Litoral de São Luis, a baía de São Marcos, e Alcântara, no Maranhão

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    Litoral de São Luis, a baía de São Marcos, e Alcântara, no Maranhão

    Litoral de São Luis: Segunda feira, 16- 05- 2005

    Chegamos de São Paulo às duas horas da tarde. Para esta etapa viemos com tripulação reduzida: eu, Paulina, e o cinegrafista Paulo Cezar Cardozo.

    Nosso objetivo é gravar dois programas. Um  mostrando a baía de São Marcos, e seu entorno, onde foi fica São Luis; e o outro pretendemos fazer em Alcântara, que fica a dez milhas de distância.

    Mas, como sempre, antes de iniciarmos uma viagem é preciso abastecer o barco.

    Deixamos nossa bagagem no Mar Sem Fim, ancorado em frente ao Iate Clube, e lá fomos nós para o supermercado.

    Litoral de São Luis: esperamos a visita de jornalistas de O Imparcial

    Terça feira, 17- 05- 2005.

    Às sete da manhã estávamos de pé. Tomamos um rápido café, e esperamos a visita de jornalistas de O Imparcial, jornal local que queria fazer uma entrevista conosco .

    Cúter, também conhecido como canoa costeira do Maranhão

    Enquanto esperávamos, e durante a entrevista, pudemos  observar as manobras de um dos tipos de barco artesanal, mais bonitos da costa brasileira, o Cúter, também conhecido como canoa costeira do Maranhão.

    Estes barcos, cuja técnica de construção vem sendo passada de pai para filho há séculos, ainda estão em pleno uso nesta região. Eles usam duas velas: a de proa, menor, conhecida como bujarrona, ou vela de estai, e a maior, carangueja, ou “grande”. Ambas são tingidas com corantes, em tons fortes, nas cores azul, vermelha, amarela, etc.

    Litoral de São Luis, imagem de canoa costeira
    Litoral de São Luis. Canoa Costeira na baía de São Luis.

    Os cascos também são pintados em várias tonalidades, o que dá ao conjunto um aspecto peculiar, de muito bom gosto. São barcos bastante rústicos, que não utilizam motor ou qualquer outro tipo de instrumento, nem mesmo bússola. No máximo eles têm luzes de navegação.

    Nosso veleiro está ancorado num lugar especial. Parece que o vento faz uma curva bem aqui onde estamos de modo que, para entrar para a cidade de São Luis, os cúteres são obrigados a bordejar (navegar em ziguezague) na nossa frente. Eles vêm ao longe, na baía, já com a proa em nossa direção. Quando estão bem na frente, começam a virar. Ora para a esquerda, ora para a direita, nunca passando a mais que dez metros de nosso barco. Posso garantir que nunca tomei café da manhã acompanhado por um cenário tão deslumbrante.

    Entre os 17 estados costeiros o que produz a maior variedade, e possivelmente quantidade, de barcos artesanais é o Maranhão. Minha paixão pelos barcos tradicionais acabou virando mais um livro.

    Maranhão: três mil quilômetros de rios navegáveis

    Um dos motivos é que este Estado tem três mil quilômetros de rios navegáveis. O outro é que seu litoral é o segundo em extensão, com 640 quilômetros de Atlântico, perdendo apenas para o da Bahia. Mas isto só não justifica tanta diversidade. A diferença é a formação da zona costeira daqui que tem, ao norte, as Reentrâncias Maranhenses; e ao sul, a região de dunas, em Barreirinhas, seguida pelo Delta do rio Parnaíba, fronteira com o Piauí. Todas elas são áreas alagadas com cidades, vilas, aldeias, e vilarejos, onde as estradas de rodagem são poucas e ruins. A via de comunicação são os barcos, quase como nos primórdios da colonização.

    Litoral de São Luis, imagem de iate em São Luis
    Litoral de São Luis. Iate, um dos muitos tipos de barcos tradicionais do Maranhão

    Por isto, passear por este litoral, ou apenas ficar fundeado na baía de São Marcos, é por si só, um espetáculo de rara beleza plástica. Merecia ser conhecido.

    Alugar uma canoa costeira

    Depois da exibição do café da manhã resolvi alugar uma canoa costeira para podermos gravar e registrar, “também por dentro”, a arte das pessoas que fazem o show todos os dias. Escolhemos a Flor de Natal, um belíssimo exemplar, e com ela navegamos pela baía passando em frente ao Centro Histórico de São Luis, em seguida por debaixo da ponte José Sarney, através do rio Anil, até o portinho do Camboa, mais adiante, onde elas ficam fundeadas.

