de areia, cercadas por dunas, algumas palmeiras, e cajuais aqui e ali. As casas são de madeira com teto de sapé, na maioria, mas algumas são totalmente construídas com tramas de palha feitas com folhas de palmeiras, o que lhes dá um aspecto bem peculiar. Eu nunca tinha visto nada parecido. A única construção de tijolos é a escola das crianças.

    No passeio ainda tentamos abordar outros moradores, tidos como bons contadores de “causos”, mas percebemos certa resistência, então respeitamos sua privacidade, e deixamos para outro dia.

    Continuamos nosso passeio, sempre seguidos por dois irmãos, Colo (corruptela de Collor) e Furo, de seus 14, 15 anos, que nos guiaram desde a casa de seu Zé Mário.

    Para encerrar a primeira visita, paramos para um copo de água gelada, num dos únicos bares da ilha.

    O calor era insuportável, e a sombra foi convidativa. Ficamos por ali uma boa meia hora, conversando com a dona do lugar, Laura, muito simpática e falante. Ela se comprometeu a nos levar na casa de outro morador emblemático, um ancião, conhecedor das tradições locais, mas teria que ser bem mais tarde. Nesta hora de calor forte, a própria Laura nos confirma, as pessoas preferem ficar em casa, deitadas em suas redes, a espera do fim de tarde, quando a temperatura, enfim, dá uma trégua, e ameniza.

    Voltamos para o Mar Sem Fim, para nosso almoço, encantados com a beleza do lugar. Uma região de canais, com mangues muito verdes, dunas altas, ilhas pequenas, umas próximas das outras, praias, água morna, e muito vento.

    Depois do almoço fomos visitar outra ilha, a de Maiaú, que dá nome ao arquipélago, onde fica a vila de Bate Vento, bem maior que a de Lençóis.

    Além de contar com mais habitantes, os moradores de Bate Vento são alegres, e desinibidos.

    Quando chegamos rolava um futebol do um time feminino que treinava com crianças, para a grande disputa que vai acontecer sábado, quando outro time feminino, só que de Lençóis, virá até aqui para disputarem uma partida.

    Fomos muito bem recebidos, as garotas se deixaram filmar, deram entrevistas, e até fizeram chamadas para o programa.

    Filmamos bastante os arredores, quase terminando mais um programa.

    Amanhã vamos tentar entrevistar outro personagem de Lençóis, que dizem conhecer as tradições do local, e em seguida tocamos para Cururupu, nossa próxima parada.

    Sexta- feira, 10- 06- 2005.

    Esta noite foi espetacular. Como estamos na lua nova, o céu é muito pouco iluminado, e isto realça milhares de estrelas que podemos ver. Fantástico poder curtir um ambiente como este, cercado por tanta beleza, inclusive no céu.

    Mas apesar de termos deitado com noite estrelada, choveu muito de madrugada. Fomos acordados pelas gotas que caíam através das gaiútas (espécie de janela no teto das cabines e da sala do barco).

    Finalmente amanheceu e, outro dia, com muito vento e muito sol, veio nos dar as boas vindas.

    Descemos em terra depois do café, procuramos nossa amiga Laura, e fomos com ela conhecer seu Piedade, pescador, com 78 anos de idade, e tantos filhos que, quando perguntamos, ele teve até que contar nos dedos para não esquecer nenhum.

    Mais uma vez, vieram à tona as histórias de D. Sebastião, e outros encantados destas plagas. Cumprida a pauta, almoçamos e levantamos ferro.

    Navegamos pouco, o suficiente para ver que lá fora o mar estava muito agitado. O vento forte, de sueste, com 20 a 25 nós, batia de frente contra nossa proa. Um marzão estava armado, tornando arriscado entrar numa barra muito assoreada, e bem mais estreita que a de Lençóis. Teríamos apenas umas duas horas com dia claro, não valia a pena prosseguir. Vamos dormir perto da saída, e tentar amanhã de madrugada. Quem sabe até lá o vento dá um refresco?

    Sábado, 11- 06- 2005.

