Música para navegar

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João Lara e a Música

Não passo sem música. Ela é importante demais na minha vida. Desde pequeno foi assim. Adorava as festas de meu pai. Ficava lá em cima, no quarto, escutando. No dia seguinte entocava na discoteca: MPB, Jazz, pop, erudita. Música francesa ou italiana. Não importa. Eu ouvia tudo enquanto procurava identificar os sons mais tocados na véspera. Por mais que pesquisasse minha curiosidade não diminuía, ao contrario. Fui fundo. Resolvi estudar. Meti na cabeça que seria um profissional. Comecei com piano, na Pro-Arte da rua Sergipe, em São Paulo. Uma bela escola mantida pelo consulado alemão. Ali fui introduzido ao cravo, “bisavô” deste instrumento, e à teoria, harmonia e contraponto. Gostei e quis mais. Passei a estudar clarineta. Aos poucos este lindo instrumento de sopros se tornou o meu principal. Mas também aprendi um pouco de viola.

Cantava no Coralusp enquanto fazia curso de regência coral com dois professores: Hans-Joachim Koellreutter um alemão que, fugindo do nazismo, trouxe o dodecafonismo ao Brasil. E ensinou de Antonio Carlos Jobim até Isaac Karabtchevsky. E Benito Juarez, na época regente do Coralusp.

Mais tarde fundei o coral Manduri. Com ele me apresentei um par de vezes. Em 1979, aos 24 anos, fui aos Estados Unidos tentar uma faculdade. Entrei para a Manhattan School of Music, em Nova Iorque. Mas descobri que estava velho pra ser profissional. Eu havia começado meus estudos musicais aos 17 anos… Não deu. Quase três anos depois, em 1982, voltei ao Brasil e assumi a direção da Eldorado.

Passei mais de 20 anos na rádio. Enquanto a AM se dedicava ao jornalismo, na FM selecionávamos cuidadosamente cada música. A programação era eclética, focada em novos gêneros e artistas. O pop massificado não tinha vez. O jazz se misturava à MPB. A música erudita era valorizada em programas especiais, mas também rolava entre um rock, uma novidade vinda da Inglaterra, da África ou de Cuba. A programação era plural, refletia a diversidade do planeta. O prefixo da FM naquela época, 92,9 MHz, passou a ser cultuado. Era uma das rádios com mais personalidade do país. Nestes mais de 20 anos ouvia música e rádio quase 24 horas por dia. Foi um super aprendizado.

Acostumei. Até hoje onde vou tem que ter música. Por isto preparei algumas seleções para oferecer aos “viajantes” de meu site. Afinal, se navegar é preciso, com música fica tudo muito melhor. Bom proveito