    Ganhamos o dia. No fim da tarde, já escurecendo, voltamos para o Mar Sem Fim.

    Depois do jantar, olhamos pela TV o material gravado, fizemos uma pré-edição, e ficamos maravilhados com a beleza das imagens. Em seguida a tripulação do Mar Sem Fim se retirou para suas camas. Eu, na mesa de navegação, computador aberto, relatava nosso dia.

    Agora já é tarde, são 03h40 da madrugada, está mais do que na hora de dormir. Amanhã, assim que “der maré”, saímos para Alcântara.

    Saímos para Alcântara

    Quarta feira, 18- 05- 2005.

    A maré hoje estava preguiçosa. Só começou a encher por volta de 11 horas da manhã. Tivemos que aguardar. Não há como disputar com a natureza.

    No trajeto cruzamos com vários cúteres que velejavam ao largo, pela baía de São Marcos. Uma beleza a forma plástica deles, vista apenas como uma silhueta negra, em forma de sombra, devido aos efeitos da luminosidade.

    O céu carregado, cinzento e mal encarado, deixava claro que dali a pouco ia desabar uma chuvarada.

    Baixou a visibilidade para poucos metros além da proa

    Quando estávamos no meio do canal de acesso à baía de São Marcos, que tínhamos de atravessar para chegar a Alcântara, desabou um aguaceiro forte. Em pouco tempo baixou a visibilidade para poucos metros além da proa.

    Navegar só por instrumentos, no meio de uma baía movimentada e rasa, com a qual você não tem intimidade, não é agradável. Mas não tivemos opção. Tive que baixar a rotação do motor, diminuindo a marcha, à espera que o tempo abrisse. Durante este período meus olhos estavam grudados no radar, até que clareasse de novo e pudéssemos ver nosso caminho livre.

    Alcântara à vista

    Alcântara estava à vista quando aconteceu. E foi uma cena belíssima. Do mar já podíamos ver os contornos da igreja dos Carmelitas, do século 18, em cima do morro. Navegamos mais meia milha e estávamos na foz do igarapé Jerijó, onde fica o “Porto Jacaré” . Uma plataforma de ferro flutuante, a guisa de atracadouro, que dá acesso à cidade.

    O pequeno porto é raso e bastante movimentado

    Muitos barcos grandes, de ferro e de madeira, trazem passageiros e carga de São Luis. Além de engenheiros, técnicos e militares da Base de Lançamento da aeronáutica. Resolvemos sair da foz deste igarapé para fundear numa profundidade mais adequada.

    O céu escureceu outra vez

    Antes de terminar a faina o céu escureceu outra vez denunciando que a chuva viria na seqüência. Adiamos nossa descida em terra. Aproveitei para ler um pouco mais sobre a cidade e entorno.

    Litoral de São Luis, imagem de barco em alcântara
    Litoral de São Luis. Iate chegando em Alcântara

    Maranhão:  capital do estado do Grão- Pará

    Alcântara foi fundada em 1648. Era o lugar preferido da aristocracia e dos latifundiários do Maranhão. Algodão, arroz, e cana- de- açúcar eram as culturas principais. Tocadas pelos escravos. Nesta época, o Maranhão era capital do estado do Grão- Pará, uma espécie de capital do Brasil, umbilicalmente ligada ao centro nervoso , em Lisboa.

    A guerra de independência americana

    Sua economia floresceu sobretudo por causa da guerra de independência americana. Ela fez com que a Grã- Bretanha tivesse que importar algodão para sua indústria nas possessões portuguesas, ou seja, o Brasil. E foi justamente no Maranhão que o algodão se deu melhor. A cidade cresceu.

    ‘O Algodão branco transformou o Maranhão negro’

    Imensos casarões em pedra foram construídos, assim como, igrejas. Os filhos da aristocracia estudavam na Europa, especialmente Portugal. A cidade importava mão de obra escrava às carradas. De 1757 até 1777, 25 mil escravos foram trazidos para o Pará e o Maranhão, para trabalharem nas lavouras. Este fato acabou gerando uma frase famosa do historiador Caio Prado Junior, que disse: “O Algodão branco, transformou o Maranhão negro”.