    Hoje cedo seguimos um barco pesqueiro que iria até Cururupu através de um “furo”( canal estreito) que nós nem sabíamos que existia, por que não está assinalado na carta náutica. Atravessamos a baía de Lençóis e, na entrada do furo, vimos que havia outra vila de pescadores, de nome Porto Alegre, então resolvemos parar para conhecer o local.

    A vila é muito interessante. Dezenas de barcos de pesca, na maioria pequenas canoas a vela, se preparavam para a pescaria. Pudemos assistir as manobras que eles faziam com extrema simplicidade para levantarem suas velas, e se fazerem ao mar. Impressionante como são simples e eficazes. E, além disto, são lindíssimas, com suas velas enormes e coloridas. Em poucos minutos estão prontas para enfrentar os fortes ventos da região. Algumas ficam fundeadas em lagoas quase na porta das casas dos pescadores.

    Para não perder a maré alta ficamos pouco tempo nesta vila, seguindo em frente para atravessarmos o furo com ela ainda cheia.

    Navegamos mais algumas milhas e logo o canal ficou estreito demais, com a maré começando a dar sinais que estava baixando. Estávamos em frente à outra vila, de nome curioso: Valha-me Deus. Resolvemos passar a noite por aqui, e tentar atravessar amanhã.

    Aproveitamos para descer e conhecer os moradores e arredores.

    Apesar de Valha-me Deus ser cercada por palmeiras e mangueiras, que providenciam sombra boa e generosa, o calor era muito forte. Não resistimos em tomar um belo banho numa lagoa próxima, já que os chuveiros a bordo são sempre controlados devido à dificuldade de se achar água doce para abastecer os tanques do Mar Sem Fim. Em seguida entrevistamos alguns moradores, sempre com conversas interessantes, e muita curiosidade a respeito de nossa viagem e nosso barco. Aqui, e também em Lençóis, nos contaram sobre a novidade que começa a incomodá-los: a especulação imobiliária. É que o Governo do Maranhão iniciou a organização de um plano de turismo ecológico para a área. Para começar batizaram a região como Floresta dos Guarás, já que estas aves chamam muito a atenção de visitantes, e aqui são abundantes. E já há alguns estudos sobre as condições ideais para, no futuro, implantarem um pólo turístico. De acordo com moradores, de vez em quando aparece alguém querendo saber sobre os preços dos terrenos. Nada ainda muito forte, até por que as ilhas são de propriedade da União, e é proibido vender estes terrenos. No máximo os antigos moradores podem ter a posse da área. Mesmo assim, o processo de valorização já começou, ainda que tímido.

    Os moradores contaram que às vezes alguém da cidade pergunta sobre valores, e entre eles está o prefeito de Cururupu, que “comprou” uma das ilhas da região. É uma inversão total de valores. Aqueles que deveriam proteger esta gente simples, eleitos para isto, acabam se aproveitando de sua ingenuidade, procurando comprar suas posses por merreca, a espera da valorização. Já vi este filme antes. Em outra ilha famosa, do litoral norte de São Paulo, acontece a mesma coisa. Estou falando de Ilhabela, onde o atual prefeito está sendo acusado por ter se tornado sócio de uma imobiliária, pouco depois de sua eleição, e hoje vende terrenos que na verdade pertencem ao Parque Estadual, em topos de morros, ou nas margens de rios.

    Domingo, 12- 06- 2005.

    Saímos com a maré, e conseguimos desta vez atravessar o estreito furo que nos levou até a baía de Guajerutiua, onde ancoramos em frente à vila do mesmo nome. Este é, sem dúvida, um dos mais belos lugares, ao lado da ilha de Lençóis, pelos quais passamos nesta etapa.

    Praias enormes com areia branca, vila cercada de coqueirais, vento forte constante, e muitos barcos de pesca.

    Por termos chegado num domingo, dia de folga, encontramos a vila lotada, com a maioria dos moradores confraternizando nas ruas, bares, e galpões, onde acontecem as festas. Tudo ao som de muita música, ligada no mais alto volume.