    O governo central foi estabelecido no Rio de Janeiro. Começava a decadência da região Norte

    Com muita riqueza e fausto a cidade de Alcântara foi sendo construída. Em 1808 aconteceu a vinda da família real para o Brasil, com suas cortes fugindo das tropas napoleônicas. O governo central foi estabelecido no Rio de Janeiro. Começava a decadência  da região Norte. A pá de cal veio com as leis abolicionistas, culminando com a definitiva assinada pela Princesa Isabel em 1888. Alcântara e seus barões não resistiram à mudança. A cidade foi abandonada aos escravos, antiga força motriz.

    Alcântara é muito pobre

    O Maranhão é um dos estados mais miseráveis da União, com um índice de IDH (índice que mede o desenvolvimento humano) dos mais baixos do país. A população sobrevive do turismo interno, do extrativismo e da pesca artesanal.

    Litoral de São Luis, imagem de rua em alcântara
    Litoral de São Luis. Rua típica de Alcântara

    Desembarcamos na vila depois do fim do forte toró, que terminou quase às cinco da tarde.

    O tempo foi suficiente apenas para uma rápida volta, e para marcarmos algumas entrevistas para amanhã. Mas pude pra ver que a cidade antiga é uma beleza. Casarões imponentes, alguns mais recentes, ainda de pé. E muitos outros em estado de ruína total. O calçamento das ruas é de pedras pretas e brancas, formando enormes losangos, símbolo da Maçonaria apreciada pelos barões.

    Riqueza da igreja Católica no princípio da colonização

    A fiação de telefone e luz elétrica é subterrânea. A iluminação das ruas são de luminárias antigas pregadas nas fachadas na casas, ou em alguns postes como os lampiões de antigamente. Aqui e ali, uma imponente igreja, algumas em bom estado de conservação, com altares pintados a ouro, atestando a importância e riqueza da igreja Católica no princípio da colonização portuguesa.

    Litoral de São Luis, imagem do interior de uma igreja
    Litoral de São Luis. Detalha de igreja em Alcântara

    Acelerado processo de favelização

    Saindo do pequeno núcleo histórico, tombado como Patrimônio Histórico Nacional, tudo está cercado por um acelerado processo de favelização. E sinal dos tempos, diversos templos adventistas. A paisagem mesmo assim é linda. A cidade foi erguida em cima de um morro, com ampla visão da baía de São Marcos. De outro ângulo, dá para ver alguns canais, e algumas ilhas, todas cercadas por mangues com florestas de porte no interior. Barcos passam de um lado para o outro. No porto, Guarás, com sua impressionante cor vermelha, ciscam no lodo, atrás de comida.

    Quando voltamos para o barco, para o jantar, pudemos ouvir o som do reggae despejado no ar pelos alto-falantes dos bares ao redor.

    Ao chegarmos ao barco, Alonso havia preparado um picadinho delicioso para a tripulação. Jantamos otimamente, tomamos um bom vinho. Depois assistimos a programas de nossa série na TV que tinham acabado de ser editados.

    Teve até pipoca.

    Depois, cama.

    Um dia em Alcântara

    Quinta feira, 19- 05- 2005.

    Litoral de São Luis, imagem do casario de alcântara
    Litoral de São Luis. Casarões atestam riqueza de Alcântara

    Desembarcamos por volta de nove e meia e fomos direto para a casa da Batiçá,  moradora extremamente entusiasmada, fã da festa do Divino que havia acabado alguns dias atrás. Ela nos explicou como acontece a festa, falou de sua vida dura com uma alegria exemplar, mesmo tendo tido 17 filhos. Dez morreram ainda bebês. Ela reclamou da Base da Aeronáutica, mas não perdeu o bom humor em nenhum momento.

    Falta de infra-estrutura para turistas

    Passamos o dia todo gravando. Uma vez mais constatamos a falta de infra-estrutura para turistas. Os monumentos não têm placas explicativas, os guias locais só falam o português. Não há passeios programados, não existem hotéis. Apenas rústicas pousadas. Poucos restaurantes, só alguns barzinhos. Mais um desperdício.

    Praça principal da Matriz

    A praça principal, da Matriz é cercada por um casario esplêndido, bem conservado, tendo no meio um imenso gramado com um verde muito vivo. No centro dele estão as ruínas da igreja principal dedicada a São Mateus. Ao lado, o Pelourinho, lembrando que quem construiu tudo aquilo foi a força escrava.

    Litoral de São Luis, imagem da praça matriz de alcântara
    Litoral de São Luis, Alcântara, praça da Matriz

    Entrevistamos um funcionário do IPAHN, visitamos o Museu local, conversando com o curador. Fotografamos o altar da igreja Nossa Senhora do Carmo, barroca, folheado a ouro; estivemos num prédio da Aeronáutica onde um soldado nos explicou como funciona a Base de lançamentos de foguetes. Vimos favelas que cercam o núcleo histórico. No fim do dia, exaustos, voltamos para o barco para jantar. O Mar Sem Fim estava fundeado no meio do canal que fica entre a pequena ilha do Livramento e a costa.

    Circundando a ilha do Cajual

    Sexta feira, 20- 05- 2005.

    Esta noite tivemos chuva forte acompanhada de rajadas de ventos consideráveis. Pela manhã, ao acordarmos, um lindo dia estava a nossa espera.

    Litoral de São Luis, imagem de família da ilha Cajual
    Litoral de São Luis. Se Idalino e família. Ilha Cajual.

    A idéia para hoje é circundar a ilha do Cajual, aqui ao lado, para acabarmos o programa que começamos a fazer em São Luis. Assim ficaremos com mais dois: um sobre Alcântara, outro sobre a baía que cerca São Luis.

    Vila Nova e Tijuca

    Esperamos a maré começar a encher para levantar o ferro, e navegar pelo igarapé Cajupe, que circunda a ilha. Passamos por pequenas comunidades de pescadores instaladas nas margens. Cruzamos com vários barcos artesanais,  até que fundeamos. Em seguida descemos e caminhamos por uma linda trilha que nos levaria até duas minúsculas e paupérrimas comunidades no seu interior : Vila Nova e Tijuca.

    Litoral de São Luis, imagem do interior da ilha Cajual
    Litoral de São Luis. Na ilha Cajual o meio de transporte são os bois.

    Antes, entramos de bote num pequeno igarapé onde filmamos Guarás e um casal de Guaximins que passeava. A ilhota fica  a dez milhas da capital. Mesmo assim não há luz elétrica. Bandos gigantescos de Guarás cruzam os céus ao mesmo tempo em que pios dos mais diversos passarinhos ecoam pela mata. Temos a impressão que estamos a milhares de quilômetros de qualquer pessoa. Impressionante como as duas vilas  estão ao mesmo tempo tão próximas, e tão longe, da civilização.

    O caminho foi uma das trilhas mais bonitas

    Valeu a pena termos andado cerca de uma hora até chegarmos às vilas. O caminho foi uma das trilhas mais bonitas que conhecemos desde que começou esta viagem. Poucas vezes vi um tom de verde, da mata ao redor, tão vivo e bonito.

    Litoral de São Luis, imagem de revoada de guarás
    Litoral de São Luis. Guarás aos montes todos os dias

    Durante o trajeto encontramos casas isoladas no meio do mato, sempre muito pobres, feitas de barro e com telhado de sapé. Provavelmente sua origem são os antigos quilombos já que por aqui a força escrava imperava. Fomos muito bem recebidos por todos. Assistimos cenas curiosas como a de meninos e rapazes montados em bois, andando pela trilha. Ou algumas mulheres sentadas em roda, em frente de casa, todas com cabelo alisado fazendo as unhas dos pés e das mãos.

    Estas mulheres conservam a dignidade e a vaidade

    Elas não se acanharam conosco , ao contrário, conversaram animadamente. Curioso perceber que até aqui, no meio do mato, isoladas, estas mulheres conservam a dignidade e a vaidade. Depois de algum tempo batendo papo, tirando fotos que mostrávamos  às crianças, encantadas por poderem se ver “dentro das câmeras”- vantagem das máquinas digitais de hoje- retornamos ao Mar Sem Fim.

    Litoral de São Luis, imagem de casa de pau a pique
    Litoral de São Luis. A vaidade feminina na ilha Cajual

    Sábado, 21- 05- 2005.

    Estávamos fundeados na ponta Sul da ilha do Cajual, já quase na saída para cruzarmos o canal dos navios, que entram para o Porto de Itaqui, na baía de São Marcos. Logo pela manhã tentamos gravar os Guarás, mas parece que eles preferem a outra extremidade da ilha para o café da manhã. Não conseguimos achá-los.

    Voltando para São Luis

    Ao meio dia resolvemos retornar para São Luis. Nossa missão na ilha do Cajual estava cumprida. Restava ainda gravar o centro histórico de São Luis com seus imponentes casarões.