    Logo ao desembarcarmos fomos escoltados por dois garotos que se apresentaram como guias. É sempre assim. Basta pisarmos em terra que a meninada vem correndo se oferecer para nos mostrar o que de mais interessante suas vilas têm para oferecer.

    E desta vez não foi diferente. De cara os garotos nos contaram sobre uma família cujo bicho de estimação é um pássaro bastante esperto, um Japú, que tem por hábito entrar nas casas vizinhas, e levar com o bico tudo o que pode : escovas de dentes, ponteiras de chupetas de crianças, cigarros, e especialmente, dinheiro. Diziam os meninos que se você oferecer, numa mão um pedaço de papel, e na outra uma nota de dinheiro, ele não titubeia, escolhe a nota, claro. Fomos lá conferir, e era verdade mesmo. Aproveitamos para conversar e entrevistar a família toda que, mais uma vez, vive da pesca.

    Em seguida visitamos um artesão especializado em barcos artesanais, que usa o próprio quintal como estaleiro. Ele estava construindo uma Curicaca, espécie de canoa movida à vela.

    O papo com esta gente é sempre divertido, espontâneo, gostoso. Impressionante como são simples, e como conseguem ser felizes vivendo com tão pouco. Passamos uma tarde inteira passeando pelas redondezas, e no fim do dia retornamos ao Mar Sem Fim.

    Amanhã teremos mais 80 milhas para percorrer, até voltar para São Luis. Havíamos concluído mais dois programas, cumprindo assim nosso objetivo para esta viagem.

    Segunda- feira, 13- 06- 2006.

    Logo que o dia amanheceu tomamos nosso café da manhã, subimos o bote de borracha no turco (espécie de guindaste na popa do veleiro), levantamos a âncora, e saímos para o mar.

    Desta vez não foi tão difícil atravessar a barra de Guajerutiua, que é bem larga, e não tão assoreada como as demais até agora. Com duas horas de navegação estávamos já em mar aberto, com vento sueste bem forte, batendo de frente em nossa proa, que seguia a direção de São Luis.

    O início da navegação foi desagradável, com o veleiro caturrando (balanço do barco no sentido longitudinal), subindo e descendo violentamente nas ondas, dada a força do vento. Acabou a moleza que tivemos desde o rio Oiapoque, na divisa do Brasil com a Guiana Francesa. Começamos nossa aventura em dezembro, que corresponde ao inverno na região norte, e nesta época o vento é bem fraco por aqui. Mas a partir do começo do verão, em junho, a coisa muda de figura, e o vento sueste quase não dá tréguas. Ele começa a soprar pela manhã, e desde o início não cede da casa dos 20 nós, ou mais.

    A cada descida de onda, a proa bate na marola seguinte, esparramando jatos de água para os lados, molhando a tripulação constantemente. É desagradável, mas não há como fugir. Tudo que nos resta fazer é torcer para que a corrente contrária não seja muito forte…

    Daqui pra frente, até chegarmos no Rio Grande do Norte, será sempre assim. Em compensação, de Natal para baixo, vamos novamente navegar com vento e corrente a favor.

    E assim foi nossa viagem de volta, subindo e descendo ondas, até quase umas dez horas da noite, quando o vento derivou um pouco para o leste, permitindo que abríssemos as velas, e navegássemos mais suavemente.

    O relógio marcava meia- noite quando estávamos atravessando o canal de entrada do porto de Itaqui, e, às duas e meia da manhã, molhados, cansados, mas felizes por termos cumprido mais esta pauta, fundeamos novamente, em frente ao Iate clube de São Luis.

    Em nossa próxima viagem, lá pelo fim do mês, deixaremos São Luis em direção ao Sul. Pretendemos descer até o rio Preguiças, que dá acesso a Barreirinhas, cidade mais próxima dos famosos Lençóis Maranhenses. Em seguida faremos o Delta do rio Parnaíba, parando nesta cidade, já no quarto Estado que visitaremos: o Piauí.

    Até lá.

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