    Durante a navegada de cerca de duas horas minha cabeça não parava de pensar em várias coisas ao mesmo tempo. Estamos rodeados de belezas naturais, tradição e história. Tudo cercado por um rico ecossistema formado principalmente por manguezais, restingas, florestas, dunas, lagoas, ilhas, praias, a foz dos rios, etc.

    Núcleo histórico de Alcântara rodeado por favelas

    Mas não dá pra deixar de notar que o núcleo histórico de Alcântara está rodeado por  favelas, num processo que todo mundo sabe como começa, mas  ninguém sabe dizer como vai acabar. A economia do município é pobre, não há muito o quê fazer. Há um incipiente comércio e uma mínima estrutura de turismo.

    Todos os dias chegam barcos de passageiros, dos grandes de ferro, trazendo e levando pessoas ou mercadorias. Além de barcos tradicionais que servem para carga e pesca. Escolas funcionam para crianças, mas a maioria da população vive da pesca ou da subsistência. São pobres, e os meninos “acham um saco” morar lá, porque, “fora alguns turistas, que sobem e descem as ladeiras no mesmo dia, não têm nada para fazer”.

    A baía de São Marcos, parte do Golfão Maranhense

    Em suas margens há 29 municípios. O maior é a capital do Estado, São Luis, que sofre acelerado processo de industrialização com a instalação de três terminais portuários: o da Alcoa, que serve o minério de Carajás, Itaqui, e Ponta de Madeira. Também há um pólo de minério e metalurgia, instalado na ilha de São Luis desde os anos 80. Ele é formado por unidades de processamento de aço, alumina, e alumínio, entre outros.

    Para não falar em uma unidade da Alumar, consórcio formado entre ALCOA, SHELL, e a Camargo Correia. Este pólo ocupa um quinto da Ilha de São Luis. Sua instalação causou vários problemas ambientais entre eles a contaminação dos lençóis freáticos. No mesmo período houve o desvio de curso do rio Itapecurú o que alterou a salinidade das águas da baía. É muita pressão ambiental ao mesmo tempo.

    ALCOA deposita lama vermelha, uma espécie de efluente de sua produção, em lagoas

    Os especialistas nos informaram que a ALCOA deposita lama vermelha, uma espécie de efluente de sua produção, em lagoas, para decantar. Elas foram construídas sobre solo permeável o que ameaça todo o lençol freático da ilha de São Luis.

    Litoral de São Luis, imagem do complexo da aluar em são luis, maranhão
    Litoral de São Luis. A Alumar se instalou na ilha de São Luis, sob terreno de manguezal

    A poluição gerada por esta empresa, dizem nossas fontes, teria sido a responsável não só pela contaminação da água, mas pela erradicação de várias espécies aquáticas além de sérios danos causados à cobertura vegetal nativa. E o pior é que ninguém parece se incomodar. Até agora não descobri as ONGS de sempre, que gritam e fazem barulho. Nem a imprensa denuncia. Mas o alerta é sério e feito por quem merece consideração: o especialista Antonio Carlos Diegues, em seu livro o “Povos e Águas”, editado pela USP.

    Especulação imobiliária e industrialização

    Elas expulsando as pessoas numa região onde sempre houve conflitos de terra. Para piorar a população de São Luis saltou de 450 mil habitantes em 1980, para 870 mil em 2000, acréscimo de quase 100% em vinte anos!

    Há ainda o conflito dos pescadores artesanais com os da pesca industrial. Resta o extrativismo como única opção dos mais pobres. Além disto há a pressão da pecuária aumentando. O tamanho das matas diminui, indústrias poluidoras se instalam nas margens do Mearim, etc. São problemas graves e complexos.

    Centro histórico de São Luis

    Domingo, 22- 05- 2005.

    Desembarcamos e passamos o dia no centro histórico de São Luis, para mim um dos mais belos conjuntos de arquitetura do Brasil.

    Complexo Alumar de mineração

    Segunda- feira, 23- 05- 2005.

    Tínhamos apenas a manhã livre. Resolvemos ir até o complexo Alumar, de mineração, apontado como  o grande poluidor do Golfão Maranhense. Precisávamos registrar  aquela área.

    Foi difícil. Havia seguranças da empresa por todos os lados. Mas fizemos as imagens.

    Corremos de volta pro Iate Clube. Tomamos um banho, pegamos um táxi e tocamos para o aeroporto.

    Em breve estaremos de volta para mais etapas no Maranhão.

    Conheça o litoral do Amapá: navegando do rio Oiapoque até Macapá

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